Manuel Serrão (Modtissimo): “Queremos sempre ter a certeza de que nunca descansamos à sombra dos louros”

Criado em 1992 como uma exposição restrita a fabricantes de tecidos estrangeiros, ao longo das últimas décadas o conceito do Modtissimo evoluiu gradualmente até se tornar um salão dedicado a toda a fileira da moda, com uma maioria de expositores nacionais, que tem vindo progressivamente a alargar o espetro a outros setores. A 27 e 28 de fevereiro, o salão regressa para a sua 53ª edição, que durante dois dias irá ocupar 4500 metros quadrados do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, onde serão apresentadas 400 coleções e se espera a visita de 6 mil compradores.
 
Manuel Serrão, diretor-geral da Associação Selectiva Moda, que organiza o Modtissimo - DR

Como aconteceu nas últimas edições, a 53ª edição do Modtissimo está em overbooking há vários meses, refletindo o interesse do setor pelo evento. Com uma presença maioritariamente nacional no lado dos expositores, também os compradores são sobretudo portugueses. Uma realidade que a organização se tem esforçado para mudar. Antes do início da presente edição, já se encontravam pré-registados 300 compradores estrangeiros, na sua maioria vindos de Espanha, mas também com presenças da Alemanha, França ou Rússia, entre outros. Esta adesão, explica à FashionNetwork.com Manuel Serrão, diretor-geral da Associação Selectiva Moda, que organiza o Modtissimo, é resultado “do esforço de promoção” feito não só pela organização do evento, como também pelas associações do setor, pelos próprios expositores e pelas delegações do AICEP no estrangeiro.
 
E desengane-se quem pensa que é apenas a fama da matéria-prima, que tem feito de grandes marcas mundiais clientes dos fabricantes nacionais, que atrai os profissionais do setor. Além do comprador que chega ao Modtissimo “à procura da nossa matéria-prima, dos nossos tecidos, das nossas malhas, dos nossos acessórios”, que está interessado “no design e na criatividade que temos, nas novas texturas, nos novos acabamentos”, o salão também chama a atenção dos clientes da confeção, tanto no domínio do private label como no das marcas próprias, com estas últimas a conquistarem cada vez mais clientes, “nomeadamente no universo infantil”, adianta Manuel Serrão.
 
Outros setores são bem-vindos
 
Numa altura em que vários salões europeus têm mudado o seu conceito, como a Momad, que  uniu as suas feiras de moda e calçado, ou a Who’s Next, que juntou vestuário e acessórios, Manuel Serrão lembra “que a maioria das mudanças que estão agora a ser empreendidas por essas feiras” já foram há muito tempo adotadas pelo Modtissimo.
 
Inicialmente apenas dedicado aos tecidos, o salão português tem vindo a expandir a sua área de atuação e, atualmente, além de fabricantes de tecidos recebe também os de acessórios e ainda produtores de vestuário de adulto e criança (marca própria e private label). E, embora o têxtil e vestuário seja dominante (38% dos expositores dedicam-se à confeção de vestuário para adulto, 34% são fabricantes de tecidos e 11% são produtores e marcas de vestuário infantil), a feira já abriu também as portas a outros setores, como o calçado. “Muitas das marcas [NR: de calçado] não têm entendido que o Modtissimo é uma boa montra para elas, mas temos marcas de calçado, tanto infantil como adulto”, nota o responsável, acrescentando, porém, que a ambição da feira aponta para outra direção.
 
“O setor para onde gostaríamos de crescer, porque achamos que a oferta em Portugal também não é suficiente, é para os têxteis-lar. E temos muitos pedidos para isso.” Uma vontade que, para já, é travada pelas condicionantes físicas dos dois espaços que acolhem atualmente as duas edições anuais do Modtissimo: a Alfândega do Porto (em setembro) e o Aeroporto Francisco Sá Carneiro (em fevereiro). Embora na Alfândega do Porto houvesse a possibilidade de alargar o espaço de exposição, o entrave está no espaço de estacionamento, que é limitado, um problema cuja resolução não está nas mãos da organização do evento. Uma questão que se inverte no aeroporto, onde existe mais capacidade estacionamento, mas não é possível ter mais espaço de exposição.
 
“Precisávamos de ter uma certeza de que valia a pena essa aposta para podermos criar condições para que o setor dos têxteis-lar, que é um setor muito grande e que precisa de muita área de exposição, pudesse estar também presente no Modtissimo.” Por isso, remata o diretor-geral da Selectiva Moda, trata-se de um projeto que não tem, a curto prazo, execução prevista.


Na sua 53ª edição, o Modtissimo terá em exposição 400 coleções e espera a visita de 6 mil compradores - DR
 
A importância das iniciativas paralelas
 
Além do espaço de exposição, o salão tem vindo a apostar cada vez mais nas iniciativas paralelas, que, diz Manuel Serrão, têm “uma importância crucial”, por ser aí que se mostra ao mundo têxtil “aquilo que está a ser feito em termos de inovações tecnológicas no setor”. É o caso da mostra iTechStyle Showcase, desenvolvida em parceria com o CITEVE, onde, a cada edição do salão, “as empresas têm possibilidade de se informarem sobre o que de mais moderno e mais tecnológico, mais inovador está a ser feito” na fileira têxtil.  E Portugal está, efetivamente, na vanguarda da inovação. Na presente edição do iTechStyle Showcase, alguns dos produtos em exposição foram reconhecidos nos últimos ISPO Awards.
 
Também no que diz respeito à tendência da moda sustentável a indústria têxtil e de vestuário portuguesa tem estado na liderança, com muitas empresas nacionais “a desenvolvê-la com muita força e há muito tempo”, explica Manuel Serrão. O que se comprovou no espaço Green Circle, dedicado à moda sustentável, inaugurado na última edição do salão, onde diversas empresas nacionais apresentaram as suas propostas ecológicas.
 
“Crescimento sustentado e constante”
 
Fazendo um balanço positivo do percurso do Modtissimo até ao momento, o líder do evento conclui que o salão tem tido “um crescimento sustentado e constante, tem conseguido aglutinar praticamente todos os setores que interessavam”. “Acho que tem conseguido estar sempre a acompanhar a vanguarda das novas tendências, como a questão da moda sustentável, tem sido um bom instrumento de informação para todas as empresas e tem cumprido os objetivos.” E conclui: “Queremos sempre ter essa certeza de que nunca descansamos à sombra dos louros, estamos sempre a ver no que os nossos congéneres lá fora, com outra dimensão e outros mercados, estão a inovar, para podermos estar sempre dentro da mesma linha.”

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