LFWM: da sobrevivência chic à nova sensibilidade

Nunca vimos tantos modelos agrupados e protegidos com tantas roupas criadas pelos designers. Dito isto, mesmo num mundo pós-apocalíptico, muitas pessoas vão continuar a usar logotipos, que invadiram a maioria dos desfiles. No entanto, os desfiles destilaram uma atmosfera mais suave e agradável do que o habitual, particularmente incorporada na coleção mais bem sucedida da semana, Créolité, de Grace Wales Bonner. Selecionámos cinco grandes tendências vistas nos quatro dias da Semana da Moda Masculina de Londres, que teve mais de 50 desfiles e apresentações.
 
Sobreviventes e aventureiros


Craig Green, outono-inverno 2018 - Archiv

O próprio Craig Green nomeou o seu audacioso desfile de "Nomadic men reach new frontiers of self-discovery" ("Nómades alcançam as novas fronteiras do autoconhecimento"). O designer mostrou homens semelhantes a xamãs, com várias camadas de roupa e casacos com capuz de algodão em relevo, mas xamãs britânicos, com estampados Union Jack.

Belstaff - que apresentou uma incrível coleção de casacos biker vintage, incluindo o Trialmaster de quatro bolsos de 1963, que pertenceu a Steve McQueen - trouxe casacos em nylon stretch com três camadas ultra-técnicas, perfeitos para uma caminhada no Ártico. Quanto a Christopher Raeburn, escolheu roupas reais e duras, feitas com estampados ousados - macacões de mecânicos da Royal Air Force que se transformaram em parkas, casacos e calças -, mas cortados em neoprene laranja. Por último, mas não menos importante, a coleção Ugly / Boys da nova marca de moda Jordan Luca, com as suas peças únicas em nylon, os seus bonés em matelassê e cachecóis, não pôde ser ignorada.

Mais volumes


Christopher Raeburn,outono-inverno 2018 - Archiv

Raeburn apresentou sobretudos gigantes, feitos de cobertores da marinha russa. A dupla chinesa, fortemente protegida, Pronounce, por sua vez, mostrou casacos enormes em nylon, que arrastavam no chão. Não podemos esquecer de mencionar as parkas infladas de Alex Mullins e os seus trench-coats semelhantes a vestidos de baile. A divertida coleção cowboy de Astrid Andersen apresentou calças de jacquard ultra largas, enquanto a sua coleção para a Sag Furs fez uso de galões "aéreos" técnicos, o que deu a impressão de que os casacos de raposa flutuavam do tronco dos modelos.

A nova sensibilidade


Ver o desfile
Grace Wales Bonner, outono-inverno 2018 - Londres - © PixelFormula

A sensibilidade foi perfeitamente incorporada no grande momento de moda orquestrado por Grace Wales Bonner, inspirada na história de um jovem que retorna à sua ilha nativa nas Caraíbas depois de uma longa estadia em Paris. O resultado: silhuetas e cortes dignos de Yves Saint Laurent. Modelos elegantes caminhavam lentamente na passarela, vestidos com casacos minimalistas com grandes botões, blazers descentrados e calças de marinheiro evasê, enquanto a banda sonora Adagio Albinoni tocava na bateria.

O desfile de Kiko Kostadinov realizou-se no escritório central dos Quakers, movimento religioso pela paz. Os convites: pequenas flores cortadas em envelopes de plástico. O título da coleção: "Obscured by Clouds" (Obscurecido pelas Nuvens). E se as roupas foram principalmente inspiradas em vestuário desportivo, uma grande suavidade surgiu das suas calças de jogging em nylon, anoraks divertidos e acessórios em forma de mini camisas de força.

Logomania


Kent & Curwen, outono-inverno 2018 - Archiv

A marca masculina mais em alta de Londres no momento, Kent & Curwen, que conta com David Beckham como sócio, colocou logos na maior parte da sua coleção - rosas bordadas com o ano da fundação da marca, 1926, cardos, a iniciais K&C, leões...

Os modelos épicos de Raeburn apresentaram-se com o nome da marca nos cintos. E na maior colaboração da temporada, Ben Sherman x Henry Holland, o logotipo pode ser visto em praticamente todas as roupas.
 
O declínio da confeção clássica 


John Lawrence Sullivan, outono-inverno 2018 - Archiv

A temporada londrina da moda masculina costumava ser repleta da alfaiataria clássica criada pelas tradicionais marcas de Savile Row. Nesta temporada, estiveram ausentes, substituídas pela audácia da nova geração de designers. De John Lawrence Sullivan com seus fatos alongados da máfia Yakuza aos fatos coloridos de Alex Mullins. "The Crown" até pode ser atualmente uma série de muito sucesso na Netflix, mas a alfaiataria clássica britânica está morta e enterrada.

Traduzido por Novello Dariella

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