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Portugal Textil
Publicado em
5 de fev de 2021
Tempo de leitura
3 Minutos
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Miguel Vieira reforça identidade em Milão

Por
Portugal Textil
Publicado em
5 de fev de 2021

O designer português, que desde 2019 integra o calendário oficial de moda masculina da capital italiana de moda, fez desfilar linhas clássicas e silhuetas mais casuais para o outono-inverno 2021/2022, numa coleção onde abunda o tradicional preto, mas também o verde, o azul e apontamentos de castanho.


©Milan Fashion Week


«A identidade visual é uma linguagem universal que define e molda as nossas vidas. O que vestimos reflete a nossa essência, fala por nós, diz ao mundo quem somos antes de qualquer outra coisa», afirma o designer num comunicado do Portugal Fashion, que apoiou a participação em Milão.

Tal como na edição anterior, também agora a presença de Miguel Vieira fez-se através de um vídeo com o desfile da coleção, que combinou as silhuetas mais clássicas dos fatos, com peças mais descontraídas, como camisolas, coletes e calções, usados com meias até aos joelhos e botas. O conceito tinha já sido desvendado nos dias anteriores ao desfile. «Com recurso a tecidos como a lã, caxemira, alpaca ou lurex, Miguel Vieira pretende contar uma história. Que é feita de pessoas que têm confiança na sua aparência e entendem a roupa que usam como uma extensão delas mesmas», explicava o comunicado de imprensa, adiantando ainda que a nova coleção pretende também «libertar as pessoas do estigma social que diz ser preciso vestirmo-nos de acordo com um género».

Os looks revelados ao início da tarde de 16 de janeiro cumpriram a promessa, com camisas e sobretudos, por exemplo, capazes de integrar, sem qualquer entrave, o guarda-roupa de mulheres e homens sem discriminação.

Miguel Vieira é o único português presente na Semana de Moda Masculina de Milão, para onde entrou em 2019. Ainda assim, confessou algum nervosismo a cada apresentação. «É ótimo poder estar presente com grandes marcas como a Dolce & Gabbana, a Prada, a Gucci e a Valentino, mas é complicado estar a competir com esses nomes sem ter uma marca cotada em Bolsa ou sem investidores internacionais», admitiu ao Jornal Têxtil, num artigo publicado na edição de dezembro.

Estratégia digital

Com uma longa carreira, que remonta 1986, o designer tem-se adaptado aos tempos e, face à pandemia, inaugurou no ano passado a sua primeira loja online, numa estratégia digital que se tornou inevitável. «Não quisemos, até agora, ter a parte das vendas online, porque não queríamos fazer concorrência aos nossos próprios clientes multimarca», justificou o designer ao Jornal Têxtil.

Com a obrigatoriedade de encerramento das lojas físicas, vários retalhistas que vendiam a marca do designer decidiram arriscar com sites de comércio eletrónico e isso levou Miguel Vieira a repensar as vendas online, mas com uma base sólida. «Hoje em dia, o online não é “tenho uma página de Facebook ou no Instagram e vou fazer o online”. É preciso montar uma estratégia, ter uma equipa para dar resposta ao online e não é tão fácil como as pessoas julgam», apontou o designer. «A ideia é vender, atingir mercados e receber clientes de vários pontos do mundo», afirmou ao Jornal Têxtil.

Para já a loja online tem à venda apenas calçado para homem, mas, referiu, «depois surgirão outras coleções».

Apesar de ter sentido os efeitos dos confinamentos em 2020, em Portugal e no mundo, Miguel Vieira confessou que «o feedback das lojas não é tão catastrófico como eu imaginei que fosse». Ainda assim, a ausência de feiras está a afetar o negócio. «Sempre que estamos em feiras internacionais, aparecem-nos vários clientes porque viram um desfile. Quando fazemos um desfile numa Semana de Moda de Milão, a ideia é captarmos clientes, obviamente, é fazer mexer a marca, mas sobretudo, termos novos clientes. Não participando nessas feiras, não acrescentei à minha carteira clientes novos, portanto não posso dizer que estamos a aumentar vendas», explicou.

O designer sublinhou igualmente a incerteza que está a gerar a situação, nomeadamente em relação aos planos para o futuro. «Todos os dias é uma coisa nova, que cria uma grande instabilidade que mexe até com a criatividade, porque sou muito certinho, tenho tudo muito bem pensado. Mas não consigo ser futurologista», concluiu.

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