London Fashion Week Masculina: a importância da localização

Nesta temporada, a London Fashion Week Men’s (LFWM) mudou-se para o leste de Londres. Uma grande mudança de localização que produziu uma grande mudança no ambiente. O efeito positivo foi imediato.


Band of Outsiders - outono-inverno 2019 - Band of Outsiders

Ao longo do último fim de semana, uma enorme multidão de designers e marcas a apresentaram alguns dos seus trabalhos mais memoráveis.

O melhor desfile do dia de abertura foi o da John Lawrence Sullivan, a marca de Arashi Yanagawa com sede em Tóquio, assim batizada em homenagem ao pugilista irlandês-americano.

Inspirado pelos estilos gótico e punk rock, foi uma apresentação glamourosa e sombria, organizada num túnel ferroviário mal iluminado. Apoiado pela nova banda hipster de Londres, Wild Daughter, cujo vocalista, James Jeanette, apareceu com botas de mosqueteiro, um casaco de pele falsa de crocodilo e um jockstrap preto, para liderar o ataque.

Poderia facilmente ter sido um cliché, mas em vez disso foi uma releitura oportuna do estilo rocker chic, de grandes casacos vermelhos com estampado de tigre a casacos em xadrez oversized, passando pelas sweaters em chenille com mangas em forma de tulipa e bordados de prata e pelos perfectos muito largos.

Ou, por exemplo, Edward Crutchley, cuja visão refinada da elegância lânguida na alfaiataria com uma grande dose de impetuosidade foi inspirada pela "malvada e magnífica Grace Jones em 007 - Alvo em Movimento", de acordo com o designer.

Crutchley domina perfeitamente a arte do corte, algo claramente visível nos seus inteligentes casacos longos, feitos como robes desconstruídos, embora dotados de bolsos.

Às vezes tornava-se complicado. Será que alguém precisa realmente de um par de calças com pregas feitas de fechos de metal? Mas, no geral, foi uma ótima apresentação de nova alfaiataria. Numa coleção mista, o melhor look individual de Crutchley foi um fato risca de giz perfeitamente executado, usado com uma camisola de gola alta num modelo de estilo Jackie Onassis. Além disso, ninguém mostrou os tecidos britânicos, como as belas caxemiras da Johnstons de Elgin, melhor que Crutchley.


Iceberg - outono-inverno 2019 - Londres

A nova localização parece até ter inspirado os criadores visitantes, como a marca do norte de Itália Iceberg, ainda que nesta temporada o designer da marca, o britânico James Long, se tenha inspirado nos Alpes italianos.

A Iceberg sempre foi uma grande fornecedora de tecidos brilhantes e sportswear inteligente, e a sua nova obra parece estar agora em perfeita sincronia com a tendência contemporânea na moda masculina, o athleisure.

Long encheu os seus estampados com padrões loucos: bandeiras de esqui, sinalização alpina, personagens da Disney, pistas famosas de esqui famosas e equipamento desportivo. Depois, cortou o tecido resultante em parkas glamourosas, calças desportivas, casacos acolchoados excelentes e camisolas pós-esqui. O punk-grunge de luxo em cores ácidas e o melhor desfile da Iceberg em vários anos.

A maioria dos eventos foram apresentados na Truman Brewery, um espaço industrial de tijolos vermelhos do século XIX perto do Spitalfields Market, e, embora houvesse muita ação nas ruas próximas, quando a escuridão chegou e a névoa baixou, a atmosfera lembrava os romances de Charles Dickens.

O estilista belga Angelo Van Mol organizou uma das melhores apresentações para a Band of Outsiders, estreando um filme no Close up, um vídeo-clube e pequeno teatro.

"Adorei o filme “First Man", com Ryan Gosling. Para mim, as imagens da lua do final dos anos sessenta e início dos anos setenta representavam uma era mais livre e uma mentalidade mais aberta. O facto de os seus heróis estarem a explorar o espaço sideral significava que as pessoas estavam abertas a tentar novas ideias, cortes e cores", disse o designer.

