O apetite chinês pelo luxo

À semelhança de Paris, Tóquio e Londres, Nova Iorque é reconhecida por ser um dos centros mundiais de cultura, moda e arte. No entanto, as atenções de marcas como a Ermenegildo Zegna estão a voltar-se para a China, onde residem os maiores consumidores de artigos de luxo.


Foi no âmbito da WWD Apparel + Retail CEO Summit, em Nova Iorque, que o CEO da reputada marca italiana de vestuário masculino explicou que, quando quer sentir o pulso dos compradores de luxo, a “Big Apple” já não é o local escolhido para testar novos produtos. «Sinto que este país é a minha segunda casa, particularmente Nova Iorque. Posso dizer-vos que costumávamos testar coisas novas neste mercado», começou por explicar Ermenegildo Zegna, neto do fundador da marca e atual CEO do grupo. «Agora, testamos produtos novos na China e, se funcionarem, levamo-los para o resto do mundo», admitiu.

A Ermenegildo Zegna é conhecida pela sua linha de alta costura e sofisticados tecidos laneiros, a partir dos quais o seu homónimo fundou a empresa há mais de um século. Porém, a empresa, cujas vendas atingiram cerca de 1,2 mil milhões de euros no ano passado, também quer chegar aos consumidores mais jovens e modernos, com coleções como a Z Zegna, que junta elementos de activewear, por exemplo, ou a Zegna XXX Couture, a sua coleção de streetwear de luxo. Além disso, no ano passado, a empresa adquiriu uma participação maioritária na Thom Browne, considerada por muitos a marca masculina mais excêntrica e inovadora. De acordo com o CEO, os consumidores do Império do Meio tendem a ser mais jovens e a estar mais entusiasmados em relação a novidades. O consumidor chinês «tem tanta vida», sublinhou.

China representa 50% das vendas da Ermenegildo Zegna

Na verdade, o consumidor chinês é o que mais compra produtos Zegna, enquanto os EUA são agora o segundo maior mercado da marca. «Fomos a primeira marca de luxo a chegar à China, em 1991. O modo como o mercado se orientou depois é inacreditável», afirmou. Ao longo dos últimos anos, o apetite crescente e devorador por produtos de alta qualidade fez dos chineses os maiores compradores de artigos de luxo, em compras dentro e fora de portas.

Contudo, o consumidor atual não é o mesmo que fez inicialmente da China um destino de eleição para as marcas de luxo. Um relatório da consultora Bain & Company, deste ano, revelou que são os millennials chineses que estão a motivar muito do crescimento no país. Tal como os mais jovens consumidores de artigos de luxo em todo o mundo, o que os asiáticos procuram nas suas compras é, habitualmente, a novidade e a emoção, enquanto fatores como a tradição desceram na sua lista de prioridades.

Muitas empresas de moda estão a prestar cada vez mais atenção ao que esses consumidores procuram. «Este fluxo do Oriente para o Ocidente e não do Ocidente para o Oriente está certamente a afetar a nossa forma de fazer negócios», reconheceu Zegna. No seu todo, a Ásia representa agora cerca de 50% das vendas da empresa italiana, revelou o CEO, e, por isso, a Ermenegildo Zegna tem que estar «muito próxima da China e manter o seu investimento».

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