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6 de dez. de 2021
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Porto quer atrair indústrias criativas

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Portugal Textil
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6 de dez. de 2021

A Câmara Municipal do Porto está a desenvolver uma estratégia de desenvolvimento económico que terá nas indústrias criativas um dos seus pilares, como foi revelado a 2 de dezembro durante a conferência internacional “Formação na Moda & Regeneração Urbana”.


Ana Roncha, Yesenia San Juan, Emily Webster e Ricardo Valente


No último dos três painéis desta conferência organizada no âmbito do projeto ModaPortugal, Ricardo Valente, vereador da Câmara Municipal do Porto, confessou que, embora a região norte seja um centro para as indústrias têxtil, de vestuário, de calçado e ourivesaria, «francamente, indústria de moda não temos. Temos muitas pessoas que trabalham nessa indústria, mas não temos sido capazes de construir esse sistema [de moda]».

A edilidade está, contudo, a «tentar fazer isso de forma diferente», através da atração de empresas, incluindo start-ups, sendo atualmente a cidade portuguesa com mais empresas emergentes e a segunda a nível europeu. «Esta era começou com empresas tecnológicas, mas temos agora outro tipo de empresas a instalar-se no Porto, empresas ligadas às indústrias criativas», revelou Ricardo Valente, apontando os exemplos da Farfetch e da PlatformE.

O vereador anunciou agora que «vamos apresentar uma estratégia de desenvolvimento económico, onde vamos colocar as indústrias criativas como um dos principais sectores que queremos ter dentro da cidade».

Atrair talento internacional para a cidade é outro objetivo, sendo um exemplo de primeiro passo a ponte criada pela parceria estabelecida entre o Portugal Fashion e o Afreximbank. «Obviamente que, neste momento, não podemos competir com Londres, não podemos competir com Paris, não podemos competir com Milão, por isso estamos a tentar encontrar o nosso espaço e pensamos que África é um mercado potencial», afirmou Ricardo Valente.

A cidade está ainda a tentar criar ecossistemas criativos, que inclui um investimento superior a 40 milhões de euros na reconversão e exploração do antigo Matadouro Industrial do Porto, mas também na «ligação com cidades à volta para construir um ecossistema de design» para atrair talentos. «Queremos ser uma cidade criativa, mas na ideia de querermos construir uma indústria», sendo «o Porto, com milhões de turistas, uma porta» para uma região.

Cidades como Bilbau ou Londres têm já bem incorporada esta ideia de cidades criativas, com benefícios claros, por exemplo ao nível do rejuvenescimento de bairros mais envelhecidos, como destacou Yesenia San Juan, diretora de relações internacionais da unidade Creative Cities da University of the Arts London.

Empreender na moda

Para a construção desta indústria de moda são precisos empreendedores e o segundo painel trouxe alguns exemplos destes inovadores, desde os vários negócios incubados no Parsons Elab, da Parsons The New School de Nova Iorque, aos da Lottozero, que tem apoiado negócios sustentáveis na região de Prato, em Itália, passando pela Borås Ink, a incubadora sueca de start-ups dedicadas à indústria têxtil e vestuário.


Graziela Sousa, Stefán Dinér e Elena Ianeselli


David Luquin, diretor do Atelier by ISEM e professor de administração de negócios de moda do ISEM Fashion Business School, trouxe ainda uma lista de sete chaves de sucesso para start-ups de moda: auscultar o mercado; compreender o ciclo de liquidez da moda; focar-se no produto; dominar a parte financeira da empresa; dominar os canais de venda; definir um plano de marketing e comunicação online e offline; e escolher bons conselheiros e mentores.

«Em Portugal há uma indústria fantástica de produção de moda, há muitas oportunidades para criar novas empresas, por isso penso que vocês têm sorte por estarem aí», apontou. «Vocês [empreendedores] podem fazer muita diferença no mercado», sublinhou David Luquin.

Formar na sustentabilidade

Antes de empreender, contudo, a formação poderá ter um papel central, nomeadamente no que diz respeito à sustentabilidade, um tema cada vez mais incontornável na indústria da moda.
«A digitalização e a sustentabilidade são os drivers» mais relevantes na formação de moda atualmente, salientou Teresa Sábada, reitora do ISEM Fashion Business School, que deverá contemplar design, negócio e comunicação, porque «todas estas áreas estão interligadas».

A mesma ideia surge do projeto europeu DigiMood, apresentado por Paola Bertola e Angelica Vandi, que identificou competências necessárias aos jovens designers e desenvolveu, com base nisso, seis módulos interdisciplinares que estão a ser integrados nos cursos de design de moda do Politecnico di Milano, estando ainda abertos a consulta pública.

Já na California College of the Arts, o foco está na sustentabilidade, mas com base na experiência. «O nosso papel como educadores não é esconder o lado negro da moda, mas atrai-los [aos jovens designers] para o otimismo informado», explicou Lynda Grose, professora de design de moda e estudos críticos. O programa de formação contempla, por isso, a aprendizagem no terreno, a exploração das paixões dos jovens designers e o design experimental.

«A emergência de jovens criadores e das suas marcas têm como principal consequência a revitalização da moda, com novas ideias, conceitos, métodos e identidades estéticas. E tudo isto contribui para o enriquecimento da moda, quer como expressão estética, quer como fileira económica. Neste sentido, é fundamental que as escolas de moda assegurem uma formação teórica, técnica e estética de elevada qualidade, capaz de capacitar a fileira com talento e competências», sublinhou Luís Hall Figueiredo, presidente do CENIT, acrescentando que, em Portugal, «a nossa indústria tem vindo a atrair talento e a dar as condições necessárias aos jovens criadores para expressarem a sua capacidade criativa».

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