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Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
13 de abr. de 2022
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3 Minutos
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Marcas que nunca responderam às acusações de trabalho forçado de uigures

Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
13 de abr. de 2022

Em março de 2020, o Australian Policy Strategy Institute (ASPI) divulgou um relatório devastador sobre a situação do trabalho uigure em Xinjiang, uma importante província produtora de algodão na China. Foram citadas 37 marcas do setor têxtil como beneficiárias da exploração dessa minoria muçulmana, no que Pequim qualifica oficialmente como integração trabalhista. Dois anos depois, nem todas as marcas de moda envolvidas responderam a essas acusações.


Manifestação na Indonésia em 2018 - Shutterstock


Os Estados Unidos proibiram os produtos fabricados em Xinjiang em julho de 2021, enquanto a Europa tem vindo a levantar a sua voz contra a China. A justiça francesa abriu uma investigação por crimes contra a humanidade contra a Fast Retailing (Uniqlo France), Inditex (Zara, Bershka, Massimo Dutti...), SMCP (Sandro, Maje, De Fursac...) e Skechers, como resultado de uma denúncia apresentada por várias ONGs e associações.

A Clear Fashion, uma aplicação desenvolvida para informar os consumidores sobre os compromissos sociais e ambientais das marcas de moda, ficou encarregada de registar as reações das diferentes marcas que participam no ASPI*. Tudo isso consta num documento de livre acesso para profissionais e consumidores.

Entre as empresas que se manifestaram estão a Abercrombie & Fitch, Adidas, Amazon, Badger Sport, C&A, Calvin Klein, Cotton On, Esprit e H&M. Como também a Lacoste, Nike, Patagonia, Carter's, Polo Ralph Lauren, Target Australia, Tommy Hilfiger, Uniqlo, Victoria's Secret, Woolworths e Zara.

O facto é que muitas estruturas não responderam ao ASPI, nem se pronunciaram sobre o assunto. De acordo com a Clear Fashion, este é o caso da Authentic Brands, Fila, Dangerfield, CostCo, Cerruti 1881, Skechers, Caterpillar, Zegan, Li-Ning, L.L. Bean, Jeanswest (Harbour Guidance), Jack&Jones (Best-seller) e Major.

“Algumas marcas negam ter relações comerciais diretas com os fornecedores envolvidos ou dizem não ter informações sobre os subcontratados dos seus fornecedores. Entre as marcas envolvidas, algumas afirmam ter prevenido estes riscos, fazendo com que os seus fornecedores assinassem cartas de boa conduta, proibindo o trabalho forçado nas suas linhas de produção antes do escândalo", observou a Clear Fashion.

"Esses argumentos trazem de volta ao centro do debate a questão da responsabilidade das empresas pelo desconhecimento do seu setor e a consequente falta de sanções. Esse discurso é possível porque as marcas não são legalmente responsáveis ​​pelas más práticas dos seus fornecedores", acrescenta.

Paralelamente ao relatório do ASPI, a documentação sobre a indústria têxtil de Xinjiang foi enriquecida pelo estudo publicado pelo Center for Global Policy. Vale a pena lembrar que 20% do algodão do mundo é produzido na província, e que o algodão e os seus produtos representam 10% das exportações chinesas. Na primavera de 2021, a ONG Anistia Internacional publicou um relatório de 160 páginas sobre as condições de vida e trabalho dos uigures na província.


Onde as ONGs falam sobre "campos de reeducação", Pequim menciona "centros formação profissional" - Shutterstock


Mas mesmo que o foco esteja em Xinjiang, seria um erro limitá-lo à região: o relatório da ASPI aponta que a exploração dos uigures ultrapassa as suas fronteiras. De acordo com o "modelo de emulação" de Pequim, a fim de integrar a minoria ao restante da população chinesa, milhares de pessoas são enviadas para trabalhar em fábricas têxteis nas províncias tradicionais de manufaturas do leste da China, equipadas com barreiras e torres de vigilância. Pequim aceitou esses deslocamentos, o que torna mais difícil rastrear o peso real dos uigures na produção têxtil chinesa.

*Adidas, H&M, COS, Weekday, Monki, H&M HOME, &Other Stories, ARKET, AFound, Lacoste, Nike, Zara, Bershka, Massimo Dutti, Oysho, Pull & Bear, Uterqüe, Stradivarius, Alexander McQueen, Balenciaga, Bottega Veneta, Brioni, Gucci, Yves Saint Laurent, Tommy Hilfiger, Calvin Klein, Amazon, Puma, Ikea, Uniqlo, Muji, GAP, C&A, Patagonia, Cotton on, Carter's, Badger Sport, Esprit, Abercrombie & Fitch, Polo Ralph Lauren, Target Australia, Victoria's Secret, Woolworths, Maje, Claudie Pierlot, Sandro, De Fursac, Hart Schaffner Marx, Fila, Dangerfield, Costco, Cerruti 1881, Skechers, Summit Resource International, Zegna, Hugo Boss, Asics, Li-Ning, L.L.Bean, Jeanswest , Jack & Jones, Major, Marks & Spencer.
 

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