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Nova fronteira da moda compartilhada: aluguel de roupas para o dia a dia

Por
Stylo Urbano
Publicado em
today 28 de set de 2016
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Quando crianças, nossos pais nos alertavam para não falarmos com estranhos, mas, quando adultos, podemos compartilhar quase tudo com estranhos, carros, casas, bicicletas, filmes, música, roupas e muito mais. Isso se chama economia compartilhada, ou economia colaborativa, e esta mudança aparentemente altruísta se tem mostrado um grande negócio.

A economia compartilhada na moda se tem mostrado um nicho de sucesso para muitas empresas que empreendem neste caminho.

 
Segundo um relatório realizado em 2015 pela Price Waterhouse Coopers, as empresas que aderem ao negócio da economia colaborativa têm potencial para aumentar as receitas globais dos atuais US$ 15.000 milhões para cerca de US$ 335.000 milhões até 2025.
 
E quais são os consumidores da era da Internet que estão a impulsionar essa mudança? As gerações Y e Z. Uma empresa que aderiu a economia compartilhada é a Gwynnie Bee, um serviço de assinatura de aluguel de roupas para o dia a dia virada às senhoras 'plus size'. A marca foi fundada por Christine Hunsicker, que ajudou a liderar duas 'startups' de tecnologia adquiridas pelo Yahoo! e Facebook e que agora pretende revolucionar a indústria de vestuário.

Hunsicker resolveu investir nesse nicho de mercado devido ao fato de que 75% da população feminina adulta dos EUA são de tamanho 44 ou acima e que 67% são de tamanho 48 ou acima. As marcas de retalho tradicionais ignoram sistematicamente, ou atendem mal, esse público. Já as grifes famosas simplesmente desprezam sua existência.
 
Mas outras empresas, como Le Tote e The Ms. Collection, também investem no negócio de aluguel de roupas e acessórios para senhoras. Estamos a ver uma grande mudança, na qual comprar ou ter a posse de um produto está a ser substituído pelo pagamento de uma taxa de assinatura mensal para usar por um breve tempo todo tipo de coisas.
 
A empresa Rent the Runway foi a pioneira no aluguel de vestidos de festa e acessórios de grifes de luxo, para quem não pode comprar, e agora oferece um novo serviço de aluguel de roupas para o dia a dia chamado de Rent the Runway Unlimited, oferecendo uma infinidade de peças.
 
Os membros podem, por exemplo, selecionar peças de mais de 350 estilistas de alta gama por US$ 139 por mês, podendo alugar três vestidos de grife, blusas, saias ou acessórios de cada vez, além de mantê-los pelo tempo que quiserem. Se a ideia do 'fast-fashion' é possibilitar a compra de roupas baratas para se ter uma variedade de opções no guarda-roupa, a mesma coisa se aplica ao aluguel de roupas.
 
Mas o diferencial é que as peças a serem alugadas não são de redes de 'fast-fashion' por causa da qualidade inferior do tecido e costura, o que impossibilita o aluguel das peças por várias vezes. Essas empresas alugam as roupas por um determinado número de vezes e, depois, as revendem por um preço menor do que o visto em lojas para, assim, poder adquirir novas coleções e manter as ofertas atualizadas.
 
A economia compartilhada foi adotada primeiramente pela geração Y devido à enorme influência das novas tecnologias digitais que impulsionam as mudanças culturais. Definitivamente a moda compartilhada é um perigo para as redes de 'fast-fashion', pois substitui o consumismo pelo aluguel de roupas. Fundada em 2011, a Gwynnie Bee oferece às clientes mais de 4.000 estilos e vários planos de assinatura.
 
Por outro lado, o plano de assinatura mais popular permite que os membros aluguem três itens de uma vez por US$ 79 ao mês. Semelhante ao plano da Netflix, os membros podem manter os itens durante o tempo que quiserem, depois é só enviá-los de volta para obter outros itens de interesse. Até agora, a Gwynnie Bee entregou mais de 3 milhões de caixas de roupas nos EUA.
 
Um dos benefícios recebido pela Gwynnie Bee foi a comunidade em linha que se formou entre seus membros. Usando o sítio da empresa, página no Instagram e até mesmo criando suas próprias páginas de fãs no Facebook, os membros compartilham fotos, dicas de estilo, revisões e muito mais. Isso faz a empresa crescer cada vez mais.
 
A crença renovada na importância da comunidade é um dos motores da economia compartilhada, ou do consumo colaborativo, segundo Rachel Botsman, coautora do livro 'O que é meu é seu: A Era do Consumo Colaborativo'. Outros motivos são o aumento das interações nas redes sociais e tecnologias em tempo real que fundamentalmente mudaram a forma como nos comportamos, as preocupações ambientais sobre a poluição da indústria da moda e a recessão global que alterou o comportamentos de consumo.
 
"Esses quatro motivos estão a fundir-se e a criar a grande mudança que está a impulsionar nosso tempo para longe do consumismo do século XX, em direção ao século XXI, regido pelo consumo colaborativo', disse Rachel Botsman.
 
Embora a economia compartilhada tenha ganhado força com a Geração Y, seu alcance vai muito além da geração de jovens de 20 e 34 anos. Tanto a Airbnb e como Uber são exemplos de sucesso de empresas de economia compartilhada que não foram construídas apenas dependendo da Geração Y.

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