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Ansa
Traduzido por
Helena OSORIO
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9 de set. de 2022
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O estilo da rainha Elisabeth II do Reino Unido como ícone inigualável

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Ansa
Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
9 de set. de 2022

A rainha Elisabeth II do Reino Unido faleceu "pacificamente", na quinta-feira (8 de setembro), aos 96 anos. Ainda dois dias antes estava em funções, tornando oficial a ascensão da primeira ministra britânica Liz Truss. A monarca, que ocupava o trono britânico há 70 anos e 214 dias, encontrava-se na residência escocesa de férias de verão, no Castelo de Balmoral. O único reinado mais longo foi o de Louis XIV, o Rei Sol, na coroa francesa durante 72 anos e 110 dias. O presidente da Gattinoni Couture, Stefano Dominella, fala-nos do estilo único da monarca. 


Stefano Dominella


Quando Stefano Dominella conheceu a rainha Elisabeth II do Reino Unido, em 2001, esta contava com 2500 chapéus. O presidente da Gattinoni Couture, vice-presidente da Secção de Vestuário e Moda Têxtil da Unindustria e diretor científico do Istituto Modartech, lembra ainda a última vez que Elisabeth usou calças de ganga, no dia 6 de fevereiro de 1952, estando de férias no Quénia com o Príncipe Consorte, Duque de Edimburgo, nascido príncipe Philippos da Grécia e Dinamarca.

Nesse mesmo dia, foi-lhe dito que o pai havia morrido e que se iria tornar rainha. Uma semana depois, no funeral do pai, usou um vestido preto acima dos tornozelos, enquanto a mãe usava um longo. "Lilibet, a sua saia é demasiado curta", foi admoestada pela Queen Mary, sua avó. Passaram mais de 70 anos desde então. A fainha atravessou dois séculos de História ostentando fatos coloridos, coordenados com chapéus e luvas, assim como a sempre presente mala de mão apoiada no antebraço.


Pormenor de look da rainha Elizabeth II do Reino Unido


Muitas coisas mudaram desde os anos 1950 até à atualidade, mas algo permaneceu sempre igual: o estilo, único e reconhecível da rainha Elizabeth II. Para além de ter acumulado uma das maiores coleções de joias de todo o mundo. Conhecidas não apenas pela beleza e preciosidade, mas por a maioria das peças possuir uma história própria, o que as torna ainda mais valiosas. 

"A rainha tinha uma forma de vestir incomparável", comenta Stefano Dominella, que conheceu Elizabeth II, quando era presidente do AltaRoma (evento de alta costura em Roma) e foi recebido no Palácio de Buckingham, juntamente com Beppe Modenese, presidente honorário da Camera Nazionale della Moda Italiana, pela rainha do reino Unido, que visitou oficialmente Portugal pela primeira vez há 65 anos (a segunda e última, nos anos 80), e pela irmã, a princesa Margareth, presidente de uma associação de caridade que apoiou a entrada de mulheres desfavorecidas no mundo do trabalho na indústria da moda.
 

A rainha dos chapéus, como é também conhecida no mundo da moda


O seu guarda-roupa sóbrio gerou desde sempre fascínio, mormente pelas cores exuberantes, chapéus clássicos e carteira misteriosa – o qual manteve durante décadas tornando-se referência no mundo da moda.

"A rainha usava um casaco lilás, apesar de estar num salão em sua casa", recorda Stefano Dominella, acrescentando: "por baixo podia-se ver uma blusa de cetim a condizer". Tal como as luvas. Mas os sapatos eram pretos e, francamente, deixaram-me estupefacto".

A monarca manteve-se fiel a um modelo estilo mocassin da marca britânica Anello & Davide desde 1969, o qual vai ficar para a História. O modelo favorito da rainha, extremamente confortável, apresenta biqueira quadrada, salto de exatamente cinco centímetros e detalhe em metal na parte superior. É feito à medida pela referida empresa fundada em 1922, com sede no Covent Garden, e custa cerca de 960 euros.


Elizabeth II possuía também uma coleção histórica de joias


​"Foi muito simpática para nós e para as outras delegações de moda de outros países", diz ainda Stefano Dominella, salientando: "Falou durante vários minutos sobre a importância cultural da moda e o seu valor económico para o emprego das mulheres".

"Foi nessa ocasião (revela Dominella), que soube que tinha um alfaiate de corte e um chapeleiro que lhe fez 2.500 chapéus, alguns dos quais foram por vezes renovados e reequipados".

Com a morte da rainha britânica com maior longevidade, o Reino Unido entra num período de 10 dias de luto nacional, no último dos quais se realizará o funeral. O corpo será transportado para o Palácio de Buckingham, residência oficial, onde ficará até ao funeral.

O filho mais velho sucede assim e de imediato ao trono, tornando-se o rei Charles III aos 73 anos.
 

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