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Traduzido por
Helena OSORIO
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24 de fev de 2021
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6 Minutos
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London Fashion Week culmina com Simone Rocha e QEII Award

Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
24 de fev de 2021

A London Fashion Week terminou na noite de terça-feira (23 de fevereiro) após cinco dias e dezenas de desfiles virtuais, apresentações e debates, com um desfile singular de Simone Rocha, e com o mais recente prémio Queen Elizabeth II Award for British Design - British Fashion Council (QEII Award) a ser atribuído a Priya Ahluwalia.


Ahluwalia - outono-inverno 2021 - Foto: Ahluwalia


Numa estação super colorida após este período sombrio da história, os designers criaram gráficos arrojados quebrados ou estampas florais; e fizeram sobressair looks do alto de plataformas, o que ocasionou um grande retorno. Embora o tema principal fosse o desejo de uma moda artística feminina, e hiper prática para os homens. Aqui estão cinco momentos-chave das últimas 24 horas da semana da moda no Reino Unido.
 
Simone Rocha: princesas de Pinafore e vestidos Perfectos


Simone Rocha - outono-inverno 2021 - Foto: Simone Rocha


Simone Rocha foi quase a última grande designer da temporada londrina a apresentar a sua coleção, em grande parte virtual, revelando um verdadeiro desfile de passerelle, embora sem audiência, no interior de uma igreja desconsagrada.
 
Rocha é já há meia década uma entre a meia dúzia de designers mais importantes do Reino Unido, e uma das 20 mais importantes da Europa, e esta coleção apenas servirá para cimentar a sua reputação. Com o título solto "As Três Graças", filhas afortunadas de Zeus, onde as graças foram o cetim, couro e tule – o trio de tecidos díspares que a designer irlandesa de ascendência luso-chinesa manuseou com inteligência e sofisticação para a estação de outono-inverno de 2021.
 
Poucas pessoas criam volumes com tanto élan como Simone Rocha, que abriu com uma série de grandes novos vestidos Perfectos, usados sobre tutus, leggings e plataformas; ou cortados brilhantemente em casacos de bolha; rematados por grande colarinho de camisa branca e gravata. Até ao seu penúltimo look – um Perfecto em organza rosa com flores de tecido delicadamente bordadas.

Simone Rocha cobriu bolsos gigantes com remendos de tecidos; golas pontiagudas aparadas com cristais; orelhas com pérolas e rubis enormes; e gabardinas de casulo decoradas. Tudo fotografado com a grandeza subtil do parceiro e fotógrafo Eoin McLoughlin.
 
As suas vedetas rebeldes de rock 'n' roll não têm perucas cortadas e rosetas de rouge nem surgiram com penteados de espigados como milho. Passeando à luz dos vitrais da igreja, fazendo ecoar as plataformas de pérolas ao som da canção Pinball Wizard. Lolitas góticas numa cerimónia de moda espiritual, prestes a saírem e a enfrentarem o tempo inclemente com túnicas verdes inspirando sacerdotisas e parkas patinadas. A cool Caterina di Medici na linha central.
 
"Pensando em roupas de uma forma protetora e prática, quais frágeis rebeldes. Impressões de papel de parede perdidas e achadas ganham um senso de espaço, remendadas em conjunto para desorientar. Couro estruturado, como esculpido; resistentes flores rastejantes. Uniformidade e ingenuidade", explicou Simone Rocha numa das suas notas de programa, resumindo bem a natureza díspar mas divina da sua filosofia de moda.
 
Roksanda: um soneto para três gerações


Roksanda - outono-inverno 2021 - Foto: Roksanda


O momento mais tocante da temporada virtual de moda no Reino Unido teve de ser o vídeo da Roksanda com três gerações de uma família de mulheres inspiradoras.
 
Chamado Friday in February (Sexta-feira de Fevereiro), nele figuraram as atrizes britânicas Vanessa Redgrave, Joely Richardson e Daisy Bevan, vestindo a coleção Roksanda para a estação de outono-inverno 2021, vagueando por um jardim, jogando às cartas e desfrutando tranquilamente de uma mansão inglesa perfeita para a fotografia. Vanessa Redgrave – a legendária de 84 anos agraciada com o Óscar da Academia de Hollywood – recita o Soneto 73 de Shakespeare, sobre o escurecimento dos fogos da juventude e a importância do amor na velhice.
 
Filmado via iPhone em colaboração criativa entre a designer sérvia radicada em Londres, Roksanda Ilinčić, e a realizadora e fotógrafa, Linda Brownlee, esta terna visão funcionou perfeitamente para as roupas em si. Desde os volumosos vestidos de cetim gravado até aos fantásticos vestidos de seda com estampas da silhueta feminina, passando pelos deslumbrantes vestidos de tafetá moiré ou organza de seda pintados à mão com pinceladas largas de blush ou merlot.
 
