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Publicado em
21 de abr de 2021
Tempo de leitura
7 Minutos
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Pandemia traz oportunidades para Portugal

Por
Portugal Textil
Publicado em
21 de abr de 2021

Após a resolução da situação pandémica atual, é possível que a indústria da moda nacional usufrua da aceleração de algumas tendências, como a procura por um sourcing de proximidade e sustentabilidade, referiram os especialistas internacionais na conferência digital “A indústria da moda em 2021/2022: o que esperar!” do CENIT.



O impacto da Covid-19 na indústria da moda traduziu-se numa diminuição entre 15% e 30% nas vendas – 18% na Europa, 22% nos EUA – em 2020 face a 2019 e, segundo os dados apresentados por Antonio Gonzalo, partner da McKinsey & Company, durante a conferência digital “A indústria da moda em 2021/2022: o que esperar!” organizada pelo CENIT e pela ANIVEC , que decorreu na passada quarta-feira, 14 de abril, 2021 será novamente um ano de queda, com uma perda de 15% a 20%, numa realidade que «será pior do que esperávamos em setembro de 2020», admitiu, até porque há questões como a disseminação de mutações mais agressivas do vírus, as taxas de vacinação, os subsídios governamentais, a confiança do consumidor e a mudança no estilo de vida das pessoas que irão ter influência no desenvolvimento futuro da indústria.

Há, contudo, oportunidades, acredita Antonio Gonzalo, nomeadamente a aceleração do digital, que em 2020 representou 29% das vendas a retalho na Europa. Embora tenha reconhecido que «não compensa as perdas nas lojas», a verdade é que «há boas oportunidades no digital», apontou. «É algo [o digital] que as empresas têm de fazer», sublinhou o partner da McKinsey.

Dominique Jacomet, conselheiro sénior do Institut Français de la Mode (IFM), revelou, por seu lado, que o impacto em França foi inferior ao esperado, com uma queda na procura de vestuário limitada a 15%, em comparação, por exemplo, com Espanha, onde a descida foi de 40%, e com a Alemanha (-30%). Os dados mostram ainda uma «rápida retoma» após o fim das limitações impostas pelos vários confinamentos, com crescimentos na procura na ordem dos 7% em agosto e de quase 15% em dezembro (em comparação com os meses homólogos de 2019) em França. Na Europa a 27, no terceiro trimestre houve uma subida de 61% face ao trimestre anterior, indicou.

Se a nível do consumo há esta expectativa que com a reposição da confiança dos consumidores, o mercado irá retomar – embora seja necessário ter em conta que as gerações mais novas continuam atraídas pela moda mas são consumidores ativistas, empenhados em questões sociais, como a inclusão, ou ambientais, como a sustentabilidade –, ao nível do sourcing há também boas notícias para a produção portuguesa, uma vez que «a relocalização do sourcing que estava a acontecer antes, vai retomar» e, nesse sentido, «Portugal será atrativo», revelou Dominique Jacomet. Aliás, segundo um estudo realizado em dezembro de 2020 pelo IFM sobre destinos de sourcing, 40% dos inquiridos indicaram que Portugal deveria crescer nas suas compras. A procura por produtos mais sustentáveis é também uma oportunidade para as empresas portuguesas fornecedoras de vestuário, assim como o comércio eletrónico.

No entanto, tudo isto depende da taxa de inoculação da população e da obtenção da imunidade de grupo. «A vacinação é a chave económica para a indústria têxtil e vestuário», salientou o conselheiro sénior do IFM.

Joan Sol, diretor-geral e partner do Boston Consulting Group (BCG), por seu lado, confessou que «vemos 2021 ainda negativo», antecipando uma queda entre os 20% e os 30% face aos níveis antes de Covid, e que 2022 será um ano mais positivo, «mas não ao nível pré-Covid», até porque a consultora espera «uma indústria mais pequena» no final da crise pandémica.

Neste cenário, o digital assume uma enorme preponderância, não só nas vendas, mas em toda a cadeia de aprovisionamento, até porque, enumerou, há cinco tendências que vão marcar o futuro da indústria da moda: a mudança acelerada dos canais de venda; a mudança do papel da loja; a continuação da casualização da moda; a mudança nos valores e estilos de vida; e o aumento das expectativas do consumidor.

Pensar a comunicação no mobile, recolher e analisar dados para extrair informação, combinar talentos nas áreas do design mas também da tecnologia dentro de portas e criar produtos à medida para diferentes canais e até localizações com base em dados são algumas das soluções a ponderar, a que se soma uma cadeia de aprovisionamento digital. «Será essencial para ser rápido», resumiu Joan Sol.

Indústria nacional preparada

A realidade trazida pelos especialistas internacionais acabou por ser confirmada, na generalidade, pelos empresários e gestores que participaram no debate que se seguiu, que contou com José Costa, administrador da Becri, César Araújo, administrador da Calvelex, Daniela Xavier, diretora-geral da Fermir, Luís Guimarães, presidente da Polopiqué, e Mico Mineiro, administrador da Twintex.


