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Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
21 de nov. de 2022
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O novo potencial dos produtos não tangíveis na indústria do luxo

Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
21 de nov. de 2022

O mercado global de artigos de luxo deve fechar um ano recorde em 2022, impulsionado principalmente pelas vendas de acessórios, que registaram aumentos impressionantes de dois dígitos, começando com bolsas de couro, joias e até relógios. Mas por trás dessas categorias de sucesso está o universo de produtos não tangíveis, que podem tornar-se uma nova oportunidade interessante de crescimento. De facto, este mercado deve atingir entre 60 e 120 mil milhões de euros até 2030, segundo um estudo da Bain & Company sobre o mercado de luxo realizado para a Altagamma, entidade que reúne os maiores nomes da indústria italiana, apresentado recentemente em Milão.


A icónica bolsa Jackie 1961 foi relançada por Alessandro Michele em 2020 - gucci.com

 
“Este ano houve um crescimento em todas as categorias de produtos, inclusive nas que estavam em declínio recentemente, como a beleza, graças à recuperação da maquilhagem e do prêt-à-porter, devido à ascensão do streetwear. Mas os acessórios ocupam o primeiro lugar, com dois campeões, os artigos de couro e as joias, e surpreendem com a retoma das vendas de relógios”, explica Federica Levato, coautora do relatório.

Em detalhe, o mercado relojoeiro cresceu entre 22% e 24% ano-a-ano (entre 29% e 31% face ao nível de 2019, antes da pandemia) atingindo os 52 mil milhões de euros com uma procura contínua de produtos premium e peças icónicas. O sector apela a todas as gerações, com compras motivadas pelo símbolo de prestígio que os relógios encarnam, mas também porque são cada vez mais encarados como um investimento. Essa perceção aumentou graças ao mercado de revenda. “Após anos de estagnação, as relojoarias conseguiram conquistar os jovens, despertando o desejo entre essa clientela”, afirma Claudia d'Arpizio, sócia da Bain & Company e coautora do estudo.

Impulsionado por investimentos consideráveis das marcas de joalharia, este mercado cresceu 23%-25% em 2022 (36%-38% face a 2019), para 28 mil milhões de euros, registando um forte crescimento na joalharia. Por outro lado, a categoria de bolsas em couro teve um volume de negócios total estimado em 80 mil milhões de euros (23%-25% em 2021 e 39%-41% entre 2019 e 2022, face aos 7% entre 2016 e 2019), graças a modelos icónicos e bolsas do momento. A marca continua a ser o principal motivo de compra.

“Esta categoria, sempre bem sucedida, está no centro da estratégia das marcas, que têm apostado nos formatos mini ou maxi para atrair a Geração Z. O sector também tem beneficiado muito do impacto dos preços das bolsas, que têm aumentado ao longo dos anos. Esse impacto, que representou 50% do crescimento entre 2019 e 2021, aumentou para representar 70% do crescimento do mercado entre 2021 e 2022”, diz a consultora.


Evolução do mercado de artigos de couro de luxo - Bain & Company


Estamos a assistir a uma estratégia de aumento de posicionamento deliberada e eficaz por parte das marcas, tanto de luxo como de base, sem penalizar o crescimento de volume, apesar de uma escassez difusa de artigos, indica o estudo. “O mercado de acessórios cresceu entre 2019 e 2022, tanto para relógios como para bolsas, pois o produto passou da posição de ícone para se tornar quase um objeto artístico, um símbolo no qual se pode investir. Com as suas edições limitadas e peças únicas, esse mercado está cada vez mais voltado para a arte”, analisa Claudia d'Arpizio.

Ao mesmo tempo, estamos a observar também o auge de novas categorias comerciais de base tecnológica, que hoje representam 1% do mercado global de artigos de luxo, e que podem atingir entre 10%-20% em 2030, com uma contribuição de 60 a 120 mil milhões de euros. A Bain & Company insere nesta nova categoria os novos produtos 3D e as possíveis extensões oferecidas pelo Metaverso (NFTs ou produtos virtuais como roupas, colecionáveis ​​virtuais, entre outros).

O estudo também menciona outras áreas potenciais, como a monetização de comunidades criadas por marcas nas redes sociais através de eventos virtuais dedicados ou monetização de dados, ou mesmo a receita que as marcas poderiam obter com o seu conteúdo de media (filmes, música, arte). Sem falar nas experiências 3.0 que serão oferecidas nas lojas ou no ramo de viagens e hotéis de alto luxo.

Nesse cenário futurista, estes produtos intangíveis também devem ajudar a tornar o sector de luxo mais responsável sob o ponto de visto ecológico. “Isso significa que a indústria poderá crescer produzindo menos, apresentando-se como uma força revolucionária, na vanguarda cultural”, conclui Claudia d'Arpizio.
 

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