Louis Vuitton inaugura novo atelier de produção no oeste de França

Famosa pelo seu vinho, Coteaux du Layon dá agora as boas vindas a outro savoir-faire de exceção. A 5 de setembro, a maison de luxo Louis Vuitton inaugurou o seu novo atelier de produção em Beaulieu-sur-Layon, perto de Angers, no oeste de França. Michael Burke, CEO da principal marca do grupo LVMH, mas também Muriel Pénicaud, ministra do Trabalho, e Christelle Morançais, presidente do conselho Regional dos Pays de la Loire, destacaram esta unidade de produção de artigos de couro instalada num novo edifício concebido com princípios ecológicos. "Um exemplo de excelência que inspirará outros playes", acredita a ministra, numa viagem pela região sobre o tema da formação.


Michael Burke, Muriel Pénicaud, Valérie Dubois e Doina Marinovici (da esquerda para a direita) - Olivier Guyot

Embora o projeto de uma implantação na zona tenha sido falado pelo grupo há muito tempo, a sua concretização ocorreu no ano passado. Em menos de um ano, a marca de luxo construiu um edifício de alto desempenho energético de 6 mil metros quadrados numa zona rural.
 
O novo edifício, com a sua estrutura em aço e madeira e grandes janelas voltadas para o norte para permitir a entrada de luz para os trabalhadores de couro, foi instalado em tempo recorde. E a instalação dos postos de trabalho, validada pelos funcionários, foi realizada no coração do local.

A produção foi iniciada no início do ano, visto que os membros do atelier "vizinho" de Sainte-Florence se deslocaram para treinar os novos funcionários. 135 pessoas já estão em funções. Equipas de 7 ou 8 pessoas trabalham nas quatro carteiras da marca: a carteira Chapeau, a Neonoé, a My Lockme BB e a Trunk Clutch.


Trabalhadora ocupa-se da confeção da carteira Chapeau - Olivier Guyot

"O que se vê é metafórico das mudanças que o setor do luxo está a passar em todos os aspetos", diz Burke. “Já não se trata de linhas de produção, mas de ilhas com pequenas equipas ágeis. Foi uma pequena revolução quando começámos há quase cinco anos. Isto traz mais capacidade de resposta e qualidade e permite realizar pequenas séries.”
 
Assim, no novo atelier, tal como nos outros 15 locais de produção franceses, os membros das equipas são polivalentes e podem, uma vez formados, navegar entre o corte, a preparação e a montagem.
 
Dentro de dois anos, cerca de 300 trabalhadores de couro trabalharão neste atelier para a gigante do luxo. Tudo numa abordagem que permite responder mais rapidamente às expectativas dos clientes internacionais. Porque a aposta do grupo é também ser capaz de satisfazer a demanda. E, assim, ter profissionais que dominem uma diversidade de conhecimentos. Porque, anda que a maison tenha ateliers em Espanha, Itália, Portugal ou Estados Unidos (em breve instalará um atelier no Texas), para a Louis Vuitton, o made in France continua a ser um trunfo junto da sua clientela internacional.


A Louis Vuitton vendeu 10 mil milhões de euros em produtos com o famoso monograma em 2018 - Olivier Guyot

"Estou convencido de que na nossa indústria é a mão humana que nos comanda", disse Michael Burke. “Quando a produção começa, inevitavelmente os estúdios de criação seguem. O verdadeiro milagre é a troca entre produção e criativo. O essencial é que os criativos podem vir aqui e os prototipistas vão a Paris numa hora. É essa combinação de talentos que permite o milagre do luxo.”
 
Louis Vuitton quer recrutar cerca de 1.500 pessoas em França nos próximos três anos
 
Um milagre que o grupo quer que se prolongue nos próximos anos. Os ateliers Louis Vuitton, que atualmente empregam 4.300 pessoas, têm previstas 1.500 contratações até 2022 em França... com novas aberturas de ateliers em perspetiva.

Um desafio em termos de recursos humanos. No local de produção de Beaulieu-sur-Layon, a marca contou com a equipa do atelier de Sainte-Florence para formar os recém-contratados funcionários, a maioria dos quais num raio de 40 quilómetros do atelier. "Começámos com apenas um modelo. Para cada carteira, isso requer aprendizagem, porque não existe nenhum modelo simples na Louis Vuitton”, explica Valérie Dubois, que dirige os 16 ateliers franceses. “Para recrutar mais 1.500 pessoas, é essencial que possamos confiar no instituto de excelência profissional do grupo e num processo interno de formação.” O curso de formação tem a duração de seis semanas, antes que os trabalhadores de couro, saídos da escola ou reconvertidos, iniciem a sua atividade no produto. Uma dúzia de pessoas entra no novo local de produção a cada semana.


Montagem à mão de uma carteira Louis Vuitton em Beaulieu-sur-Layon - Olivier Guyot

Em Beaulieu-sur-Layon, já está planeado um segundo atelier dentro de dois anos, que terá 300 funcionários. O modelo de construção, flexível e rápido de instalar, é realmente reproduzível para as próximas aberturas. E já está anunciado outro local de produção para o próximo ano, no coração de Vendôme, que beneficia de uma paragem da linha TGV para o sudoeste. Este deverá acomodar uma produção de modelos em couros exóticos.
 
Tudo para dar resposta às expectativas dos clientes de todo o mundo da Louis Vuitton, cujos modelos de sucesso não passam de moda. Desde a chegada de Michael Burke à liderança da marca, as vendas estimadas da Louis Vuitton aumentaram de 7,3 mil milhões de euros em 2013 para mais de 10 mil milhões de euros no ano passado.
 
A Louis Vuitton é a principal empresa do segmento de moda e artigos de couro do grupo LVMH. Um departamento que pesou 18,455 mil milhões de euros no ano passado e registou um lucro operacional atual de 5,943 mil milhões.

Traduzido por Estela Ataíde

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