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Portugal Textil
Publicado em
26 de nov de 2019
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Paula Borges está de volta aos EUA

Por
Portugal Textil
Publicado em
26 de nov de 2019

Diferenciando-se pelos detalhes e pela qualidade, a produtora de vestuário afirma ser capaz de produzir «aquilo que muita gente não consegue». Agora, prepara-se para mostrar o seu valor ao mercado americano, regressando após quase 10 anos de ausência.


Paulo Faria


Em 2020, a Paula Borges festeja o seu 45.º aniversário e, para comemorar, viaja até ao outro lado do Atlântico, voltando a investir nos EUA. Exportando quase 100% de toda a produção, a empresa tinha já explorado o mercado americano «sensivelmente há sete ou oito anos», recorda o diretor comercial Paulo Faria. Contudo, dada a dimensão deste país, confessa que, na altura, «atacámos o mercado erradamente». Agora, a estratégia passa por segmentá-lo por estados e aplicar diferentes planos de atuação a cada um, de acordo com as necessidades dos clientes locais.

Na Europa, a produtora de vestuário consolidou a posição no Reino Unido, França e Suécia e, no geral, o crescimento tem sido positivo. No entanto, «o mercado inglês está muito instável», devido às circunstâncias do Brexit, admite o diretor comercial. Apesar disso, «temos cada vez mais clientes ingleses a entrar na nossa casa, todos os anos. Isto é um contrassenso enorme», afirma, explicando que o Reino Unido «vai continuar a ser um mercado muito grande», porque está ligado ao segmento médio-alto e alto.

Associada ao glamour, aos detalhes e à qualidade, a Paula Borges realizou, no ano passado, um volume de negócios de 2,5 milhões de euros. «Este ano vamos ver se conseguimos chegar aos 3 milhões. Vai ser muito difícil, mas estamos no bom caminho», reconhece Paulo Faria.

O ADN está nos detalhes

Para a primavera-verão 2020, a empresa procurou «inovar com novas tecnologias, novos tecidos, novas técnicas de confeção», aponta o diretor comercial. Sempre com atenção aos detalhes e à qualidade, Paulo Faria acredita que «não existe segredos para a moda. Existe sim tentar fazer coisas diferentes dos outros». Deste modo, a produtora de vestuário propõe uma coleção de cerca de 80 modelos, que segue o registo normal da Paula Borges, diferenciando-se pelas «bainhas feitas à mão, pormenores pregados à mão, pedras, pérolas, bordados, detalhes. Esse é o nosso ADN», assegura ao Portugal Têxtil.

Para além do private label, a especialista em confeção detém duas marcas próprias: a epónima e principal Paula Borges e a mais recente Everlasting, com uma representatividade na produção que ronda os 25% e os 10% respetivamente. A primeira «funciona no sistema premium com um nível de preço médio-alto e artigos nobres», descreve o diretor. Por outro lado, a Everlasting foi criada como «uma linha com preço mais baixo», exclusivamente online, ainda que a qualidade se mantenha elevada, garante.

No ano passado, a empresa esteve a analisar a entrada da marca mais velha no canal online, através de plataformas de comércio eletrónico  como a Farfetch e a Springkcode. O diretor comercial adianta que o acordo com a segunda é um objetivo para 2020, já que «é uma plataforma que nos interessa muito, é uma plataforma nova, com pessoas muito capazes e com pano para mangas. Quem sabe, a Farfetch no futuro».

Felicidade no trabalho contribui para o sucesso

Para além do mercado americano, este ano também foi altura de a empresa reforçar o seu parque de máquinas. «Investimos 220 mil euros em sistemas de corte automático. Já temos mais três máquinas de corte automático. Tudo o que integra a parte tecnológica da empresa, modelação, graduação, corte, está totalmente atualizada», indica Paulo Faria.

Por outro lado, não são apenas os recursos de maquinaria que recebem a atenção da produtora de vestuário, também a mão-de-obra foi reforçada em 2019. «Este foi ano de admitir, tanto na unidade de Baião como na da Maia, 20 e poucas pessoas. E pessoas de quadro superior», destaca o diretor comercial. Agora, com um total que ronda os 110 trabalhadores, Paulo Faria assume que «o nosso sucesso são as nossas pessoas, todas aquelas que trabalham connosco e que são “criadas” por nós» e «nós queremos que se sintam felizes a trabalhar connosco, e isso tem uma repercussão no trabalho».

No próximo ano, a Paula Borges prevê um crescimento entre os 5% e os 10%. O diretor comercial defende que, face à crise europeia que, na sua perspetiva, se avizinha para 2020, há que investir em comunicação para continuar a atrair clientes para a empresa. Aliás, para 2020, a especialista em confeção tem reservado um plafond para marketing, no sentido de «consolidar aquilo que fizemos ao longo de 45 anos» e crescer dentro do seu próprio nicho de mercado.

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