Levi’s diminui produção na China em plena guerra comercial do país com os Estados Unidos

A Levi Strauss & Co tem sido "deliberada e diligente" em mover a produção para fora da China numa altura de incertezas relativamente às tarifas de produtos importados da China, disse o CEO da empresa, Chip Bergh, à Reuteurs.


Levi's

"Apenas 1% ou 2% dos produtos Levi's vendidos nos Estados Unidos são fabricados na China, em comparação com 16% há dois anos", disse Chip Bergh. O CEO deu a declaração um dia antes do presidente dos Estados Unidos Donald Trump dizer que iria impor tarifas a mais 300 mil milhões de dólares em produtos chineses, incluindo vestuário.

Trump tem usado as tarifas como uma ferramenta para negociar melhores condições comerciais, dizendo que os maus negócios custam milhões de empregos nos Estados Unidos. Além do vestuário, as novas taxas atingem bens de consumo, como eletrónicos e brinquedos, e somam-se aos já impostos 250 mil milhões de dólares sobre outros artigos importados da China.

"O entra e sai das tarifas americanas sobre produtos chineses criaram incerteza para muitos retalhistas americanos", disse Bergh. "Todos os dia é um novo dia. Às vezes parece que definitivamente vai acontecer e depois noutros dias achamos que não.”

A Levi's, que tem sede em San Francisco e passou a estar listada na bolsa em março, é mais uma das muitas retalhistas que têm transferido cadeias de abastecimento da China para países como Vietname e Bangladesh. A tendência foi inicialmente uma resposta ao aumento dos salários chineses, mas o êxodo deve ser acelerado com as novas tarifas, que, segundo Trump, entrarão em vigor a 1 de setembro. 

Esperado que estas aumentem os custos dos consumidores e tenham impacto em todo o setor do retalho. Retalhistas de roupa como Gap, a marca de carteiras Steve Madden e os grandes armazéns Macy's também estão a transferir a produção para fora da China. 

No entanto, a China ainda é um grande fornecedor para a indústria: 42% do vestuário e 69% do calçado vendido nos Estados Unidos é fabricado na China, de acordo com a American Apparel and Footwear Association.

Após as últimas notícias sobre as tarifas, vários grandes grupos de comércio retalhista alertaram que estas vão prejudicar as compras dos consumidores, provocar aumento nos preços e limitar as contratações.

A Levi's tem duas fábricas na Polónia e na África do Sul, mas usa principalmente fornecedores ou fornecedores terceirizados espalhados por 22 países diferentes, disse Bergh, que ingressou na empresa em setembro de 2011.

"Reduzimos nossa base de fornecedores durante o tempo em que estivemos aqui para realmente desenvolver relacionamentos mais profundos e estratégicos com muitos dos nossos fornecedores", disse. "Muitos dos fornecedores da Levi's na China são empresas de capital aberto que diversificaram o risco construindo fábricas em lugares como Vietnamee Camboja”, disse Bergh.

Entre os produtos mais vendidos da Levi's estão os jeans masculinos 501, que custam entre 39,99 e 49,99 dólares, segundo a loja online americana da Levi's.

Trump também ameaçou impor tarifas sobre o México em retaliação à imigração ilegal proveniente de grande parte da América Central, através da fronteira entre os Estados Unidos e o México. O presidente americano está a pressionar o Congresso para aprovar o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), que o seu governo adotou para substituir o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA).

A Levi's também colocou em prática planos de contingência "não apenas para a China, mas também para o México, caso o NAFTA seja destruído num momento de fúria ou algo assim", disse Bergh.

Traduzido por Novello Dariella

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