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Lima & Companhia alarga horizontes

Por
Portugal Textil
Publicado em
today 14 de mai de 2019
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A produtora de vestuário, que internamente domina também a tricotagem, o tingimento e os bordados, quer chegar a novos mercados em 2019, numa busca por novos clientes que alimentem a produção em private label e complementem o negócio, que conta igualmente com a marca própria Ethnic Blue.



A empresa, fundada há quase quatro décadas, é um dos casos raros que dentro de portas mantém os vários processos de produção, uma estratégia iniciada há muitos anos e que a Lima & Companhia acredita trazer-lhe mais-valias nos dias de hoje.

«Começámos pela confeção, uma coisa muito pequenina e foi crescendo. Na altura, o boom do têxtil foi grande e havia necessidade de ter respostas mais atempadamente para os clientes. O meu pai [José Cortinhas] começou a ter muita exportação e o mercado dificultava a resposta atempada aos clientes. Começou pela malha, com um tear, depois a seguir foi a questão do tingimento e como começámos a ter teares, precisávamos de uma tinturaria que nos acompanhasse», conta Márcia Cortinhas, diretora comercial da empresa familiar, ao Portugal Têxtil.

Se na altura a verticalização do negócio fazia sentido, hoje, aponta Márcia Cortinhas, os pressupostos mantêm-se e até com mais premência. «É uma questão de rapidez mas não só. A resposta que podemos dar ao cliente, ele poder chegar à empresa e ter tudo… Temos clientes que vêm cá desenhar as coleções. Há uma ideia daquilo que querem fazer, mas às vezes passar da ideia à peça em si é mais complicado. Nós desenvolvemos as malhas, temos riscadores, jacquards, ainda fazemos tiras retas com riscas, fazemos malhas circulares normais, jerseys, piqués…», destaca a diretora comercial.

A apoiar esta capacidade produtiva na Lima & Companhia, que emprega 250 pessoas, está um departamento de design que, além de responder aos pedidos dos clientes, procura constantemente novos desenvolvimentos. «Conseguimos introduzir agora, nas malhas, lã e fibras mais nobres», exemplifica Catarina Cortinhas, designer na empresa.

Marca própria em Paris

O private label corresponde, atualmente, a 20% da produção da Lima & Companhia, que tem uma capacidade produtiva diária de 5 toneladas na tricotagem, 9 toneladas na tinturaria e acabamentos e 3.000 peças confecionadas.

Holanda, Alemanha, França, Canadá, Inglaterra, Suécia e Dinamarca são os destinos do private label da empresa, que conta com clientes diversificados, desde merchandising do Bayern de Munique e as fardas do McDonalds, no mercado germânico, à Kaufmann e Key West, no dinamarquês, ou a HMZ no holandês. «Vamos trabalhando com vários clientes, que vêm através de agentes e são sobretudo conhecidos nos países deles», esclarece Márcia Cortinhas.

A marca própria Ethnic Blue, criada em 1994 dentro da participada Copa – Compagnie Textile, ocupa 80% da produção da Lima & Companhia. «A Catarina é responsável por desenhar a coleção, nós produzimos e a logística e as vendas da marca são feitas a partir de Paris», explica Márcia Cortinhas.

A marca, vocacionada para o universo masculino, produz não só duas coleções anuais, para o verão e para o inverno, mas também tem atualizações semanais. «O objetivo é haver sempre novidades, quer em termos da malha usada, quer de cores ou de detalhes diferentes nas peças», afirma Catarina Cortinhas. Estes envios semanais permitem ainda «obter feedback», assegura a designer. «Permite-nos perceber se vão ser apostas ou não, se vamos introduzir na próxima coleção», acrescenta, salientando que «como temos tudo internamente, conseguimos fazer isso de uma maneira mais fácil».

A Ethnic Blue tem a França como principal mercado, mas «a partir de França é exportada para qualquer parte do mundo. Até no Líbano temos clientes», adianta Márcia Cortinhas.

Novos mercados na linha de mira

É, aliás, para todo o mundo que a Lima & Companhia quer vender de forma regular, incluindo em private label. A empresa, que em 2018 teve um «ano desafiante», mantendo o volume de negócios de 6 milhões de euros, quer explorar novos mercados. «Os anos desafiantes também são necessários. Às vezes é preciso um ano desafiante para nos “acordar” e fazer mudar de caminho, definir novas estratégias, ver se realmente o que estamos a fazer está bem feito, se temos de melhorar ou ver para onde o mercado está a ir», reconhece a diretora comercial.

A presença em feiras internacionais foi a estratégia que a empresa encontrou para “tomar o pulso” ao mercado, num percurso iniciado em 2017 que continuou no ano passado e se prolongará em 2019. «Estamos agora a inscrever-nos para a Première Vision Paris. Vamos tentar ser aceites para estarmos lá em setembro», revela Márcia Cortinhas.

Até agora, esta aposta permitiu angariar novos contactos em mercados como Inglaterra, mas «o objetivo em 2019 é começar a conquistar outros mercados, não ficarmos limitados aos países que já conhecemos e que já vimos há muitos anos. Estamos a analisar feiras para irmos para o mercado nórdico, talvez experimentar a Polónia e a Rússia – tentámos alguns contactos, ainda não percebemos se será um bom mercado ou não, mas a Rússia é grande e nós temos boas malhas para eles», acredita a diretora comercial. «A nossa ideia é abrir um bocadinho a empresa porque, sem querer, os nossos ovos estavam todos no mesmo cesto porque era confortável. Esse conforto continua a existir, mas há a necessidade de ver mais. Abrir horizontes também dá para aprendermos. A meta é continuar a crescer e, em 2019, consolidarmos o que já fizemos em 2017 e em 2018», conclui Márcia Cortinhas.

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