Porto: cidade com moda cria as bases de sua identidade

Uma iniciativa que conta com o apoio de associações (ATP, APICCAPS), designers, empresas, da cidade do Porto e dos eventos: Modtissimo e Portugal Fashion. Uma conferência que supõe um passo a mais para alcançar este objetivo liderado pela Associação Pólo de Competitividade da Moda.

Para seu presidente, João Costa: "Portugal tem que saber divulgar que não é só país produtor de têxtil e calçado. Tem uma identidade própria. A cidade do Porto é um centro que deve avançar para demonstrar tudo o que pode fazer. Conta com a vantagem de estar a poucos quilômetros das empresas produtoras. Nossa indústria conseguiu alcançar uma grande eficiência no que diz respeito à criatividade e inovação e, além do mais, exporta 80% de sua produção".
Apresentação da iniciativa

Para Costa, a chave está em "aproveitar a cultura empreendedora que há em outros lugares do país e promover iniciativas. A região pode contribuir muito mais ainda para a criação de empregos e riqueza. Os políticos não lhe dão o valor que ela realmente merece. As exportações de calçado e têxtil representam hoje 7 milhões de euros".

Manuel Teixeira, presidente executivo da ANJE (promotora do Portugal Fashion) explicou: "o DNA do Portugal Fashion está a servir de grande pólo de criatividade e produtor de moda. Agora é fundamental unir os protagonistas do setor da moda ao restante dos setores do país e aos políticos. Temos que convencer a sociedade e nossos políticos de que se trata de um setor fundamental para o desenvolvimento da economia portuguesa".
O presidente da Associação Pólo de Competitividade da Moda, João Costa, com o designer português Miguel Vieira em segundo plano

Teixeira anunciou o acordo entre o Modtissimo e o Portugal Fashion para realizar ambos os eventos em uma mesma semana. "É importante combinar as sinergias. As dificuldades se referem somente ao calendário, mas falamos de uma realidade para 2014". A solução que está a ser considerada aponta mais adiante para as datas de celebração do Portugal Fashion. O Modtissimo atrasaria em uma semana sua edição do fim de fevereiro.

Na conferência participaram os designers Miguel Vieira, Luís Buchinho e Eugénio Campos. Para Buchinho: "A cidade do Porto sempre teve uma vibração especial de moda, ainda que não vá se transformar em uma Paris, conta com uma identidade que deve ser potencializada. Temos ferramentas e todos devemos nos envolver".

Miguel Vieira defende um Distrito de Moda no Porto, o qual traria grandes vantagens para os designers: "Concentrar as boutiques de moda, design, arte, em uma zona abandonada do Porto. Agora está tudo disseminado e não se beneficia só o turismo. Os responsáveis de todos os setores e os políticos devem falar a mesma língua". Eugénio Campos reivindicou o protagonismo da joalheria dentro da moda.

"Os empresários, por meio de associações de vários setores, devem confrontar opiniões e criar um plano estratégico para ser desenvolvido a curto e médio prazo e para transformar o Porto em uma cidade de moda". Insisto na necessidade de fazer com que Portugal seja conhecido como um país capaz de criar marcas com criatividade e qualidade, não só como fabricante para terceiros, e afirmou: "se os políticos não são capazes de fazê-lo, nós mesmos teremos que conseguir fazer isso".

Alberto Rocha Guisande, director-geral da Cluster Têxtil da Galícia, afirmou que: "as iniciativas para conseguir que uma uma cidade se comprometa com a moda sempre partiram da esfera política. Senão, não funcionam. O exemplo da Inditex com La Coruña transformou esta cidade em uma das mais visitadas". Explicou os dois momentos-chave para as empresas de moda da Galícia: "faz 30 anos que se apostou no produto e na marca, alcançando o reconhecimento graças a iniciativas de sucesso. O segundo caminho foi o de fomentar a diversidade por parte de muitos atores. O resultado é o reconhecimento em todo o mundo com o lema abaixo: Galícia sabe administrar-se muito bem no mundo da moda". Para Rocha Guisande existem muitas maneiras de obter o sucesso: "A internacionalização das empresas do norte de Portugal deve ser aproveitada para construir esta identidade Porto-Moda".

Francesco Malatesta, director da Momad Metrópolis de Ifema, destacou que o mais importante é saber se ver como uma identidade local. Coloco como exemplo Florença, "uma cidade de difícil acesso e clima, sem grande capacidade hoteleira, que soube segmentar, incorporar a moda à cidade e ser reconhecida em âmbito mundial como o centro da moda masculina e infantil graças aos salões da Pitti Immagine".

Uma das iniciativas que está a ser desenvolvida na cidade do Porto é o Projecto Moda. A responsável, Joana Campos Silva, consultora em marketing de moda e "branding", explicou que não se trata de um projecto de moda de forma literal, mas um projecto ligado à cidade o tempo todo. "Assim estamos criando o Porto Fashion District" para mostrar aos turistas diferentes perspectivas criativas da cidade do Porto: design, moda e gastronomia. Queremos montar um mapa adequado a partir de uma plataforma on-line para cada perfil de turista, criando sinergias entre todos os setores".

Para Catarina Rito, jornalista de moda, a cidade do Porto tem que se embriagar com as estratégias de outras cidades e encontrar a sua. "Descobrir como se pode trabalhar em equipa".

Unir sinergias, valorizar a moda como um setor gerador de riqueza, engajar a sociedade são as tarefas que a Associação Pólo de Competitividade da Moda vai continuar a promover nos próximos meses.

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