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Jacquemus: Campo de Sonhos

Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
17 de jul de 2020
Tempo de leitura
3 Minutos
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A moda ao vivo regressou finalmente a França, na quinta-feira (16 de julho), quando Simon Porte Jacquemus, o estilista francês fundador da marca Jacquemus, encenou um espectáculo maravilhoso onde um belo elenco marchou através de um campo gigante de trigo barbado no Val d'Oise, a noroeste de Paris.

Os convidados foram transportados durante 90 minutos, para fora da capital francesa, para um planalto fértil e um campo de 1.000 acres (404,68 hectares), num condado histórico conhecido como Vexin. O nome de Vexin é derivado de uma antiga tribo gaulesa que lutou contra Júlio César, hoje conhecida como os Veliocasses, cujo nome significa honestidade, a qual habitou a área e fez de Ruão a sua cidade mais importante
 

Jacquemus - primavera-verão 2021 - Paris - Instagram/Jacquemus


E, o desfile de Jacquemus, um momento idílico que ecoou as gloriosas origens: Os manequins exóticos percorreram este campo que se estendia para além de onde os olhos podiam alcançar, e o vento fazia as espigas de trigo dourado ondularem atrás deles. Uma evocação a Van Gogh no Vexin, onde os convidados se sentaram em velhas cadeiras de madeira afundadas no campo de trigo com os pés assentes na terra.
 
Os manequins apareceram na crista da colina, a quase 300 metros de distância, antes de vaguearem pelo crepúsculo num pódium de contraplacado retorcido. A roupa também estava cheia de curvas e mostrava muita pele dos modelos de topo de moda do momento, reunidos a partir de um casting impressionante.


Jacquemus - primavera-verão 2021 - Paris


Cortes que alongaram a silhueta, calças de cintura alta e pequenas capas de algodão, soutiens elegantes, mini-boleros com mangas insufladas gigantes. A meio caminho entre um desenho curvo de Joan Miró e uma das primeiras fotos orgânicas de Karl Blossfeldt.

"Eu queria trabalhar no drapejamento, e encontrar um novo sistema de proporções", disse o designer, que passou o confinamento na sua Provença natal.
 
Jacquemus injectou todo o tipo de referências artísticas na sua coleção, nomeadamente numa soberba série de camisas masculinas que pontuaram o seu desfile de moda mista: Motivos dourados e angulosos de Alexander Calder, esboços do sol de Jean Lurçat, e até a cadeira P-Strut de Howard Meister que apareceu em algodão branco. Algumas saias de lápis tinham a forma de pequenas espigas descascadas de trigo, um acabamento também utilizado para as charmosas bolsas em miniatura.


Jacquemus - primavera-verão 2021 - Paris - Instagram/Jacquemus


O desfile foi acompanhado por uma banda sonora  que incluía Goran Bregović e uma canção de flamenco extremamente apaixonante de Luz Casal, escutada através de altifalantes escondidos nas profundezas do campo. O desfile foi destinado a apenas 80 felizes convidados, incluindo Isabelle Adjani, quase escondida sob um dos enormes chapéus de palha do criador. O público aplaudiu calorosamente, no final do espectáculo, quando o designer apareceu no topo da colina para acenar.

"Eu queria estar na natureza, mas não na Provença ou no sul, como normalmente faço. E, não muito longe de Paris, dadas as circunstâncias", explicou Simon Porte Jacquemus, lembrando os seus incríveis desfiles num campo provençal de lavanda ou numa praia perto de Marselha
 

Jacquemus - primavera-verão 2021 - Paris - Photo: FashionNetwork.com / Godfrey Deeny


Os desfiles das casas grandes farão o grande regresso a Paris no final de setembro, mas em pequenos grupos para respeitar as medidas de distanciamento social. Quanto a Jacquemus, não voltará a aparecer, pois acabou de apresentar a sua coleção primavera-verão 2021.

"O meu calendário? Desfile duas vezes por ano, com coleções mistas. Decidimos abrandar o ritmo. É muito menos cansativo para a minha equipa, e isso é vital para mim. Quebra o ritmo pesado e inexorável da moda", insistiu o designer, antes de entrar num cocktail pós-show, com o crepúsculo a banhar os seus convidados nas mais belas luzes, de cortar a respiração.

If You Build It, He Will Come (Se o construírem, ele virá) como a voz disse ao agricultor Ray, aliás a Ken Costner, no filme Until the End of the Dream (Até ao Fim do Sonho) de 1989.
 

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