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Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
2 de nov. de 2021
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4 Minutos
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Patrizio Bertelli da Prada acredita que indústria do luxo fortalecerá no pós-Covid com crescimento de 30%

Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
2 de nov. de 2021

A indústria do luxo vai fortalecer no pós-Covid, prevendo um crescimento de 30% até 2025. A previsão é de Patrizio Bertelli, CEO do grupo Prada, que comunicou a sua estimativa na abertura do terceiro dia do Fashion Global Summit decorrido em Milão. Um crescimento que será dominado pelos grandes nomes do setor, enquanto que os mais pequenos terão cada vez mais dificuldade em acompanhar o ritmo, segundo o executivo. “Muitas PMEs têm grandes capacidades e bons produtos, mas não oportunidade de serem bem-sucedidas devido aos custos envolvidos como, por exemplo, de ferramentas digitais e e-commerce, que se tornaram muito altos. As pequenas empresas terão sempre mais problemas para encontrarem uma identidade e terão de contar com os nomes maiores”, disse Bertelli.


Patrizio Bertelli, CEO do grupo Prada - DR


A pandemia acelerou o processo de seleção natural, colocando em risco a sobrevivência das inúmeras pequenas empresas que constituem a espinha dorsal da indústria da moda italiana, cujo património cultural é fundamental para “preservar a identidade de marcas que hoje alcançou níveis muito elevados e exige um investimento considerável”, de acordo com Bertelli. Sempre que possível, o próprio grupo Prada interveio financeiramente para adquirir participações minoritárias em pequenos negócios que muitas vezes representam o trabalho de uma vida, através do qual os artesãos desenvolvem o seu próprio know-how. “Precisamos recompensar essas pessoas, que podem ver o seu negócio crescer à medida que se envolvem no desenvolvimento de produtos num contexto corporativo mais amplo”, afirmou ainda executivo.

Uma identidade que deve ser cultivada também nos locais de trabalho “onde passamos a maior parte dos nossos dias, para fazer com que os colaboradores se sintam envolvidos com as marcas. Na década de 70, o conceito de fábrica baseava-se na dialética patrão-empregado, a partir da qual surgiram muitas queixas justificadas. Hoje essa dialética mudou e as pessoas tendem a envolver-se mais com o trabalho”, explicou.

Portanto, é necessário um esforço coletivo para sair da crise económica. “Nos últimos anos, avançamos muito com a noção de produtos 'Made in Italy', onde antes pensávamos que bastava colocar um rótulo num produto, sem considerar todo o processo”, acrescentou Bertelli. São notórios sinais positivos, mesmo na esfera política, e o executivo destaca que o governo italiano “tem-se interessado mais pela moda, uma indústria que responde por grande parte das exportações e do PIB nacional. O governo pode ajudar em termos de dinâmica de trabalho, mas não na frente industrial”.
 
Até mesmo a relação com os sindicatos mudou. No que diz respeito às medidas de prevenção da doença de COVID-19, "os representantes dos funcionários [do grupo], em concordância com a administração e com os sindicatos, decidiram que as fábricas só poderiam ser acedidas se os trabalhadores fossem vacinados ou testados, com testes semanais pagos pela empresa. Eu entendo as objeções à liberdade individual, mas com esta situação de emergência é necessário deixar de lado as considerações individualistas e respeitar os outros”, afirmou Bertelli.
 
O executivo tem ideias claras sobre as perspetivas do setor. “Nos próximos 10 a 20 anos, a procura por materiais de qualidade e produtos mais sofisticados aumentará, e todos os participantes da indústria beneficiarão disso, enquanto as famílias vão querer aceder a um modo de consumo diferente”. A China estará no centro dessa evolução, um país “onde os jovens usam 'excessivamente' as novas tecnologias, e dentro de três ou quatro anos a moeda deixará de existir, mesmo nos mercados mais pobres, porque as pessoas farão pagamentos através dos seus telefones”.

A família está no coração do mundo Prada, disse Bertelli, “um mundo que nasceu como uma jornada compartilhada com a minha esposa Miuccia, que representa 60% do projeto, enquanto eu represento os 40% restantes. A Prada de hoje é fruto da nossa ousadia, de nunca pensarmos negativamente e de termos sempre uma abordagem positiva”. Quando questionado se no futuro o grupo será dirigido pelo filho Lorenzo, Bertelli disse que “vai depender dele”, revelando também que “Lorenzo é o chefe mais crítico da empresa e é muito mais exigente do que eu. Temos um relacionamento que é quase antagónico. Agora está a aprender muito e a trabalhar muito para cumprir essa função”.
 
Pioneira no retalho da moda, a Prada abriu a sua primeira loja em 1983. “Em 2011, 80% da nossa rede de retalho consistia em lojas monomarca e atualmente atingimos 90%. Mas o canal grossista também evoluiu, e ter um relacionamento comercial com retalhistas independentes é útil para receber feedback fora do grupo”.
 
Por fim, Bertelli reiterou as suas dúvidas sobre a possibilidade de criar um grande grupo italiano de luxo no futuro. “A nossa tentativa com Jil Sander e Helmut Lang pagou o preço de deixar muita independência no dia-a-dia [do negócio], especialmente nos aspetos financeiros e de distribuição. Em Itália, a criação de conglomerados é incomum, pois o comportamento individualista é generalizado. Para formar um grupo, em Itália, é preciso pensar em agregar e não em predominar”, concluiu.
 

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