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Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
1 de abr. de 2020
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3 Minutos
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Luxo: Bain & Co. estima contração de 60 a 70 biliões de euros em 2020

Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
1 de abr. de 2020

O coronavírus COVID-19 está a atingir com força a indústria do luxo. Segundo um estudo da consultoria Bain & Company, no primeiro trimestre de 2020, é estimada uma contracção do mercado global de luxo entre 25% e 30%. Nos lucros acumulados durante o ano, estima-se um prejuízo entre 60 e 70 biliões de euros (o equivalente a uma desaceleração de 22%-25%), com um impacto desproporcional nos lucros.


Desfile Dior, Outono/ Inverno 2020, Paris


Os números do início do ano reflectem a forte desaceleração do consumo na China, epicentro do primeiro surto de COVID-19. Em 2019, o país representou 90% do crescimento global do mercado de luxo. Mas, a evolução da pandemia, agravou o cenário global, com efeitos negativos em todos os principais mercados mundiais, começando por Itália, o maior centro produtivo do sector.
 
"É provável que os efeitos [do Covid-19] na indústria do luxo ainda sejam sentidos em 2021, com diferentes gravidades e velocidades de recuperação nos vários países afectados", disse Federica Levato, parceira e líder da divisão de moda e luxo Bain & Co. Itália.
 
“A China e o mercado asiático podem registar, em geral, a recuperação mais forte. Sinais positivos já foram detectados nas últimas semanas. O Japão, a Europa e o continente americano, provavelmente, sofrerão um impacto mais prolongado, antes de se estabilizarem nos níveis de crescimento pré-crise, dependendo também das tendências da economia”, acrescentou.

As previsões permanecem incertas devido à evolução contínua da pandemia, embora o passado recente permita um optimismo cauteloso, uma vez que o sector já superou grandes crises, como a de 2008 ou a provocada pela SARS, em 2003. Considerando um prisma positivo, a atual emergência global de saúde pode representar uma oportunidade para as empresas melhorarem e emergirem mais fortes do que antes.

Para a analista, "os fundamentos permanecem inalterados e sólidos, e levarão o mercado a continuar o caminho de crescimento a médio e longo prazo: Da crescente demanda dos consumidores de classe média na China, à maior propensão das novas gerações para comprarem bens de luxo, além da evolução contínua do comércio electrónico".
 
Após a crise, a China e o comércio electrónico ganharão mais influência. Alguns hábitos de compras online permanecerão, além do período de isolamento. A preocupação do consumidor com a sustentabilidade ambiental e social fortalecerá, enquanto as escolhas éticas das marcas se tornarão os principais influenciadores das decisões de compra. Por fim, as marcas de luxo terão de lidar com um aumento generalizado do orgulho local e com uma crescente necessidade de inclusão pelos consumidores.

“O objectivo final [das marcas] é reavaliar os principais factores de sucesso dos seus negócios,  emergindo mais fortes, inovadoras e proativas, através de um plano de ação claro e articulado em cada área do modelo de negócios", conclui Levato.

Como conclusões do estudo, a Bain & Co sugere que as empresas do sector optimizem o modelo de tomada de decisão e operacional, definam uma estratégia orientada ao consumidor, repensem a cadeia de abastecimentos em termos de flexibilidade e sustentabilidade, aprimorem o ecossistema omnichannel e internacionalizem o marketing digital. 
 

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