Lanvin: exploradores fantásticos e peregrinos místicos

Se não der certo da primeira vez, tente novamente. A Lanvin apresentou o seu quarto estilista em quatro anos na manhã de quarta-feira (27) em Paris. Bruno Sialelli fez uma estreia sensacional na marca de alta costura mais antiga de França, com um desfile no antigo Museu Cluny.


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Lanvin - outono-inverno 2019 - Moda Feminina - Paris - © PixelFormula

Esta coleção e desfile representaram uma significativa declaração de moda, reproduzindo muito do ADN da Lanvin, mas nos termos místicos e folclóricos de Bruno Sialelli. Um desfile misto e com encenação impecável no museu, localizado numa antiga abadia construída sobre antigas termas romanas.

Francês de origem italiana, Bruno Sialelli passou pela Paco Rabanne e Loewe, desenhando a moda masculina desta última. Houve algumas discretas alusões às marcas, mas realmente mínimas. A coleção inteira foi cortada com abandono, misturando corajosamente os tecidos: tops de malha e lã, golas, tartans com bordas brutas, sedas elegantes e estampados arrojados compostos de extratos textos de livros infantis, como "São Jorge e o Dragão". Sialelli também usou esses textos em grandes botas e carteiras, tornando todo o clima inesperado, ingénuo e de alguma forma muito sofisticado.

Para os homens, criou camisas de marinheiro complementadas com sweaters de lã, casacos de pano cortados em camadas, túnicas de seda com estampados heráldicos e capuz de malha ou casacos chesterfield elegantes, cujas mangas continham a inscrição heráldica.


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Lanvin - outono-inverno 2019 - Moda Feminina - Paris - © PixelFormula

"Procurei inspiração nos arquivos da marca e descobri que Jeanne Lanvin era uma exploradora: foi para a Europa Oriental e Médio Oriente, de onde trouxe muitos tecidos e folclores, sempre a criar emoção. Mas, também era uma verdadeira amante de lifestyle, que criava coleções para homens, mulheres e até móveis. Por isso, quis explorar a cultura azteca, mas também Jean Genet, alguns cantos da Bretanha, Brest, e a beleza do interior de França”, explicou Bruno Sialelli, que batizou a sua coleção de "Mystic Pilgrims” (Peregrinos Místicos) e que escolheu Cluny, "porque é como uma cápsula mágica do tempo”.

Numa passagem incrível, usou um estampado com várias cabeças em vários belos vestidos, incluindo um coberto com fragmentos de metal dourado, um top masculino, uma bolsa em seda, até mesmo um belo conjunto de pijamas.

A paleta de Bruno Sialelli era otimista: azul bebé, xadrez desbotado, rosa blush. A sua escolha de elenco foi criteriosa: modelos desconhecidos e cool e estrelas como Gigi Hadid e Kaia Gerber. O cenário bem pensado era composto de bancos de madeira simples. A ótima banda sonora incluía música do compositor italiano Nino Rota e Heart of Gold, de Neil Young. O resultado final foi um verdadeiro momento de moda.


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Lanvin - outono-inverno 2019 - Moda Feminina - Paris - © PixelFormula
 
"Bruno é extremamente habilidoso e tem uma visão de mundo. Além disso, tem experiência e talento em moda feminina, masculina e acessórios. É um líder e é jovem. E eu realmente não poderia reciclar outro nome conhecido”, disse Jean-Philippe Hecquet, que foi nomeado CEO da Lanvin em agosto de 2018, meses após a aquisição da marca pela empresa chinesa de investimento Fosun Fashion Group.

Quem quer que tenha dito que os chineses não são capazes de administrar uma grande marca de luxo pode ficar calado agora. A Fosun escolheu uma equipa executiva experiente e inteligente que teve a coragem de selecionar um jovem designer desconhecido. O resultado foi uma grande estreia nas ruínas mais famosas de Paris.

Traduzido por Novello Dariella

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