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Estela Ataíde
Publicado em
12 de out. de 2017
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Multimilionário Adrian Cheng lança C Ventures a pensar nos millennials chineses

Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
12 de out. de 2017

Adrien Cheng, descendente de uma das mais ricas famílias de Hong Kong, gosta de se definir como um “empreendedor cultural”. Esta semana, em Paris, Cheng anunciou o lançamento de um importante novo fundo de investimento dirigido àqueles que vê como os principais consumidores do século XXI: os millennials e a Geração Z na China.
 

Adrian Cheng no Hôtel de Crillon - at lunch in the Crillon Hotel


O novo veículo de investimento de Cheng é a C Ventures, que já comprou controlo ou adquiriu participações numa rede de marcas avançadas do ponto de vista tecnológico. Estas empresas têm perfis muito distintos, como o canal Nowness, o site Not Just a Label (especializado em gerar projetos e empregos para designers) ou a Armarium, empresa de aluguer de ready-to-wear de luxo. O objetivo: construir uma rede interligada de recursos maioritariamente ocidentais para atrair aqueles que Cheng chama de geração BAT (Baidu, Alibaba e Tencent, as três grandes empresas chinesas de e-commerce).
 
“A geração BAT totaliza 427 milhões de pessoas, um número superior às forças de trabalho dos Estados Unidos e da União Europeia combinadas!”, disse Chang durante um discurso no Hôtel de Crillon. O incrível império da sua família, com base em Hong Kong, também inclui o grupo Rosewood, que gere o Crillon e o Carlyle, em Nova Iorque, que fazem parte de uma cadeia de cerca de 35 hotéis.

Os BATers representam 65% dos compradores chineses do e-commerce e, até 2020, irão representar 53% do total de consumidores chineses. Além disso, a política do filho único instituída pelo Partido Comunista também originou um grupo sociológico com gostos e atitudes radicalmente opostos aos dos seus pais ou dos ocidentais da mesma idade.
 
“Usamos a formula 4:2:1, que significa que não só estes filhos únicos são criados pelos seus pais, como também são mimados por quatro avós”, nota Cheng.
 
Após estudar cuidadosamente o seu comportamento, a C Ventures começou a comprar empresas que poderiam dar resposta às necessidades específicas desta geração. Saber que os BATers assistem a 765 minutos de vídeo por semana levou a C Ventures a adquirir participações na Dazed Media e a comprar o Nowness, o canal de vídeos de moda financiado pela LVMH. As perdas registadas pelo Nowness aparentemente permitiram ao grupo comprá-lo por pouco menos de 10 milhões de dólares (8,4 milhões de euros). Para os seus diferentes investimentos, Cheng associou-se a Clive Ng, empresário e financeiro do universo dos meios de comunicação social.
 
Do mesmo modo, Cheng percebeu que os jovens chineses estão menos interessados em possuir coisas e mais em usufruir de múltiplas experiências. O resultado foi uma participação significativa no Armarium, o site que envia estilistas de topo a casa dos clientes e aluga roupas de marcas como Pucci, Jimmy Choo, Haider Ackermann e Roberto Cavalli. Esta última é um outro investimento de Cheng, através da Luxuba, empresa de consultoria de luxo que aconselha a DSquared2 e a Moschino na China.
 
Ironicamente, Cheng, que estava vestido da cabeça aos pés com peças Hermès (nomeadamente com um blazer em veludo vermelho rubi e ténis vermelhos), nunca comprou nenhum produto de moda pela internet. Nascido em Hong Kong, fluente em inglês, formado com honra em Harvard, Cheng passou um ano a estudar japonês antes de criar o K11, um conceito de centro comercial-museu, que deverá abrir portas em nove cidades chinesas.
 
Em 2015, foi nomeado herdeiro aparente do império de negócios da família. Fundado em 1929 pelo seu avô Cheng Yu-tung, o grupo inclui a Chow Tai Fook, a maior cadeia de joalharias do mundo, e o New World Development, com uma capitalização de mercado de mais de 80 mil milhões de dólares de Hong Kong (9,24 mil milhões de euros).
 
Próximos passos: Cheng promete anunciar este outono mais cinco investimentos significativos. E, em 2019, será lançado o Victoria Dockland, um gigantesco projeto comercial à beira-mar, em Hong Kong, com 300 mil metros quadrados. O seu custo estimado: 3 mil milhões de dólares (2,5 mil milhões de euros). O seu alvo: os BATers.

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