Nova era do activewear

Com a procura e as exigências a aumentarem, o activewear da primavera-verão 2020 será marcado pela busca de inovações que não sobrecarreguem o planeta.


O número de praticantes de desporto encontra-se em crescimento por todo o mundo, numa altura em que a preocupação com o bem-estar está num nível nunca antes atingido. A esta preocupação soma-se o desenvolvimento da inteligência artificial, que irá influenciar a procura por produtos de fitness.

As estimativas citadas pelo WGSN apontam para que o mercado de inteligência artificial e realidade virtual atinja os 13,1 mil milhões de dólares até 2020 e ultrapasse os 35 mil milhões de dólares em 2025. O maior crescimento deverá ser registado no fitness, sobretudo junto das consumidoras. O mercado será ainda impulsionado pelos Jogos Olímpicos de Tóquio, que deverão recorrer muito à inteligência artificial, estando prevista a utilização de robôs para carregar malas, conduzir táxis e funcionarem como tradutores e rececionistas. Estas Olimpíadas serão as primeiras a usar juízes não-humanos para ajudar a pontuar, de forma precisa, ginastas.

Em 2020 vai assistir-se a uma mudança nos materiais, com as inovações a permitirem aos consumidores de fitness focarem-se em comprar melhor, não novo.

Os resíduos da indústria de vestuário estão a atingir níveis recorde, por isso as marcas têm de procurar materiais e produtos que sejam resilientes e renováveis. Substratos como o grafeno, metais elásticos, exopeles e tecidos autorreparadores começam a encontrar aplicações comerciais no fitness, enquanto a produção com matérias-primas de origem biológica, como algas, bactérias e cogumelos irão tornar os microrganismos nos super-recursos do futuro. Marcas como a Vivo Barefoot estão já a criar sapatos que usam espuma à base de algas como alternativa aos petroquímicos.

Com 20% da poluição de águas por parte da indústria a ser resultado do tingimento e tratamento de têxteis, o “tingimento consciente” irá ganhar importância. Cores sem género ajudarão a reduzir o tamanho das paletas de cor, enquanto tons trans-sazonais irão aumentar a vida das cores e dos bestsellers para além de uma estação. A linha da nova marca de activewear para senhora Wone é um exemplo, uma vez que tem edições limitadas e apresenta-se numa única cor: preto.

Por último, os desportos extremos deverão aumentar a sua popularidade nos próximos anos, como as ultramaratonas e o chamado “condicionamento ambiental”, de que Wim Hof, também conhecido como “The Iceman”, é um dos mais visíveis defensores, levando a que o consumidor procure produtos capazes de sobreviverem às piores condições.

Materiais sustentáveis

Renováveis e resilientes serão as palavras-chave para os materiais usados no activewear nesta estação, onde se assistirá ainda à utilização de produtos bioativos, como algas, musgo e micélio, que são biodegradáveis, renováveis e vegan. Novos biopolímeros e “peles” criadas em laboratório oferecem alternativas ecológicas, que podem ser mimetizadas, numa versão mais comercial e económica, com tecidos com acabamentos de látex. A borracha, de resto, vai ganhar protagonismo em camadas de base com compressão, permitindo estabilizar os músculos, proteger de lesões e ajudar na recuperação.

As malhas industriais têm um papel importante no activewear, em construções que melhoram o conforto e a respirabilidade, tanto de vestuário como de calçado, assim como as construções em rede, usadas em painéis sobretudo no vestuário exterior.

Os tecidos elásticos atingem novos níveis com versões multistretch, pensadas para treinos intensos mas com um aspeto mate que permite que sejam usadas no quotidiano.

A ascensão do condicionamento e desportos extremos irá originar o regresso dos camuflados em materiais ao nível dos usados no fardamento militar, em contraste com a utilização de matérias-primas de luxo, como a seda, para um athleisure com toque e aspeto acetinado.

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