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Lancel é relançada por Marco Palmieri

Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
today 8 de abr de 2019
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É difícil imaginar um melhor  lugar para abrigar uma loja do que o número 8 da Place de l'Opéra, onde fica a flagship da Lancel em Paris. Este espaço maravilhoso, situado numa área movimentada da cidade, conta com um piso superior com uma vista incrível e privilegiada de um belo edifício de luxo: o Palais Garnier.


Marco Palmieri


Apesar disso, a marca tem vindo a perder dinheiro nos últimos anos, e Marco Palmieri planeia mudar isso. Palmieri, proprietário e CEO da Piquadro, a marca italiana de malas que está a viver o seu auge, adquiriu o controlo da Lancel em junho do ano passado. Até então, esta pertencia ao grupo de luxo Richemont, o terceiro maior do mundo.

Fundada em 1876, a Lancel possui 60 pontos de venda, incluindo lojas monomarca e corners em grandes armazéns. Inicialmente, antes de se tornar uma marca de culto internacional, fabricava acessórios para fumadores. No entanto, os seus resultados financeiros caíram nos últimos anos, devido à  falta de investimento e uma oferta obsoleta, que provocaram pouca procura pela marca.

No ano fiscal encerrado a 31 de março de 2018, as vendas caíram para apenas 53 milhões de euros, menos da metade da faturação da empresa há uma década. As perdas foram de 23 milhões de euros, muito dinheiro, considerando que a Richemont pagou 346 milhões pela Lancel.

Com um prejuízo esperado de quase 30 milhões de euros nos últimos anos, a Richemont pagou para a Palmieiri adquirir a marca, apesar do acordo a ter obrigado a pagar 35 milhões de euros em royalties à Richemont na próxima década.


Loja da Lancel na Place de l'Opéra, em Paris


A compra da Lancel é a mais recente aquisição da Piquadro, desde que esta adquiriu a marca de Florença The Bridge, em 2016. Mas, o que faz o CEO da Piquadro, Marco Palmieri, acreditar que pode reverter a situação financeira da Lancel, uma marca que perdeu completamente o fascínio?

“Por que comprámos a Lancel? Porque depois de comprar a The Bridge conseguimos deixá-la em boa forma e ganhar dinheiro. E, bem, percebemos que poderíamos fazer isso com outras marcas. Então, entramos em contacto com a Richemont. E, provavelmente, para a empresa a Lancel não era tão estratégica, por isso concordaram vendê-la”, explicou Marco Palmieri durante um café em Paris.
 
A fundadora da marca, Angèle Lancel, via a carteira como o "segredo da sedução feminina", e o seu filho, Albert, tornou a Lancel uma marca global dando destaque a bolsos práticos e espelhos internos e usando couros finos como lezard e pelica.

O CEO vê a Lancel como uma joia empoeirada que pode ser polida e recuperada com a combinação certa de gestão e moda. 


Designer Barbara Fusillo


“A Lancel é uma marca única, com 145 anos de história e um arquivo incrível composto por milhares de ótimos produtos datados do final do século XX até hoje. É um registo extraordinário de como esta marca liderou a vanguarda. Tornou-se uma marca clássica, mas na verdade é uma marca de vanguarda, baseada em pesquisa. Permita-me dizer: uma Colette de espírito livre, antes da Colette”, diz Palmieri.

Um grande empreendedor, Marco Palmieri começou a sua carreira a produzir artigos de couro na sua própria garagem e a viajar pelo norte de Itália num Renault 5 para os vender. Atualmente, a Piquadro fatura mais de 100 milhões de euros e Palmieri está claramente numa nova etapa da sua carreira, a construir um império de luxo.
 
Os seus planos para a Lancel?

"Queremos ser mais jovens e muito mais fashionistas. O nosso alvo são os millennials, dinâmicos, rápidos, e o made in Italy. Antigamente, a Lancel era produzida em vários lugares. O nosso objetivo hoje é produzir os artigos de couro em Itália e as nossas bolsas de bijoux em França”, diz o empresário. A Lancel é conhecida por colaborar com personalidades bem diversificadas, como Arletty, Edith Piaf, Maurice Chevalier e Josephine Baker.

Palmieri está animado com o seu talento criativo: a estilista Barbara Fusillo, que se juntou à Lancel em setembro de 2017, antes da aquisição da Piquadro. Nascida em Modena, Barbara Fusillo estudou em Milão e Florença antes de se juntar à Miu Miu, primeiro em Itália e depois em Paris; o que a levou a um período de dois anos na Marc Jacobs em Nova Iorque.

“Foi uma ótima experiência, trabalhar nas carteiras das coleções diretamente com Marc, antes de decidir voltar para a Europa”, explicou a designer, durante uma entrevista realizada no segundo andar da arejada boutique da Place de l'Opéra, inaugurada em 1921.

A sua definição do ADN da Lancel?

“Em termos de couro - qualidade extrema, ideias de vanguarda, criatividade e um perfeito equilíbrio entre criatividade e funcionalidade. Onde o objeto é feito para as necessidades do seu dono”, diz Fusillo, que trabalha diretamente da sede da Lancel, na rue Ampère, no 17º arrondissement.
 
A sua primeira coleção desde a aquisição da Piquadro é uma declaração de moda muito mais forte, vista na nova linha Romane: um couro mais elegante e uma pegada urbana, mais inteligente, como as carteiras de couro envernizadas em borgonha e cinza encouraçado ou as clutches azuis tecnológicas com tiras laterais curvas.



“Os nossos novos fechos são uma interpretação de um que encontrámos nos arquivos da marca, que traz personalizada à bolsa. Enquanto o couro é baseado em pelica, que me permite brincar com as cores e dar um ar de singularidade”, diz Barbara Fusillo. “Não queremos chocar as pessoas, mas criámos um produto cool. A minha conceção principal é o fim dos anos 70, sem ser hippie”, acrescenta.
 
Além disso, a loja do Opéra foi atualizada com estampados pop art inteligentes, estantes douradas e mobiliário minimalista. É possível sentir a injeção de moda, sofisticada mas nunca agressiva, com uma veia desportiva. Há um quê de Gio Ponti, com um toque retro-futurista francês.
 
“A Lancel tornou-se uma empresa de artigos de couro no final do século XIX. E nunca, nunca fechou. Quantas marcas podem dizer isso?",  diz Palmieiri, claramente orgulhoso da sua conquista.

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