La Famiglia: a importância da família na Semana da Moda de Milão

Tudo se mantém em família em Itália, onde vários clãs pareciam estar unidos para apoiar a sua indústria, mesmo quando se tratava de romper os moldes de apresentações e desfiles.
 
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Missoni - outono-inverno 2018 - Moda Feminina - Milão - © PixelFormula

A semana começou com a Moncler Genius, uma série de colaborações da Moncler com oito talentos do design, entre os quais se destacaram Simone Rocha e Pierpaolo Piccioli. Dentro do Palazzo delle Stelline, cada um criou o seu ambiente artístico para mostrar uma série de ideias que pareciam vir de outro planeta.

No dia seguinte, diversos designers sentaram-se com o presidente da câmara de Milão no Palazzo Reale para um almoço que abriu a exposição "Italiana, Itália através da lente da moda de 1971 a 2001", uma impressionante retrospetiva sobre o prêt-à-porter italiano.

"É a continuação de 'Bellissima', sobre a alta moda italiana, ou alta costura, encenada em Roma. Esta é uma visão do nosso prêt-à-porter pós-guerra, quando os primeiros designers começaram a mostrar as suas coleções em Milão. Estes são os dois elementos-chave da história do setor em Itália e acredito que conseguimos capturar a essência criativa", explicou Stefano Tonchi, diretor da W Magazine, co-curador da exposição juntamente com María Luisa Frisa.
 
O clímax da semana veio com um desfile muito concorrido intitulado "Tommy Now Drive", que aconteceu numa pista de corrida de carros criada especialmente para a ocasião no espaço Fiera Milano, que teve até o enteado de Tommy Hilfiger, o tenista profissional Julian Ocleppo, como parte do elenco de modelos.
 
"Estamos muito felizes por ter Tommy aqui em Milão. Todos os talentos estrangeiros são bem-vindos na nossa cidade. Acho que tivemos uma temporada muito boa, com os nossos designers e marcas a pensar fora da caixa, como a Moncler, quando se trata de encenação. Que isso continue por muito tempo", disse Carlo Capasa, presidente da Camera della Moda, órgão que coordena a moda italiana.
 
Angela Missoni apresentou uma das melhores coleções em vários anos para a marca da família italiana, especializada em tricot. Uma mistura de Mark Rothko, com elegante estilo boémio e hippie cool, com um tricot inovador.
 
Também foram impressionantes René Caovilla, o fabricante de calçado octogenário de Veneza, que apresentou novas botas sedutoras feitas numa combinação notável de malha stretch e cristais.

"É tudo sobre sedução e sonhos. Porque não se pode atribuir um preço aos sonhos", brincou o sempre jovem Caovilla, cujo filho agora administra o negócio familiar.


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Max Mara - outono-inverno 2018 - Moda Feminina - Milão - © PixelFormula

Outra empresa familiar, a Max Mara, juntou-se ao retalhista Fenwick, que pertence a uma família britânica, para criar uma coleção-cápsula intitulada "Trophy Day”.

Fenwick, que sempre teve um grande número de clientes pilotos de corridas, encorajou o desenvolvimento de uma nova coleção-cápsula com a Max Mara Weekend, com base no trabalho do artista Richard Saja, que incorpora estampados em toile de jouy com toques de bordado arty.

"Tudo está em conformidade com os regulamentos de vestuário do Royal Enclosure da Ascot. O que é muito útil ", disse Leo Fenwick, herdeiro da cadeia britânica de lojas de departamento, sobre a coleção composta por dez peças como vestidos femininos e carteiras macias, que começará a ser vendida no retalho exclusivamente na Fenwick nesta primavera.
 
Outra empresa familiar, a Versace, que atualmente tem 20% do seu capital nas mãos do veículo de investimento Blackstone, apresentou um desfile poderoso. Donatella trouxe o imaginário dos anos oitenta e um vestuário desportivo e urbano para a marca da medusa.

Este também foi um momento de novos investimentos em marcas com frutos, como a Sergio Rossi. A marca parece estar a recuperar sob a gestão de Riccardo Sciutto, que assumiu a empresa depois de a Kering a ter vendido ao fundo italiano Investindustrial, pertencentente a Andrea C. Bonomi.


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Versace -outono-inverno 2018 - Moda Feminina - Milão - © PixelFormula

A marca parece ter melhorado o seu desempenho desde que se livrou da camisa de forças corporativa, e organizou uma apresentação original num pequeno teatro com capacidade para 200 pessoas, projetado pelo mesmo arquiteto do La Scala.

Apresentada dentro de torres, que pareciam jorrar lava vulcânica, a nova coleção contou com botas futuristas cor carmim e botas minimalistas de lantejoulas com lados Perspex maleáveis. A Sergio Rossi também inaugurou uma nova concept store em Paris, reabriu em Milão, e tem novas inaugurações no radar em Roma, Nova Iorque, China e Japão.

Como em todas as grandes famílias, também houve discussões. Giorgio Armani acusou Alessandro Michele de mau gosto por mostrar modelos numa passarela que simulava uma sala de cirurgia, a transportar cópias exatas das suas cabeças debaixo do braço.

Mas, a Gucci, que se absteve de fazer qualquer comentário, estava claramente a pensar na sua própria família. Após o tiroteio recente e brutal numa escola da Flórida, a Gucci doou 500 mil dólares à iniciativa "March for Our Lives". É uma empresa que, infelizmente, sabe muito bem o que é enfrentar uma tragédia como um tiroteio em massa: um dos seus funcionários estava entre os 46 mortos no ataque numa discoteca em Orlando, Flórida, em junho de 2016.

Traduzido por Novello Dariella

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