O Bacanal sem vícios de Raf Simons

Embora a sua inspiração tenha sido o filme de culto berlinense "Christiane F" e o seu set tenha sido a representação de um Bacanal moderno, a mais nova coleção de Raf Simons foi uma demonstração de alta costura contemporânea sem qualquer vício.


Raf Simons - outono 2018 - Instagram - Pattlecism

Alta Costura, pois Simons usou os melhores tecidos e acabamentos; cortando, drapejando e trabalhando com abandono, num desfile altamente experimental que também conseguiu ser usável, chic, cool e contemporâneo.
 
Apresentado num espaço de exibição industrial mal iluminado na tarde gelada de quarta-feira (8), na região do Westside, em Nova Iorque, os modelos desfilaram em torno de uma plataforma elevada, cheia de tigelas gigantes de limões, maçãs e peras; chocolate (belga, é claro); enormes pedaços de queijo; pães, e centenas de garrafas de vinho Piper e de uvas shiraz da Califórnia. Assim como a coleção, todos com um ar consideravelmente vintage.

Simons fantasiou e criou peças de vestuário totalmente novas, como uma sweater/ cachecol feita em Argyle e malhas. As suas capas-casacos - algumas em xadrez estilo Sherlock Holmes - eram excelentes, com grandes bolsos laterais, e feitas com forro de seda. De forma mais dramática, casacos oversized foram combinados com luvas longas de couro, estilo femme fatale. Simons também trouxe relógios de alta tecnologia e tabardos com capuz, que lembravam roupas de dependentes químicos. Combinou-os com calças de estilo esportivo dentro de botas de borracha com laços enormes. O resultado foi clean e muito elegante. A performance teve feixes de iluminação teatral e uma banda sonora techno com música da Rússia, Bélgica e Chicago. O desfile foi intitulado "Youth in Motion” (Juventude em movimento).
 
Metade dos looks continham palavras as "Drugs", "XTC" ou “LSD” em negrito, e muitas blusas tinham fotografias de Natja Brunckhorst, a atriz que interpretou Christiane F. no filme de 1981.

A FashionNetwork perguntou a Simons de que forma o filme o teria influenciado. "Bem, por algum motivo, ele manteve-me longe das drogas", disse o designer de 50 anos, que viu o filme pela primeira vez quando tinha 14. O filme acontece na Berlim de David Bowie no seu estágio de "Heroes" e conta a história sombria de uma adolescente que cai no vício de heroína.

"Todos os modelos foram numerados, como na alta costura, mas não em ordem. O palco foi criado a partir desse conceito do norte da Europa, de se inspirar em coisas distintas e juntá-las, algo que funciona tanto para um pintor, como um cineasta ou um designer belga. No passado, eu costumava criar o que chamavam de 'interzones', algo como um ambiente indefinido. Portanto, isso tem sido como uma pintura, mas também uma discoteca e, claro, um desfile de alta costura. Eu gosto da ideia de algo ser inexplicável. Há tanta análise hoje no mundo da moda que um animal criativo precisa de trabalhar e pensar sem medo. As pessoas escondem demais, porque não se deve conversar sobre certas coisas", disse o designer, que irá doar parte do dinheiro arrecadado com a coleção para organizações que apoiam a recuperação do vício.
 
O evento foi considerado um dos melhores nos dez dias de desfile não muito inspiradores de Nova Iorque, e com razão. Simons apresentou roupas genuinamente diferentes e originais, e os vinhos também não deixavam nada a desejar.
 

Traduzido por Novello Dariella

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