Moda sem fronteiras

A Europa parece estar a ficar demasiado pequena para os criadores de moda portugueses. Os continentes asiático e americano são, cada vez mais, os destinos favoritos das propostas dos designers e marcas nacionais. É o caso de nomes como Carla Pontes, Nycole, Sophia Kah ou Pé de Chumbo.


Diogo Miranda

Não é novidade que as criações dos designers lusos viajam para vários países, nomeadamente através da presença em passerelles internacionais. Contudo, a participação em showrooms internacionais e a possibilidade de vender online têm vindo a catapultar o trabalho dos criadores de moda nacionais para destinos cada vez mais longínquos, num fenómeno que se repete entre os nomes que desfilam tanto na passerelle da ModaLisboa como do Portugal Fashion.

É o caso da designer barcelense Carla Pontes, que, através da sua aposta na moda lenta, nas vendas online e em feiras internacionais, chega já a países como EUA e Japão. «Temos clientes em Portugal e estamos agora a exportar para o Japão», revela Carla Pontes. «Um grupo de lojas do Japão vai ter a nossa coleção primavera-verão 2019/2020. Conseguimos esta encomenda através de participação na Who’s Next, mas também marcámos presença na White Milano. Ao resto do mundo vamos chegando através da loja online, onde sentimos que há muito interesse do público de Espanha e dos EUA», explica ao Portugal Têxtil.

A Ásia é igualmente destino das criações de Hugo Costa e de Carlos Gil. «Talvez pela estética», admite Hugo Costa, que exporta para Hong Kong, Tailândia, Taiwan e Japão. Por seu lado, Carlos Gil já chega à China e ao Japão, para além dos EUA.

A marca Nycole, da designer Tânia Nicole, que, este ano, marcou presença na Pitti Uomo, tem, no mercado asiático, o principal destino das suas criações e está, de momento, com os olhos postos no Canadá, procurando beneficiar do Acordo Económico e Comercial Global entre o país e a UE.

«O Canadá está à procura de marcas portuguesas e isso dá-nos algumas facilidades. Os clientes não pagam taxas de transportes, nem IVA, tal como funciona no Japão. Basicamente, vendo tudo para a Ásia e, sinceramente, também não procuro muito a Europa, porque os compradores europeus são muito complicados, não querem pagar adiantado… Prefiro os asiáticos que pagam tudo antes de sair, não há riscos e há ainda a facilidade de não haver IVA, apenas a taxa de importação, que são os clientes que pagam, por isso, não tenho despesas praticamente nenhumas», adianta Tânia Nicole.

Ricardo Andrez garante que a sua marca epónima tem crescido alicerçada pelo continente asiático, nomeadamente China e Hong Kong. «Por outro lado, nos últimos tempos, sinto igualmente uma maior procura em Portugal. Contudo, é óbvio que essa procura nunca será suficiente para alimentar uma marca. Além disso, eu não penso no meu trabalho como uma coisa geográfica. Tu pensas e tu crias globalmente», afirma o designer.

O Médio Oriente continua a ser o destino de eleição de Diogo Miranda, particularmente países como o Dubai. «Em Portugal é muito complicado, já tentei e não funciona. Enquanto o público e lojistas olharem para o produto nacional de forma negativa, as coisas não vão avançar nesse aspeto. O mais triste é que, enquanto marca e criador, temos que ir ao mercado estrangeiro para vender e para conseguires vender em Portugal», lamenta.

A terra das oportunidades

Os EUA são, cada vez mais, um mercado preferencial para os criadores de moda nacionais, como, por exemplo, Ana Teixeira de Sousa, que detém a marca Sophia Kah e já vestiu celebridades como Beyoncé, Keira Knightley, Kylie Minogue ou Sarah Jessica Parker. «É muito orgânico. A Beyoncé, por exemplo, simplesmente comprou o vestido. Vendíamos para uma loja nos EUA, ela foi lá e comprou», conta. Nesse sentido, a marca tem crescido «todos os anos» e tem nos norte-americanos os seus principais compradores. «É lá que as celebridades têm maior impacto e é também lá que as celebridades compram», destaca a designer que atualmente vive em Londres, no Reino Unido.

Já a jovem designer Carolina Machado vende maioritariamente online e, além dos países nórdicos, chega a destinos como Nova Iorque ou Califórnia. «É muito difícil entrar no mercado e ter aquela primeira abordagem», confessa.

De igual modo, a marca Pé de Chumbo, está atualmente a apostar no mercado americano, apesar de ter em Itália e na Turquia os seus principais países de exportação. «Agora só estamos a fazer três feiras: a Momad em Madrid, a White em Milão e a Who’s Next em Paris. Já fizemos Nova Iorque, mas deixamos porque temos um novo agente em Los Angeles, que está responsável pelo mercado americano», indica a fudadora e designer da marca, Alexandra Oliveira. O trabalho em solo norte-americano «está a começar a dar frutos, mas o mercado americano é muito difícil. É difícil entrar e é difícil manter clientes., porque é muito grande. Contudo, estou confiante que, com agente, vamos conseguir», conclui.

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