Marcas portuguesas conquistam seu espaço na cena internacional

Lisboa – Condenadas a fechar por seguir centradas no pequeno mercado português, várias marcas lusas de roupas e calçados apostaram na sua expansão internacional e hoje triunfam no mundo, convertidas num belo exemplo de sucesso em seu país.

Casos como aqueles da Sacoor Brothers, Fly London, Salsa, Dielmar, Lion of Porches ou Impetus, mas também de nomes próprios como aqueles dos criadores de moda Luís Onofre, Miguel Vieira o Fátima Lopes são alguns dos responsáveis do momento pelo qual a fileira têxtil passa, vivendo uma nova “era dourada” em Portugal, a maioria desses especializada em seus produtos de qualidade a preços altos.

Esta estratégia focada no estrangeiro parece dar frutos e, apenas em 2013, esta indústria aumentou suas exportações em 3,5%, de acordo com dados oficiais, em linha com o decorrido em anos anteriores, quando evoluiu em contracorrente devido à severa crise económica que açoitou o país ibérico.
Dielmar inverno 2015 | Foto: Dielmar

Uma das protagonistas dessa expansão é a marca Dielmar, que viu o seu mercado internacional crescer exponencialmente nos últimos anos, o qual já representa mais de 60% das suas vendas globais.

A empresa nasceu há meio século como iniciativa de quatro alfaiates e começou tendo o cliente nacional como objetivo, mas a partir da década de 1970 já apontava para mais além das fronteiras lusas em busca de novos consumidores.

“A crise em Portugal incentivou ainda mais a expansão internacional. Tanto é assim que no início da crise estávamos presentes em 10 países e atualmente essa presença aumentou para 30 países”, afirmou à EFE a presidente da Dielmar, Ana Paula Rafael.

Segundo explicou a dirigente, Espanha converteu-se no seu principal mercado – seguido dos Estados Unidos e Marrocos –, devido à “excelente relação com os operadores espanhóis e também à tradição e reputação da marca, a mais antiga no setor da alfaiataria em Portugal”.

Para os próximos anos, Ana Paula Rafael avança que a companhia tem no seu ponto de mira outras regiões com perspetivas de expansão, como África, Europa Oriental e Reino Unido.

Rui Maia, gerente de negócios internacionais da marca Lion of Porches, opina também que as oportunidades de crescimento encontram-se fora do país. “Já não há muito espaço para crescer em Portugal”, referiu ele.
Uma unidade da Lion of Porches

Maia explicou que o plano de expansão da marca arrancou há três anos, mas deve ser acelerado ainda mais com a abertura de novas lojas este ano em França e Rússia.

“Os negócios internacionais apresentam-se em torno de um terço do volume de vendas da empresa e o crescimento segue progressivo. Dentro de 4 a 5 anos, esperamos que as vendas internacionais superem aquelas nacionais”, declarou o gerente da Lion of Porches.

Embora Espanha siga como o mercado mais importante por conta da proximidade e da “facilidade em dar apoio às franchises”, África mostra-se um “mercado com grande potencial”, segundo Maia.

A companhia voltou também seus olhos para a África do Sul, onde vai ser inaugurada dentro de pouco tempo uma loja da marca, região que já conta com pontos de venda em Angola e Moçambique, países que compartilham a língua portuguesa.

Embora uns busquem no estrangeiro uma forma de seguir com a sua expansão, no caso do criador de sapatos Luís Onofre, o caminho percorrido foi no sentido contrário: o mercado internacional sempre foi o foco principal desde a sua fundação em 1999.

“Atualmente, 97% da produção é exportada para diversos mercados onde a marca encontra-se presente”, explicou Luís Onofre, que se tornou um dos sapateiro da moda.

A primeira dama dos Estados Unidos da América, Michelle Obama, a rainha Letizia de Espanha, Victoria de Suécia, a atriz Naomi Watts ou a inclassificável Paris Hilton são algumas das famosas que desfilam seus modelos.

De fato, Onofre abriu há pouco, no ano passado, sua primeira loja em Lisboa, na centralizada Avenida da Liberdade, “avenida fundamental para o comércio de luxo em Portugal”, segundo o criador.

A indústria de calçados portuguesa é uma das mais exitosas do país, exportando mais de 70 milhões de pares de sapatos e movendo 1,700 milhões de euros (um pouco mais de dois mil milhões de dólares) por ano, de acordo com estatísticas da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (Apiccaps).

O designer e a tecnologia portuguesas têm contribuído para o crescimento no mercado internacional, impulsionando os altos preços dos sapatos produzidos em Portugal, os quais possuem a segunda maior média no mundo (23 euros/72 dólares o par) só atrás dos italianos (35 euros/42 dólares), com os quais os lusos pretendem competir ombro a ombro em termos de qualidade e prestígio.

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