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Publicado em
28 de fev. de 2020
Tempo de leitura
4 Minutos
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Modtissimo: produção responsável no centro das atenções

Publicado em
28 de fev. de 2020

Há muito reconhecido como um parceiro têxtil de confiança, Portugal é também, cada vez mais, uma opção quando o assunto são têxteis sustentáveis. Um reconhecimento que se comprovou na 55.ª edição do Modtissimo, que a 19 e 20 de fevereiro reuniu o setor no Aeroporto Francisco Sá Carneiro.


A produção responsável esteve em destaque na 55.ª edição do Modtissimo, que atraiu 6.856 compradores - Fotografia: Divulgação

 
Em entrevista à FashionNetwork.com após o salão, Manuel Serrão, CEO da Associação Selectiva Moda, que organiza o evento, fazia um “balanço muito positivo” desta 55.ª edição, “tendo em conta sobretudo que havia, antes da feira começar, alguma apreensão por uma série de fatores de turbulência internacional, da questão do coronavírus até à questão das guerras comerciais entre os Estados Unidos e a China”. Mas, mais do que a evolução de aproximadamente 10% sentida relativamente a fevereiro de 2019, o responsável sublinha a “evolução qualitativa em termos de intenções de compra”. “Tivemos muitos visitantes estrangeiros, mas sobretudo muitos visitantes estrangeiros que vieram com mais disposição para comprar do que para fazer prospeção.”
 
Numa edição em que os 4500 metros quadrados de exposição estavam há muito esgotados, 525 dos 6.856 compradores que marcaram presença eram estrangeiros. Com 297 coleções em exposição, de uma vasta gama de empresas do setor, dos fabricantes de tecidos e acessórios aos produtores de vestuário de adulto e criança, quer com marca própria, quer com private label, o Modtissimo atraiu assim mais de meio milhar de visitantes estrangeiros, destacando-se “grandes contingentes da Rússia, Alemanha, Espanha e Holanda”, diz Manuel Serrão.

E, ao contrário do que aconteceu em muitos eventos internacionais, levando mesmo ao cancelamento recente de alguns salões, o Modtissimo não foi afetado pela crise do novo coronavíruus, nota Manuel Serrão, adiantando não ter havido desistências por parte dos compradores estrangeiros.
 
O leque de geografias foi, aliás, ainda mais abrangente, com o evento a atrair nesta edição visitantes dos Estados Unidos e do Extremo Oriente. Exemplo disso é a comitiva de compradores chegada ao Porto com a empresa japonesa Takihya. Taishi Nakagawa, comprador da Takihya, que se deslocou a Portugal em busca de fornecedores de tecidos para coleções de moda, explica: “Estivemos na Première Vision Paris e na Milano Unica e agora fechamos a época de prospeção aqui no Porto. Apesar da feira não ter a mesma dimensão, a qualidade dos tecidos, dos acabamentos e do fitting é muito boa entre os expositores portugueses.”
 

O segmento dos tecidos e acessórios é o mais importante do salão, tanto em termos de expositores como de visitantes - Fotografia: Divulgação


Carlos Figueiras, quadro da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) na Alemanha, destaca por seu lado que “Portugal é líder no green trade, na produção ecológica, e as marcas europeias veem nos produtores portugueses um elevado nível de confiança e flexibilidade”. As certificações são, de resto, as primeiras preocupações das marcas quando aterram no evento, acrescenta Miguel Porfírio, delegado da AICEP na Holanda, que nota ainda que são cada vez mais as empresas a tomarem a iniciativa e a solicitarem informações sobre o salão à agência.
 
Em continuidade com as últimas edições do salão têxtil, a sustentabilidade continuou, portanto, a ser um dos temas-chave do evento, orientando a prospeção de muitos dos profissionais que marcaram presença e descobriram no salão propostas nacionais que apostam na preocupação ambiental e sustentável e numa transparência de processos.
 
Num evento com praticamente 100% de expositores nacionais, é o segmento dos tecidos e acessórios aquele que mais compradores atrai: “É o segmento que está na origem da feira e continua a ser, em termos de expositores e visitantes, o segmento mais importante e relevante do Modtissimo”, lembra Manuel Serrão, notando que existe “um reconhecimento cada vez maior de que em Portugal é possível encontrar um parceiro importante na produção de têxteis sustentáveis”: “Portugal já era conhecido como um país em que se podia confiar em termos de produção têxtil, mas agora estamos a dar esse salto, que eu acho muito importante, em que também começamos a ser reconhecidos como um grande fornecedor da moda sustentável.”
 
Realçando que a produção responsável “é uma tendência incontornável”, o responsável nota que toda a indústria está a apostar neste segmento, algo de suma importância, uma vez que “é aí que está o futuro das compras dos próximos anos”.
 
Com o regresso do Modtissimo marcado para 22 e 23 de setembro, na Alfândega do Porto, a indústria da moda, do têxtil e do vestuário deverá neste momento focar-se, defende Manuel Serrão, em “ insistir, consolidar, confirmar a promoção da imagem deste setor como o novo parceiro de confiança para quem quer comprar produtos de moda sustentável e responsável”, sendo esse “o grande drive que deve motivar a indústria”.

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