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Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
18 de mai de 2020
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Marcas de luxo aumentam preços de bolsas para compensarem prejuízo

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Reuters API
Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
18 de mai de 2020

Grandes marcas de luxo, como a Chanel e Louis Vuitton, aumentaram os preços de alguns dos produtos mais procurados, numa tentativa de compensar as vendas perdidas durante as semanas de bloqueio devido ao coronavírus COVID-19.


Marcas de luxo retomam vendas na Coreia do Sul e China que compensam queda das vendas na Europa e EUA


As marcas de luxo retomaram as vendas na Coreia do Sul e no principal mercado, a China, compensando parcialmente a queda das vendas na Europa e EUA - onde as restrições começam a ser aliviadas. 

A consultoria Bain & Company, estima que as vendas do sector de 300 biliões de dólares devem cair até 35% este ano, interrompendo uma década de grande crescimento. Os grupos de luxo estão a agir rapidamente para protegerem as margens.

No dia 13 de maio, a Chanel anunciou que estava a agravar os preços das suas bolsas icónicas e de alguns pequenos artigos de couro entre 5% e 17% globalmente, uma vez que a pandemia aumentou o custo de determinadas matérias-primas. "Esses ajustes são feitos para evitamos diferenciais excessivos de preços entre os países", afirmou a maison francesa.

A Louis Vuitton, principal marca do grupo LVMH, que experimentou um aumento de mais de 50% nas vendas, na China, no início de abril - também aumentou os preços das suas bolsas nos EUA e na Europa. Por exemplo, a bolsa Neverfull MM Monogram, que custa 1.500 dólares, no site da marca, custava 1.430 dólares no início de maio e 1.320 dólares no final de outubro de 2019, um aumento geral de quase 14%. 

Os dados foram recolhidos pela Reuters, através do Internet Archive, um repositório de páginas web de arquivo. A Louis Vuitton não quis fazer comentários.

Na China e na Coreia do Sul, as pessoas fizeram fila fora das lojas da Chanel assim que os rumores sobre os aumentos de preços começaram a espalhar-se nas redes sociais. Xie Lan, uma documentarista de Pequim, conseguiu comprar uma bolsa por quase 30.000 yuanes (4.225 dólares), antes do aumento de preços. "O meu trabalho é stressante e eu queria dar um presente a mim própria", confessou por telefone.

A marca norte-americana de jóias, Tiffany, que está a ser comprada pela LVMH, aumentou os preços de alguns dos produtos na Coreia do Sul em 10%, a 6 de maio, como informou o gerente de uma loja de Seul à Reuters. "A Tiffany revisa regularmente a sua estratégia de preços em cada um dos seus mercados, para analisar flutuações cambiais, entre outros", disse um porta-voz da empresa à Reuters.

Analistas disseram que marcas mais fortes, como a Louis Vuitton, podem ser tentadas a aumentar os preços, devido ao impacto que o novo coronavírus teve nas vendas, provocando o congelamento nas viagens internacionais e a recessão na Europa e EUA. "É uma estratégia para defender as margens", disse Luca Solca, analista de artigos de luxo da Bernstein, acrescentando que, no entanto, nem todas as marcas seguirão esse caminho, pois pode provocar uma reação negativa dos consumidores.

Quarta-feira (13 de maio), a Tod's informou não estar a planear nenhuma mudança significativa na política de preços do grupo.

As marcas também estão a lidar com uma grande quantidade de stock de peças que não foram vendidas, e estão relutantes a vender com um grande desconto em lojas, pontos de venda ou online, com medo de prejudicar as vendas a preço real e a exclusividade dos produtos. O aumento de preços também traz riscos.

Em Pequim, Luna Xin, uma corretora financeira, disse que estava a desistir do sonho de comprar a Chanel Classic Flap de médio porte, cujo preço aumentou 14,5% para 48.900 yuans. "Em setembro do ano passado, custava 39.000 yuans e, agora, após cerca de oito meses, custa 10.000 a mais", disse Xin.


Os compradores chineses são essenciais para as marcas de luxo, pois representaram 35% dos gastos globais com luxo em 2019. A Bain & Company espera que a sua influência no sector cresça ainda mais nos próximos anos, representando quase metade de todas as vendas de luxo em 2025. Com a expectativa de que as viagens globais não voltem aos níveis normais até dois anos, os consumidores chineses que costumavam fazer dois terços das compras de luxo no exterior farão compras em casa, acelerando uma tendência que já estava em andamento. 

Isso significa que as marcas de luxo estão sob pressão para alinhar ainda mais os preços na China continental - tradicionalmente mais altos do que noutras partes do mundo - para incentivar os consumidores chineses a comprarem no próprio país. 

Os preços na China caíram gradualmente nos últimos anos, com o governo a cortar impostos de importação e outros impostos que os mantinham mais altos. As marcas também gastaram muito capital em marketing e arrendamentos na região. "Acreditamos que é essencial não penalizar os nossos clientes com base em considerações geográficas", disse a Chanel.
 

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