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Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
27 de jul. de 2022
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Os planos da Sankyo Seiko para Leonard Paris

Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
27 de jul. de 2022

O anúncio da venda da Leonard Paris ao seu parceiro histórico japonês, Sankyo Seiko, surgiu como uma surpresa para o pequeno mundo do luxo parisiense. Contudo, numa inspeção mais atenta, a venda parecia inevitável e era sem dúvida a melhor forma de assegurar a continuidade da existência da marca. O objetivo do novo proprietário é desenvolver a herança da marca, mantendo ao mesmo tempo as suas ligações com Paris, acelerar a sua expansão na Ásia, particularmente na China e na Coreia, e desenvolver o segmento de acessórios.


Um look para o outuno-inverno 2022/2023 - leonardparis.com


"Ele é o melhor comprador que pudemos encontrar para a Leonard. Trabalhamos juntos há mais de 50 anos. Praticamente nascemos e fomos criados com o Japão, enquanto a Sankyo Seiko patrocinou a ascensão da marca em todo o mundo", recorda Nathalie Tribouillard Chassaing, que tem estado ao leme da empresa desde 2017 e que acaba de sair relutantemente. "Tornámo-nos demasiado dependentes do Japão, que acabou por pesar mais de 60% do nosso total de vendas e, com o COVID-19, a nossa dimensão crítica foi ainda mais reduzida, bem como a nossa presença na Europa e no resto do mundo", confessa.  

"Estávamos também muito preocupados com o aumento dos preços e o fornecimento de matérias-primas. Isto levou-nos a vender, especialmente porque a situação está prestes a tornar-se ainda mais complicada", diz ainda. "Estamos a vender um negócio muito saudável. Na última coleção de verão, tivemos um aumento de 20% no volume de negócios. Mas para continuar a existir, precisávamos de mais. Somos uma das últimas maisons de luxo familiares independentes, demasiado pequenas para competir com gigantes como a Kering e LVMH.

O acordo de venda, cujo montante não foi divulgado, foi assinado a 19 de julho, após vários meses de negociações. A Sankyo Seiko comprou a marca e os seus arquivos, ou seja, 10.000 desenhos, dos quais quase 5.000 não foram utilizados, o estúdio onde os designers e desenhadores têxteis trabalham, e a oficina de protótipos em Paris, bem como o local de produção em Milão, Itália. Desde 1969, o grupo sedeado em Osaka tem vindo a desenvolver, produzir e distribuir sob licença duas linhas específicas de pronto-a-vestir para o Japão e Taiwan (Leonard Fashion e Leonard Sport), e também a comercializar a coleção de Paris através das suas cerca de 60 boutiques.

Nos últimos anos, a Sankyo Seiko teve também de reduzir a sua rede de vendas Leonard, que há 20 anos contava com quase 120 lojas. Desejando investir na marca, embora deixando de pagar royalties, aproveitou o momento propício oferecido pela crise de COVID-19 para se relançar com a família Tribouillard com uma oferta de aquisição. Ativo nos sectores imobiliário, têxtil e da moda, o grupo japonês é também proprietário da histórica marca de luxo britânica Daks, que adquiriu em 1991 e tem vindo a desenvolver na China nos últimos anos. É esta mesma fórmula que pretende aplicar a Leonard, que está totalmente ausente do mercado chinês, exceto através de uma boutique em Hong Kong.

"Com Daks, abrimos mais de 30 boutiques na China. Pensamos que existe um enorme potencial também para a Leonard. Com o seu importante património histórico, a marca é muito forte na Ásia, onde já é muito popular. É nesta região, onde existem grandes oportunidades para ela, que nos vamos concentrar. Em particular, queremos expandir a etiqueta na China, Coreia e Tailândia", disse à FashionNetwork.com, Akira Inoue, o CEO da Sankyo Seiko, que acaba de assumir a gestão da Leonard. 


Akira Inoue, o novo responsável da Leonard Paris - sankyofs.co.jp


Grande conhecedor do mercado chinês, o gestor deseja também reforçar os laços com o grupo coreano LG e com a sua filial LG Fashion Corporation, que distribui a marca na Coreia do Sul. Assim como a Daks. "Planeamos desenvolver a linha Leonard Sport na Coreia, onde o mercado informal é importante. Pode ter aí um grande potencial", explica Akira Inoue.

Da mesma forma que o grupo tem mantido o estúdio Daks em Londres, manterá a sede da Leonard em Paris com todas as suas atividades e pessoal (41 pessoas). "Estes são talentos que precisam de trabalhar em conjunto. Preservar estas competências, praticadas pela maison durante décadas, e os laços com Paris, continuando a desfilar aí, é essencial para a imagem da marca", explica. "É aqui que é feito o desenvolvimento da coleção e das estampas têxteis. Além disso, o pronto-a-vestir é produzido na filial de Milão. Confiamos portanto no estilo parisiense muito elegante, por um lado, e no Made in Italy, por outro, dois elementos essenciais para posicionar bem a Leonard", continua.

E Nathalie Tribouillard Chassaing acrescenta: "Preservar a presença da Leonard em Paris reforça a marca. Desde o início, temos acompanhado a Sankyo Seiko nas questões técnicas. Qualidade das cores, gravura, técnicas de gradação, impressão de quadros em jersey... têm agora uma ferramenta de produção bem equipada para se desenvolverem em todo o mundo".
 
Outro projeto em preparação é o de acessórios. Embora o património e os arquivos da marca sejam os seus pontos fortes, o ponto fraco, segundo Akira Inoue, é a sua falta de diversificação neste segmento. "A Leonard não tem quaisquer acessórios, para além da sua muito agradável coleção de lenços de pescoço. Muito provavelmente vamos expandir a categoria dos artigos de couro no mercado japonês", acrescentou.

Quanto à direção artística fornecida pelo jovem designer alemão Georg Lux, esta é apreciada pelo novo gestor da Leonard. "É muito interessante trabalhar com Georg Lux. Estou ansioso por ver a sua nova coleção, que estaremos a observar atentamente. Convidei-o a vir ao Japão, onde nunca tinha estado antes. É importante que conheça este mercado", concluiu.
 

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