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Moda ataca líderes de Silicon Valley

Por
Portugal Textil
Publicado em
today 20 de set de 2018
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Os dirigentes das reputadas startups não têm revelado uma apurada sensibilidade estética na forma como se vestem, mas as marcas de luxo querem mudar isso e escrever um novo capítulo da moda em Silicon Valley.


O centro tecnológico de Silicon Valley, onde ao longo dos últimos anos os seus residentes sempre optaram pelo vestuário básico e funcional, está prestes a usufruir de algo mais extravagante. A marca de luxo francesa Hermès lançou a sua 34.ª loja nos EUA em Palo Alto, o coração dos gigantes tecnológicos a nível mundial. «Abrimos este espaço depois do sucesso da abertura de outra loja em San Francisco», disse o CEO da Hermès, Axel Dumas, aos acionistas, em junho.  «É uma aposta no futuro. Neste momento, é possível ver que quem vive em Silicon Valley investe mais no seu carro do que na sua roupa. Queremos mudar isso», acrescentou o responsável, citado pela AFP.

Guillaume de Seynes, um dos principais executivos da Hermès, vê um grande potencial em Silicon Valley. «Palo Alto não é muito longe de San Francisco, onde o luxo já está muito presente. Ainda assim, em Silicon Valley o ambiente é muito diferente. As pessoas estão muito focadas no seu sucesso e trabalham muitas horas», refere. Para já, o potencial ainda não foi atingido, já que t-shirts, jeans e sapatilhas continuam a ser as peças preferidas dos residentes de Silicon Valley.

Rostos do sucesso e não do estilo

«Se pensarmos bem no assunto, Steve Jobs tinha um sentido de estilo desastroso», considera Eric Briones, um dos cofundadores da Paris School of Luxury. «Se a tendência está agora a melhorar, ainda é demasiado simples. Atenção que isso não impede ninguém de ganhar biliões de euros», acrescenta. «Os líderes das startups tiveram um impacto cultural tão grande que empresas de todo o mundo já optaram por um estilo mais descontraído. Atualmente, os líderes das startups são vistos como o rosto do sucesso. Para eles, a roupa é algo útil, funcional e secundária», aponta. «E se usam um fato, não pode amassar, porque eles não têm tempo para passar a ferro. Eles vivem no presente, de avião em avião», sublinha Briones.

Até recentemente, eram poucas as marcas de luxo que se aventurariam a ir para Palo Alto. Mas atualmente, três gigantes franceses – Hermès, Louis Vuitton e Cartier – já têm portas abertas. Na cidade vizinha de Santa Clara, os amantes de alta-costura podem usufruir de marcas como Christian Dior, Balenciaga e Yves Saint Laurent num centro comercial californiano.

Mas só porque os nascidos na revolução digital não usam necessariamente roupa de luxo, não significa que não estejam habituados a uma vida luxosa. «Este segmento populacional já adotou hábitos de vida luxuosos», afirma Elisabeth Ponsolle des Portes, do Comité Colbert, que reúne 81 marcas de luxo francesas especializadas em moda, gastronomia, hotéis e cultura. «Eles investem muito em imóveis, arte contemporânea, carros e caridade. Têm também muito conhecimento sobre vinho e gastronomia», acrescenta.

«Plantar uma semente»

O Comité Colbert estabeleceu uma parceria com a Universidade de Stanford, localizada precisamente em Silicon Valley, e a partir de setembro os estudantes vão aprender técnicas cobiçadas e aperfeiçoadas ao longo de séculos pelos ourives franceses. Em dezembro, o Comité irá receber cerca de 70 industriais e investidores californianos em Paris, onde irão visitar oficinas de ourivesaria e jantar em Versalhes. «São experiências únicas, que o dinheiro não compra», destaca Elisabeth Ponsolle des Portes. «Estamos a plantar uma semente», afirma, acrescentando que as empresas não estão apenas à procura de retorno financeiro. Em vez disso, o grupo quer «ajudar [os moradores de Silicon Valley] a entender a diferença entre a ostentação baseada apenas em marketing e o verdadeiro luxo».

Além da beleza dos lenços e da elegância das bolsas e sapatos, as marcas de luxo francesas podem também ter outra lição para os gigantes de Silicon Valley. De acordo com Ponsolle des Portes, as empresas de tecnologia estão intrigadas com «a longevidade» das empresas de luxo. Por exemplo, a Hermès foi fundada em Paris em 1837, a Cartier em 1947 e a Dior em 1946. O Google nasceu em 1998 e o Facebook em 2004. «No modelo de negócios de Silicon Valley, as empresas são ‘uberizadas’ em cinco anos», resume Ponsolle des Portes.

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