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Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
9 de set. de 2020
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3 Minutos
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LVMH a um passo de cancelar aquisição da Tiffany & Co

Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
9 de set. de 2020

Um negócio de 14,7 mil milhões de euros (16,2 mil milhões de dólares) está prestes a ser anulado. Nesta quarta-feira, o grupo LVMH anunciou, num breve comunicado de imprensa, que o projeto de aquisição da marca de joalharia americana Tiffany & Co, iniciado em novembro passado, está prestes a ser abandonado. O grupo americano entrou com uma queixa num tribunal americano para que o grupo francês "cumpra seus compromissos".


O casamento entre a LVMH e a Tiffany & Co está prestes a ser cancelado - Tiffany


O conselho de administração do grupo liderado por Bernard Arnault decidiu que, "nas condições atuais, o Grupo LVMH não seria capaz de concluir a transação de aquisição da empresa Tiffany & Co".
 
De acordo com a comunicação da LVMH, a tensão política e económica entre a Europa e os Estados Unidos é uma das principais razões que motivariam o cancelamento daquela que seria a maior operação de aquisição da gigante francesa do luxo. “O Conselho teve acesso a uma carta do Ministro da Europa e dos Negócios Estrangeiros que, em reação à ameaça de impostos sobre os produtos franceses formulada pelos Estados Unidos, solicita ao grupo LVMH que adie a aquisição da Tiffany até 6 de janeiro de 2021."

Data que está além do prazo para conclusão do contrato de aquisição, previsto para 24 de novembro. Embora a Tiffany tenha proposto o adiamento desse limite para 31 de dezembro, a direção da LVMH explica ter, por seu lado, “decidido ater-se aos termos do Agreement and Plan of Merger celebrado em novembro de 2019, que prevê uma data limite para o fecho da operação o mais tardar a 24 de novembro de 2020".
 

Tiffany & Co entra com recurso



A direção da Tiffany não concorda, e o grupo americano especificou num comunicado de imprensa que uma carta de um ministério não tinha peso algum ao nível da lei francesa. O grupo americano entrou ainda com um recurso junto do tribunal de Delaware para que o grupo francês "cumpra os seus compromissos".

"Lamentamos ter que tomar esta medida, mas a LVMH não nos deixou outra escolha senão iniciar um contencioso para proteger a nossa empresa e os nossos acionistas", declarou Roger N. Farah, presidente do conselho de administração, num comunicado de imprensa. “A Tiffany está convencida de que cumpriu todas as suas obrigações nos termos do acordo de fusão e está comprometida em concluir a transação nos termos acordados no ano passado. A Tiffany espera o mesmo da LVMH."
 
Para o grupo americano, a LVMH mostra há vários meses intenções de se retirar do compromisso firmado em novembro de 2019. Durante o verão, surgiram os primeiros indícios de complicações. "Fugas" após reuniões do conselho de administração da LVMH lançaram dúvidas sobre as intenções do grupo de Bernard Arnault em junho. A direção da Tiffany & Co havia declarado a sua intenção de seguir adiante com o acordo.

No final de agosto, havia sido obtido um adiamento até 24 de novembro para a finalização da operação. Um adiamento que, de acordo com a direção da Tiffany, está relacionado com o facto de a LVMH não ter solicitado e, portanto, não ter obtido, as autorizações antitrust em vários países. “O prazo é agora inferior a três meses, e a LVMH ainda não entrou com os pedidos formais de aprovação antitrust na União Europeia ou em Taiwan, e os pedidos ainda estão pendentes no Japão e no México. Isso deve-se aos esforços da LVMH para atrasar ou evitar a receção das aprovações regulamentares nessas jurisdições, em violação do acordo de fusão."
 
Se a condicional continuar em vigor nesta operação e uma porta permanecer entreaberta, o clima agora é claramente irrespirável. Esta relação, que seria um grande casamento de luxo, parece, antes mesmo de qualquer união, entrar num divórcio sangrento.

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