Antes da exibição, os cinco modelos do filme posaram por turnos diante de uma pequena televisão que mostrava imagens granuladas de Neil Armstrong a chegar à lua. Embora a atmosfera fosse nostálgica, a roupa era contemporânea, do mohair e os casacos de lã aos quadrados ao incrível casaco peacoat finalizado com gola e punhos elásticos basebol. O desfile também representou a estreia da moda feminina da Band of Outsiders, muita com os mesmos quadrados laranja escuro e os losangos ousados da coleção masculina, além de um maravilhoso fato de pele de pónei raspada, em tartan vermelho e branco.


Astrid Andersen - outono-inverno 2019 - Londres

Foi também um momento alto para os designers chineses, como Yushan Li e Jun Zhou, os dois talentos educados em Londres por trás da Pronounce, sediada tanto em Milão e como em Xangai. Nomeada para o Prémio Woolmark em 2017, a Pronounce organizou um desfile impressionante. O seu grande truque: a técnica piping, usada em materiais fluorescentes em casacos Mao, coletes acolchoados e peacoats, todos com um estilo muito dandy.

No domingo, outra dupla chinesa com sede no estrangeiro, Haoran Li e Siying Qu, da Private Policy, cuja sede fica em Long Island City, apresentou os seus produtos no Reino Unido.

De uma forma surpreendente para uma marca da China, onde a política é monopolizada pelo partido comunista, a Private Policy joga com temas políticos e sociais em todos os seus desfiles. Algo que fizeram novamente nesta temporada para se posicionarem contra a brutalidade do capitalismo sem restrições. O desfile foi batizado “Monckey v Human" (“Dinheiro v Humano”) e a passarela foi decorada com mesas frias com grandes maços de notas falsas. As mesmas notas falsas foram vistas em arneses transparentes e capacetes e usadas como colares. De resto, foi uma coleção de roupas eficazes e inteligentes, desde sweatshirts de feltro usadas com  Chesterfields em xadrez até parkas oversized acompanhadas por lenços gigantes com franjas bordadas.

O domingo começou com a marca mais proeminente do Reino Unido, a Kent & Curwen de David Beckham, que se apresentou numa mansão no centro da cidade, sendo que depois a ação se moveu novamente para leste, em torno da Truman Brewery , uma área repleta de concept stores, lojas vintage, galerias de arte e lojas de marcas desportivas inovadoras, como a Adidas.

A área está localizada ao norte da cidade de Londres, e Astrid Anderson organizou o seu desfile misto noturno numa praça quase congelada sob um grande arranha-céus em Broadgate.

Será que Astrid não recebeu a notificação do British Fashion Council de que Londres era uma temporada sem peles? Claramente não, uma vez que apresentou vários casacos de pele, um impressionante blazer de vison em azul e preto e um maravilhoso casaco de pele de raposa azul claro com leggings estampadas.


Mowalowa - outono-inverno 2019 - Londres- Fotografia: Fashion East

Por fim, a maior multidão de pessoas deste fim de semana encheu a antiga cervejaria para ver o Fashion East, o desfile dos três estilistas emergentes descobertos por Lulu Kennedy. O seu trio nesta temporada: Robyn Lynch da Irlanda, a nigeriana Mowalola e Stefan Cooke, com sede em Londres.

Lulu Kennedy continua a ser a melhor a descobrir talentos em Londres e os três mostraram uma grande habilidade. As influências irlandesas de Lynch, como as camisolas Aran, misturaram-se com roupas de trabalho práticas e calças utilitárias numa estreia astuta. Cooke cativou com algumas criações inovadoras, especialmente o couro articulado elástico usado em calças enrugadas e tops esticados. No entanto, a maior ovação foi conquistada por Mowalola, cuja estética ultrajante com toques de sexualidade feminina e uma elegante alfaiataria de rua com couros coloridos a distinguem como um talento muito original. Mowalola é definitivamente o novo nome a não perder de vista em Londres.

Traduzido por Estela Ataíde

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