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Louis Vuitton reage à polémica em torno de Michael Jackson

Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
today 15 de mar de 2019
Tempo de leitura
access_time 3 Minutos
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A Louis Vuitton não esperou muito tempo para reagir à crescente polémica em torno de Michael Jackson. A marca está há alguns dias no centro das atenções com a sua mais recente coleção de moda masculina para o outono-inverno de 2019, inspirada no rei da pop e desenhada por Virgil Abloh. O desfile da marca aconteceu pouco antes da apresentação do documentário "Leaving Neverland", no Festival de Cinema de Sundance, nos Estados Unidos, em janeiro, no qual o cantor é novamente acusado de pedofilia.


Louis Vuitton Homme, outono-inverno 2019-20 - © PixelFormula


Virgil Abloh não é certamente o primeiro estilista a inspirar-se em Michael Jackson. Hugo Boss prestou-lhe homenagem em novembro do ano passado com uma coleção cápsula, assim como a Supreme, em 2017, e a Balmain na sua coleção masculina para o verão de 2019, com alguns modelos que foram claramente inspirados no cantor. Mas, a sua segunda coleção para a Louis Vuitton, que tem o espírito pop do cantor, não surgiu num bom momento.
 
A transmissão do documentário, nos dias 3 e 4 de março, no canal americano HBO, provocou um enorme boicote contra o artista americano, gerando inclusivamente a retirada das suas canções em muitas rádios. Um movimento que agora se está a estender a tudo o que está relacionado com o autor de Thriller.

Há alguns dias, o diretor artístico das coleções masculinas da Louis Vuitton disse ao site Complex e jornal New York Times que não tinha muito conhecimento sobre o documentário, e explicou que a sua intenção era fazer com o que o “lado bom” de Michael fosse lembrado.

Num comunicado que a Louis Vuitton divulgou na quinta-feira, 14 de março, o designer explica que a sua "intenção para este desfile era falar de Michael Jackson como um artista da cultura pop, da sua vida pública, conhecida por todos, e do seu legado, que influenciou toda uma geração de artistas e designers”.
 
O estilista admitiu, no entanto, estar "ciente de que, devido ao documentário, o desfile provocou reações emocionais". "Condeno formalmente todas as formas de abuso infantil e maus-tratos, violência ou violações dos direitos humanos", continuou.
 
"Consideramos as alegações no documentário profundamente perturbadoras e preocupantes. A proteção e o bem-estar das crianças é de extrema importância para a Louis Vuitton. Estamos totalmente comprometidos com esta causa”, acrescentou o presidente e CEO da Louis Vuitton, Michael Burke.

De facto, as referências à estrela pop estavam relacionadas principalmente com o cenário e o convite do desfile, como uma luva branca, assim como alguns detalhes, como mocassins de couro preto, tops decorados com glitter prateado e t-shirt com o desenho do famoso passo de dança de Michael Jackson, com meias brancas e na ponta dos pés. Parece que a Louis Vuitton decidiu não produzir essas peças.
 
Neste caso, a Louis Vuitton poderia ver a sua imagem prejudicada. A marca francesa preferiu, portanto, intervir logo no início, dada a velocidade com que as redes sociais se mobilizaram, e, recentemente, afastaram grandes marcas acusadas de racismo por terem produzido produtos “blackface", que lembram caricaturas racistas do passado.
 
"Este episódio que atingiu a Louis Vuitton é o mais recente, parte de uma sociedade agora inundada por este tipo de polémica. Se isso possibilitar um diálogo maior, será positivo. Mas, quando ganha proporções exageradas, pode bloquear a criatividade", adverte Linda Loppa, que dirige desde 2016 a plataforma de Estratégia e Visão da Polimoda.

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