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Pele sim, pele não

Por
Portugal Textil
Publicado em
today 12 de abr de 2018
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A lista de marcas de moda que disse “não” ao uso de peles de animais nas suas coleções não para de crescer, a cidade de São Francisco baniu a venda de pele animal e o Reino Unido pode vir a tomar uma atitude semelhante nas importações.


O grupo defensor dos direitos dos animais PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) já declarou que «2018 é o ano em que todos estão a dizer adeus às peles de animais».

Em outubro último, o presidente e CEO da Gucci, Marco Bizzarri, anunciou que a casa de moda italiana havia tomado a decisão de acabar com a utilização de peles de animais nas respetivas coleções. Embora a Gucci não tenha sido a primeira marca de luxo a contestar a prática há muito controversa, deu início a um movimento que viu muitas das marcas concorrentes seguirem igual caminho, dizendo não ao uso de peles de animais.

A longa lista inclui a Versace, John Galliano, Furla, Donna Karan e DKNY, Michael Kors, Gucci, Giorgio Armani, Hugo Boss, Lacoste, Vivienne Westwood, Ralph Lauren, Tommy Hilfiger, J.Crew, Calvin Klein, Stella McCartney e Kate Spade. Nos retalhistas, o grupo Yoox Net-a-Porter e a Selfridges também se colocaram ao lado da causa animal.

«O facto de marcas tão influentes estarem a virar as costas às peles de animais fazem com que designers como a Fendi e a Burberry, que ainda estão a vendê-las, fiquem cada vez mais à margem e estejam cada vez mais isoladas», afirmou a presidente da Humane Society International, Kitty Block, citada pela AFP.

Já São Francisco tornou-se a terceira cidade na Califórnia a banir a venda de peles de animais, seguindo os passos de West Hollywood e de Berkeley.

A proibição entra em vigor no dia 1 de janeiro de 2019 e não abrange lojas de artigos em segunda mão ou de caridade. Contudo, inclui compras online e negócios locais e aplica-se a todo o tipo de artigos.

Caso as lojas tenham peças no seu inventário, existe uma emenda que lhes permite vendê-las até ao dia 1 de janeiro de 2020. Qualquer pessoa que viole a lei, terá de pagar uma multa de 500 dólares (cerca de 405 euros) por peça, por dia.

No Reino Unido, dezenas de artistas uniram-se numa campanha para incentivar o governo a criminalizar o uso de peles de animais depois da saída da União Europeia, em 2019.

Entre as 30 celebridades estão Ricky Gervais, Sue Perkins, Dame Judi Dench, Andy Murray e Joanna Lumley, que assinaram uma carta exortando Theresa May a defender o bem-estar e os direitos animais e a terminar com a importação de peles.

E a lã?

Muitos ativistas querem ir ainda mais longe, com a proibição de todos os produtos de origem animal – o que para alguns também significa lã.

A International Fur Federation (IFF) criticou a Gucci quando esta se declarou isenta de peles de animais, questionando se «[a marca] realmente queria sufocar o mundo com peles sintéticas». Philippe Beaulieu, presidente da Fédération Française des Métiers de la Fourrure (FFMF), considera tratar-se de um golpe de marketing para agradar a geração millennial.

As peles sintéticas, referiu, são um perigo para o meio ambiente. «As marcas que usam peles sintéticas que vêm do plástico, um subproduto da indústria petrolífera, causam poluição e danos ao planeta». Em contraste, as peles de animais são cada vez mais duráveis e rastreáveis, defendeu. Arnaud Brunois, do Faux Fur Institute, contestou tais alegações.

Brunois insistiu que «do ponto de vista ecológico, era melhor usar um subproduto da indústria petrolífera… do que criar 150 milhões de animais, esfolá-los e, finalmente, tratar as peles com substâncias químicas».

O especialista em marcas de luxo Serge Carreira, do Sciences Po, sublinhou que «a utilização de peles era marginal para a maioria das casas de moda que deixaram de usá-la», representando apenas 10 milhões de euros do volume de negócios de seis mil milhões da Gucci em 2017, ou 0,16%, por exemplo.

Na China, o maior consumidor de peles de animais no mundo, no entanto, a imagem é muito diferente. As vendas cresceram «fenomenalmente» durante a última década, revelou Mark Oaten, CEO da IFF.

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