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Pé de Chumbo a caminho de Hollywood

Por
Portugal Textil
Publicado em
today 2 de jan de 2019
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A marca da designer Alexandra Oliveira está a apostar no mercado americano e a cidade de Los Angeles deverá ser um dos novos destinos. A Pé de Chumbo, que se diferencia pela utilização de matérias originais nas suas coleções, está a negociar um showroom e mostras mais reservadas para chegar à passadeira vermelha.


A utilização de matérias-primas diferentes do habitual – a Pé de Chumbo usa como tela para as suas propostas maioritariamente materiais criados por si em detrimento das tradicionais malhas e tecidos – não são o único elemento diferenciador da marca criada por Alexandra Oliveira.

A designer vimaranense desde logo apostou na produção própria e hoje tem já uma equipa de 20 pessoas que é responsável por fazer mais de 70% das coleções. «Inicialmente usava tecidos como toda a gente faz, mas gosto de trabalhar com as mãos e experimentar. Comecei a fazer experiências para tentar trazer alguma novidade, porque gosto mais das texturas do que das formas. Comecei a ir a feiras e comecei a vender», conta ao Portugal Têxtil Alexandra Oliveira.

Com as vendas veio a necessidade de produzir e daí a decisão de criar o atelier com produção. «Consegui responder aos pedidos quando vendia porque conseguia fazer. O conselho que dou aos jovens designers é criar uma estrutura, mesmo que seja com uma ou duas pessoas. A dificuldade destes designers que fazem coisas boas e bonitas é não terem quem produza para eles conseguirem dar resposta, porque é difícil, começa-se sempre por vender muito pouco e as fábricas não querem fazer muito pouco», justifica.

11 anos de internacionalização

Fazer diferente é algo que Alexandra Oliveira incorporou no ADN e até no modelo de negócio da Pé de Chumbo, que desde 2007 iniciou o percurso da internacionalização, sobretudo baseado na presença em certames profissionais de moda. «Este ano fizemos a White, em Milão, a Who’s Next, em Paris, a Edit em Nova Iorque e a Momad em Madrid», enumera a designer. As peças da marca estão à venda em cerca de 100 pontos de venda espalhados por 20 países nos cinco continentes, desde o Egito ao Canadá, do Japão à Austrália. «Itália é uma referência para nós porque é onde temos mais pontos de venda», conta Alexandra Oliveira, que se orgulha igualmente da Pé de Chumbo estar numa das cadeias de lojas mais reputadas da Turquia. «É uma super conquista estarmos na Vakko, que tem 12 lojas, já com um volume muito grande de peças. Em 2007, logo na primeira feira que fizemos, conseguimos entrar e temos crescido lá em termos de vendas», afirma Alexandra Oliveira.

Los Angeles no horizonte

A crescer está igualmente o mercado dos EUA, onde a marca portuguesa está a arrancar com um projeto em Los Angeles. «Estamos a manter conversações e acho que vamos fazer coisas engraçadas lá. Não só ter um showroom mas também fazer algumas mostras de moda mais fechadas, festas, chegar a um público mais próximo, principalmente àquele público que usa vestidos na passadeira vermelha e coisas semelhantes», anuncia a designer. «Vai ser uma abordagem diferente do que o que costumamos fazer», acrescenta.

Um mercado a explorar que vai ao encontro da estratégia da marca, que mais do que aumentar o número de peças vendidas, pretende aumentar o valor de cada peça. «Temos crescido não tanto em número de peças fabricadas, mas em valor», aponta Alexandra Oliveira. A faturação da marca tem subido gradualmente, com aumentos constantes de ano para ano. «De estação para estação aumentamos às vezes 5%, outras vezes 2%», explica a designer. «Com a imagem que estamos a criar, e como as lojas estão a fidelizar o nosso produto, o que muito nos satisfaz, temos conseguido aumentar as peças. Mas o nosso objetivo último não é aumentar o número de peças, cuja produção é complexa, mas sim aumentar o valor que elas têm», sublinha.

Com a loja própria em Guimarães e vendas online através da plataforma própria e de plataformas de terceiros, o futuro da Pé de Chumbo passará por «entrar em lojas com um patamar de preço mais interessante». Tudo para que seja possível crescer e manter a estrutura criada. «Tenho 20 senhoras de quem eu gosto e gostava de as manter por muitos anos. Isso era bom. É o meu futuro, ter o suficiente para fazer o que eu gosto e manter as senhoras comigo», conclui Alexandra Oliveira.

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