Todos projetados em alguns dos edifícios preferidos de Roksanda em Londres, enquanto a escuridão caía sobre a capital num momento pungente.
 
Dunhill: a roupa Compendium para uma vida multiusos


DUNHILL COMPENDIUM - OUTONO-INVERNO 2021/2022


Nesta temporada na venerável maison, o designer Mark Weston concentrou-se novamente na roupa e não na narrativa; centralizando-se no fabrico e nos pormenores.
 
A sua grande ideia foi baseada numa peça de arquivo intitulada Compendium (Compêndio), que conseguiu ser simultaneamente uma caixa de cigarros compacta, isqueiro, relógio e faca, tudo em um. O resultado foi um casaco multifuncional, também Compendium, que descreveu num Zoom matinal aos jornalistas como o "oposto completo da descartabilidade".
 
Criado em forma de casulo e feito em moiré de seda – como um anoraque multiusos; ou desenvolvido a partir de fibras de ovelhas tosquiadas, que foram tricotadas para obter uma tosquia falsa. Outros looks de impressionar foram os casacos sem colarinho esfarrapados e as túnicas com nervuras verticais gráficas. Muitos combos baseados nos novos ergonómicos natty e ténis acolchoados.
 
Mark Weston sonhou com imensas sedas florais gráficas mas abstratas, depois usou-as de dentro para fora em túnicas, casacos Mao e excelentes cummerbunds. Ideais para a noite – mesmo com uma grande dose de domesticidade – são os lenços de malha, inspirados naqueles que a mãe de Weston costurava para ele e para o irmão quando eram crianças. Um quadro de humor com uma foto do músico Brian Eno de camisola às riscas.
 
"Eno? Ele representa a inovação e diferentes formas de pensar, que é o que eu sou na Dunhill", explicou Weston no papel de diretor criativo da marca.
 
O prémio Queen Elizabeth II para a moda britânica

AHLUWALIA TRACES - OUTONO-INVERNO 2021/2022


E a vencedora  finalista do Prémio LVMH é Priya Ahluwalia, que se inspirou tanto na sua herança nigeriana como indiana.
 
Em 2018, a rainha de Inglaterra causou sensação ao aparecer num verdadeiro desfile de moda, encantada por testemunhar o triunfo do primeiro vencedor do seu prémio Queen Elizabeth II Award for British Design - British Fashion Council – o designer londrino Richard Quinn.
 
Desde então, a Duquesa da Cornualha, antes Camilla Parker Bowles, entregou o prémio a Bethany Williams e Alighieri's Rosh Mahtani, em 2019 e 2020, respetivamente.
 
No anúncio, Caroline Rush, a diretora executiva do British Fashion Council, explicou que a Duquesa da Cornualha escolheu Ahluwalia, elogiando a estilista "por técnicas responsáveis de abastecimento e fabrico e por contar as histórias das comunidades com as quais trabalha".
 
O vídeo do espectáculo – filmado no interior de uma loja ao estilo maçónico – apresentava um grupo de modelos masculinos afro, usando a alfaiataria gráfica de rua de Ahluwalia, que se destacava pela sua assinatura, enquanto marchavam ao som da música lúgubre de um saxofonista de jazz exposto num pódio central. Uma moda inteligente, fazendo com que a designer de ascendência indiano-nigeriana parecesse uma vencedora dignificada.

Erdem: Margot Fonteyn de Moralioglu

ERDEM - OUTONO-INVERNO 2021/2022


Por último, mas não menos importante, a Erdem do designer britânico Erdem Moralioglu, natural do Canadá, que é justamente famoso pelas suas capacidades narrativas quando se trata de desfiles de moda.
 
Nesta temporada, Moralioglu apresentou o seu vídeo de moda dentro de um espaço escuro e levou o elenco ao ballet, como se o público de amigos privilegiados estivesse a assistir de asas ao bailado.
 
As modelos principais foram quatro bailarinas do Royal Ballet, que deslizavam em direção a poços de luz, evocando a era halcyon na dança, quando o bailarino russo Rudolf Nureyev atuou com a bailarina inglesa Margot Fonteyn. Fonteyn com 42 anos, e Nureyev com apenas 23; mas a sua sinergia deu-lhes uma certa energia única.
 
Por isso, as malhas coladas à pele foram misturadas com camadas de folhas sobrepostas e refinadas no mais pálido dos cinzentos; enquanto outras apareceram com folhos e costas plissadas.

À noite, quando convidadas por admiradores, ostentavam maravilhosos vestidos de penas ou estampados em tons de mármore, ricos em cristais, contas e strass. Como a veterana inglesa Marguerite Porter, que na realidade dançou com Nureyev. E todas desfilaram magníficas em vestidos de organza pretos, enfeitados de cristais.
 
Cortesia, frescura, classe e inteligência filmadas no Bridge Theatre, e uma ótima maneira de encerrar a temporada londrina.
 

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