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Portugal Textil
Publicado em
20 de mai. de 2022
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4 Minutos
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O lado artístico de Felipe Oliveira Baptista

Por
Portugal Textil
Publicado em
20 de mai. de 2022

Felipe Oliveira Baptista acaba de inaugurar, em Paris, a exposição Unfolding, com 30 peças entre desenhos, fotografias, litografias e gravuras. Um lado diferente do designer português, que deverá regressar a Lisboa no verão e não põe de parte o regresso à moda, desde que com o projeto certo.


©Felipe Oliveira Baptista Instagram


As artes não são uma novidade para Felipe Oliveira Baptista, que numa recente entrevista a Vítor Gonçalves, transmitida na RTP, confirmou que, na altura de prosseguir os estudos, «estava um bocadinho indeciso entre fotografia, design gráfico e arquitetura". "Fiz um estudo preparativo de arte e design em Londres e foi aí que percebi que a moda tocava todas as outras disciplinas.»

Depois dos estudos de Design de Moda na Kingston University, o designer trabalhou com a Max Mara e, durante alguns anos, foi assistente de Christopher Lemaire. Em 2002 venceu o Festival de Hyères, com a sua primeira coleção, que foi comprada pela Colette. A marca epónima, que acabaria por pôr em suspenso em 2014, desfilou na Semana de Alta Costura de Paris, no Portugal Fashion e na ModaLisboa. Em 2010, assume a direção criativa da Lacoste, onde permaneceria até 2018. Um ano depois foi nomeado diretor criativo da Kenzo, posição que abandonou em julho de 2021.

Desde então, alugou um pequeno estúdio para se dedicar à prática artística, como contou à revista do jornal Le Monde, mas a exposição agora patente na Untitled 19, uma loja de vestuário artesanal “made in Paris” dos seus amigos Pascal Humbert e François Joos, que poderá ser vista até 28 de maio, é fruto de um trabalho que se prolonga no tempo. «São coisas que tenho feito desde sempre, fotografia e desenho, mas que é a primeira vez que estou a expor, e pus as várias disciplinas juntas. Há muito tempo que tinha a ideia de fazer qualquer coisa com esta minha outra parte criativa. É o mesmo processo criativo [que a moda], mas de uma maneira mais pessoal», afirmou Felipe Oliveira Baptista, em declarações à Lusa.

À mesma agência noticiosa, o designer revelou: «Tive a minha primeira máquina fotográfica com 12 anos e sempre desenhei muito, desde que era pequeno. Foi sempre algo que fui fazendo, para sair um bocadinho da moda. Mas este trabalho liga-se à moda, porque há muito de anatomia e de corpos.»

O corpo e o movimento dominam a maior parte dos desenhos, fotografias e gravuras, mas há também imagens a preto e branco de catos e árvores do Jardim Botânico de Lisboa, por onde Felipe Oliveira Baptista passava a caminho do liceu. «Vejo sentimentos muito diversos e contrastantes nos meus desenhos: a solidão, a alegria, a sensualidade ou a confusão, mas não quero impor nada, a interpretação é para cada um», explicou o designer à revista do Le Monde.


©Felipe Oliveira Baptista Instagram


Moda em aberto

Para as pessoas mais próximas de Felipe Oliveira Baptista, o seu lado artístico já era bem conhecido, assegura Pascal Humbert. «Já há algum tempo que queríamos ter convidados que são pessoas próximas, como o Felipe. Há muito tempo que conhecemos os seus desenhos e é um lado que para ele é muito importante, que faz parte do seu universo e que ele quer que seja descoberto», contou à Lusa.

Quanto ao futuro, a moda não está posta de lado, mas Felipe Oliveira Baptista tem requisitos para o seu regresso a esta indústria. «Quero continuar a ser livre para explorar várias práticas artísticas, descobrir savoir-faire, ter tempo para os experimentar. Ainda sou designer de moda e se o projeto certo surgir, não deixarei de desenhar novamente roupa. Mas, sinto-me cada vez menos confortável com esta indústria em geral, muito poluente e nociva para o planeta», adiantou à revista do Le Monde.

Certo é o seu regresso a Lisboa, no próximo verão. «Hoje posso fazer muitas coisas estando baseado em Lisboa e gosto dessa ideia de mudanças, mas que não sejam radicais. E não fecho portas definitivamente. Não se fecha Paris, não se fecha a moda» explicou à Lusa. «É o início do capítulo entre Lisboa e Paris, mas é uma ideia que já tinha há alguns anos. E agora demos este passo. É algo com o qual estou contente e acho que é engraçado, porque saí de Lisboa há tanto tempo e vou chegar como um outsider, mesmo sendo a cidade em que cresci. Mas, mudou tanto, evoluiu tanto e é uma cidade que está com uma diversidade cultural enorme e com uma bela energia», acrescentou.

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