César Araújo, Luís Guimarães e José Costa


A proximidade é uma vantagem que já não é de agora, mas que se tem evidenciado mais recentemente, apontou Luís Guimarães. «Já nos últimos 10 anos comecei a ver a necessidade de ter uma verticalização, porque ninguém quer stocks, portanto, temos que ser muito versáteis e muito rápidos e, para isso, a verticalização é o caminho ideal», afirmou, acrescentando que é importante que haja uma junção de esforços para aumentar a competitividade do país. «Esta questão do vírus trouxe uma vantagem à indústria têxtil de Portugal e nós temos que saber aproveitar isso, mas temos esse problema, a dimensão das empresas. Para poder dar uma resposta cabal a toda esta demanda que começa a aparecer e a acontecer, tem que haver alianças entre as empresas e têm que tornar o mais vertical possível», acredita o presidente da Polopiqué.

A sustentabilidade é igualmente um trunfo que muitas empresas, como a Fermir, têm vindo a jogar. «A empresa foi investindo em investigação e desenvolvimento e em projetos de reciclagem no sentido de dar resposta à necessidade do mercado de se aproximar de produtos mais sustentáveis, mais reciclados e mais amigos do ambiente», assumiu Daniela Xavier, diretora-geral da empresa, que apontou, contudo, que a pandemia veio trazer a aceleração de uma tendência de colocação de encomendas mais pequenas, com mais modelos mas menos quantidades, o que traz problemas de gestão, uma vez que há também uma procura por preços mais baixos, levando a um aumento da subcontratação noutros mercados, como Marrocos. «Hoje em dia a pandemia está a acelerar a subcontratação em Marrocos, o que vem dificultar ainda mais a questão da sustentabilidade, porque estamos a alargar todo o processo e toda a cadeia produtiva, espalhando os desperdícios têxteis no processo produtivo», referiu.

Para José Costa, administrador da Becri, a pandemia deverá trazer uma diminuição da fast fashion e «a necessidade de produzir mais perto por questões sustentáveis, porque o transporte não deixa de ser uma pegada ecológica», que aliada à procura por uma maior rapidez deverá beneficiar Portugal. «Acho que o consumidor vai ser mais seletivo, vamos voltar um bocadinho ao passado, em que as peças vão ter que ser mais duradouras, vão ter que ser mais transversais no tempo», afirmou. A mudança no consumidor, acredita, vai levar a que haja «menos oferta, mas a oferta que vamos ter vai ser mais transversal e mais duradoura».

Para César Araújo, administrador da Calvelex e presidente da ANIVEC, a pandemia veio trazer «um reset». Isso implica que «todos nós devemos fazer uma reflexão e aprender com esta pandemia. O que é que nós queremos para a nossa indústria têxtil e de vestuário do futuro?», sublinhou, acrescentando que «Portugal tem que ser um ponto fundamental no desenvolvimento da moda na Europa», apoiando-se em valores como a sustentabilidade mas também no desenvolvimento de marcas.

«O grande desafio, o que todos nós aguardamos, é que a confiança do consumidor seja restituída», sustentou, por seu lado, Mico Mineiro, administrador da Twintex, adiantando que, face à desaceleração sentida neste último ano, «acreditamos que os negócios nos próximos dois anos vão crescer per si», para números semelhantes aos de 2018 e 2019.

Olhar para o futuro

Temas como a escassez e qualificação da mão de obra, aumento de preço das matérias-primas, customização, medidas de apoio, vendas online e automatização e robotização foram igualmente abordados durante o webinar, que pode ser visto ou revisto nas plataformas online do projeto ModaPortugal.


Mico Mineiro e Luís Hall Figueiredo


«Temos que passar para o futuro e, no futuro, tendências que vinham de trás vão-se acentuar», acrescentou o Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, numa mensagem gravada, citando as mudanças de mentalidade dos consumidores, a importância do mercado asiático e os esforços de descarbonização da indústria, assim como a relevância das vendas online. «Aqueles que melhor souberam adaptar-se a estas circunstâncias foram também aqueles que melhor conseguiram manter uma relação com os consumidores e assegurar um nível de vendas adequado durante este período da pandemia. No futuro, estas tendências virão para ficar», sublinhou, acrescentando que tudo isto «é um desafio que a indústria têxtil e de vestuário portuguesa tem que estar preparada para enfrentar».

Pedro Siza Vieira mostrou-se «muito confiante na capacidade de fazermos essa mudança, mas não tenhamos dúvidas: ela vai exigir muito esforço, muita dedicação, muito empenho, criatividade e também o adequado suporte das políticas públicas, para que este percurso possa decorrer de forma adequada, sem perdermos competitividade, mantendo o posicionamento da nossa indústria como um dos melhores e maiores produtores de têxtil e de vestuário na Europa».

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