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Maria Grazia Chiuri revela o jardim secreto de Catherine Dior

Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
today 25 de set de 2019
Tempo de leitura
access_time 4 Minutos
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Uma irmã, uma jardineira, uma figura da Resistência, mas também uma mulher elegante: Catherine Dior não para de influenciar a casa fundada pelo seu irmão Christian, que apresentou na terça-feira uma coleção sumptuosa e primaveril projetada por Maria Grazia Chiuri .


Christian Dior - primavera-verão 2020 - Moda Feminina - Paris - © PixelFormula


O leitmotiv que transpareceu ao longo do desfile foi o tema do jardim, um elemento que atravessa o universo da casa parisiense. Monsieur Dior conhecia os nomes em latim das suas flores favoritas, que desenhou desde tenra idade. Com a ajuda da sua irmã mais nova, até criou o jardim da sua casa de família em Granville, na costa da Normandia. Após a crise de 1929, a família Dior foi forçada a vender a sua villa e a contentar-se com uma quinta em Callian, na Provença, onde Catherine projetou um excecional jardim de rosas. Fonte de inspiração do famoso perfume Miss Dior, emprestou também o seu nome a um magnífico vestido de 1949, coberto com centenas de flores em tecido enrugado. Mais tarde, Christian Dior tornou-se proprietário do Château de la Colle Noire, perto de Callian, também cercado por um belo jardim.

Realizado no impressionante hipódromo de Longchamp, o desfile prestou homenagem a este amor por belos jardins, com um toque de consciência ecológica como bónus. Maria Grazia Chiuri uniu-se aos urbanistas Coloco, que descobriu no Planetary Garden durante o evento artístico Manifesta 12, em Palermo. A Coloco desenvolveu um misterioso bosque de 164 árvores - todas deixadas nos seus sacos de terra. Assim que os 1200 convidados deixaram o desfile, os técnicos começaram a mudar a mini floresta, para a plantar na região de Paris. Algumas árvores desta floresta efémera foram também doadas à Fundação GoodPlanet, de Yann Arthus-Bertrand.

Tal como Monsieur Dior, Maria Grazia Chiuri gosta particularmente de jardins ingleses, daí a influência so british que reinou em vários vestidos refinados em pied de poule, que alargavam abaixo da cintura e era usados com blazers de críquete às riscas.


Christian Dior - primavera-verão 2020 - Moda Feminina - Paris - © PixelFormula


A coleção: corpetes e espartilhos em malha, bordados com delicadeza em ráfia e seda crua. Todos usados com casacos com riscas grandes em seda selvagem ou jacquard de ráfia. Uma série de casacos cruzados curtos, usados com minissaias plissadas - peças particularmente lisonjeiras, ideais para as clientes seguras de si mesmas que agora lotam as lojas Dior.

Uma brisa fresca soprava através de toda a coleção. As modelos usavam botas de jardim ultra-chiques, colares multicoloridos ou anéis dignos da série Guerra dos Tronos. Quase todos os looks foram acompanhados por chapéus de treliça de ráfia e usados com botas em couro de malha transparente, que deverão ser um sucesso comercial.

Para a noite, a criadora italiana surpreendeu o seu público com vestidos em chiffon maravilhosamente esvoaçantes, bordados com padrões descobertos por Maria Grazia Chiuri durante a sua pesquisa no L'Herbier de Paris - plantas, galhos, raízes e galhos entrelaçados em vestidos de malha semitransparentes, dignos de um desfile de alta costura.

Até as alpargatas foram bordadas, muitas com o padrão cannage que invade toda a coleção, incluindo uma nova carteira Lady Dior. A casa também apresentou pequenas carteiras com logótipos - provavelmente um dos seus maiores sucessos comerciais nas últimas temporadas.


Christian Dior - primavera-verão 2020 - Moda Feminina - Paris - © PixelFormula


Como costuma ser o caso com Maria Grazia Chiuri, as coleções são inspiradas por uma diversidade de culturas europeias: da poeta Vita Sackville-West aos jardins de Sissinghurst, passando pelos botânicos alemães do século XVIII Joseph Beuys e Gerhard Richter. Neste emaranhado de ideias, a meio o desfile ficou um pouco sem fôlego, emaranhado, nomeadamente nos seus tecidos cannage, demasiado repetitivos. Mas, um mérito não pode ser negado a Maria Grazia Chiuri: esta foi uma declaração de moda muito forte, proporcionada por uma criadora e uma casa que parece saber exatamente a estratégia a adotar.

"A elegância de Christian Dior e a atitude de Catherine", explica Maria Grazia Chiuri que, através deste desfile, conseguiu transformar sutilmente a Femme-Fleur de Christian Dior numa verdadeira Jardinière, ou jardineira.

Para estes irmãos, os jardins podem ter sido uma maneira de recuperarem da tragédia da Segunda Guerra Mundial. Catherine juntou-se corajosamente à Resistência contra o Nazismo, antes de ser deportada para um campo de concentração. No final da guerra, Christian encontrou a sua irmã enfraquecida na plataforma de uma estação ferroviária de Paris, descendo de um comboio de sobreviventes. Foi ele quem cuidou dela durante a sua recuperação. Uma das primeiras mulheres em França a iniciar a sua própria empresa de flores, Catherine morreu em 2008, meio século depois do seu irmão.

"Acho que Monsieur Dior teria ficado orgulhoso deste desfile, Catherine foi uma grande fonte de inspiração para ele. Ele chamava Miss Dior à mulher Dior: ela teve uma grande influência no seu estilo. Ele era também obcecado com tarot, em parte pela sua preocupação com a sua irmã. Era provavelmente uma mulher muito corajosa, nunca se casou e começou a sua própria empresa, algo pouco comum na década de 1950", sublinha Maria Grazia Chiuri.

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