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Luís Carvalho de olhos postos em Paris

Por
Portugal Textil
Publicado em
today 17 de out de 2018
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Em apenas cinco anos, Luís Carvalho é já um caso sério de sucesso na moda portuguesa. Agora, o designer quer lançar-se em voos mais altos, de Vizela para o mundo.


Foi no Minho, em 1987, que Luís Carvalho nasceu, entre tecidos e máquinas de costura. Os estudos começaram em 2002, tendo-se licenciado em Design de Moda e Têxtil no Instituto Politécnico de Castelo Branco. Em 2013 decidiu lançar a sua marca própria e, nesse mesmo ano, apresentou a primeira coleção na ModaLisboa. Desde então, tem sido uma presença assídua na passerelle da capital. Foi precisamente à saída do mais recente desfile, onde apresentou a coleção “Cherry” para a primavera/verão 2019, que falou ao Portugal Têxtil sobre uma mão cheia de marca. «É muito importante para mim celebrar estes cinco anos e perceber que há um grande crescimento, desde a primeira coleção até à última. Penso que esta coleção representa bem aquilo que é o ADN da marca», afirmou.

Luís Carvalho foi voluntário na ModaLisboa e trabalhou nos ateliês de Filipe Faísca e Ricardo Preto, nomes que também passaram pela 51ª edição do evento de moda. Foi também designer de moda na empresa Salsa Jeans durante dois anos e meio até decidir aventurar-se em nome próprio. Para o criador de moda, ainda que cinco anos pareçam «pouco tempo para comemorar», «no mundo da moda, em Portugal, é muito difícil sobreviver e ter uma marca consistente, daí eu estar a celebrar».

Designer quer chegar à capital francesa

Luís Carvalho admitiu que a marca, com loja online há cerca de um ano, ainda não está no ponto que deseja, apesar de ser sustentável. «Já é uma marca consistente, mas eu pretendo alcançar o público internacional e esse é um dos objetivos no qual estou a trabalhar neste momento, com showrooms, mas para isso também é preciso investimento. Já tenho alguns contactos, mas é um trabalho que ainda estou a desenvolver», admitiu. O designer reconheceu que «tem que ser uma coisa de cada vez». «São só cinco anos. Não quero dar passos maiores que as pernas para não me atropelar pelo meio», sublinhou. 

Rumo à internacionalização, Luís Carvalho está de olhos postos em Paris. «Em Portugal já tenho um público conquistado. Para o volume que quero de vendas, preciso de ir para fora, porque Portugal não é suficiente e todos sabemos disso», explicou. Paris é o destino mais almejado pelo criador de moda. «Acho que é a capital da moda com a qual me identifico mais, onde as pessoas confiam mais e se deslocam mais», confessou ao Portugal Têxtil.

Em 2014, abriu o seu primeiro espaço físico em Vizela, a casa mãe da marca, onde reúne, no mesmo espaço, atelier e loja própria. A possibilidade de abrir um novo espaço em Lisboa ou no Porto está nos planos do designer, mas «seria necessário mais investimento». A concretizar-se, será apenas depois de conseguir internacionalizar a marca. «Cada coisa a seu tempo. Não tenho uma meta, mas estou naquela fase de querer primeiro ir lá fora, que acho que é mais lucrativo», justificou.

Qual é a fórmula do crescimento?

Em 2016, Luís Carvalho foi distinguido com o prémio GQ Men of The Year, na categoria de designer de Moda e, em 2017, conquistou o Globo de Ouro de Melhor Estilista. Além disso, leciona na Escola Profissional Cenatex, em Guimarães, desde 2015. O ritmo de crescimento de Luís Carvalho, ao longo dos últimos cinco anos, teve a ver com a estratégia definida inicialmente, afirmou o designer. Quando decidiu lançar-se, a maturidade, as bases que tinha para o fazer, as decisões que foi tomando e os objetivos que traçou inicialmente foram essenciais. «Quando decidi lançar a marca, decidi logo a maneira como queria fazer, ou seja, falar com as pessoas certas e vestir as pessoas certas», apontou.

As criações de Luís Carvalho são frequentemente escolhidas por caras bem conhecidas do público português como as apresentadoras Sofia CerveiraBárbara Guimarães e Raquel Strada, e as atrizes Inês Castel-BrancoJoana Ribeiro e Victoria Guerra«Acho que isso é importante: definir uma estratégia para a marca e não fazer uma coleção ou uma marca só porque se quer apresentar desfiles. Tem que se definir uma estratégia inicial, assim como depois também se tem que definir a estratégia comercial. A marca tem que ser sustentável, caso contrário não nos aguentamos muito tempo», resumiu.

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