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15 de jan. de 2021
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Prada assina roupas de filme biográfico sobre Billie Holiday

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15 de jan. de 2021

A marca italiana de moda de luxo Prada anunciou num comunicado que se associou ao diretor indicado ao Oscar, Lee Daniels, no novo filme The United States vs. Billie Holiday (2021), com a criação de uma seleção de roupas para a cantora e compositora indicada ao Grammy, Andra Day, que interpreta Billie Holiday (ou Lady Day, nome artístico atribuído pelo amigo e parceiro musical Lester Young), a cantora americana lendária de jazz e swing com uma carreira de 26 anos. Uma das maiores vozes de todos os tempos, de todos os estilos, e a maior da era do jazz que se tornou imortal, sendo também conhecida como First Lady of Blues (Primeira dama do Blues).


Andra Day interpreta Billie Holiday, a lenda imortal do jazz - Ansa


Inspirando-se em modelos de arquivo, a Prada reinterpretou as roupas mais icónicas de Billie Holiday com um olhar contemporâneo, homenageando o período histórico em que a diva se tornou famosa, entre as décadas de 1940 e 1950, sendo a década de 1933-1944 a mais genial da carreira. Nunca recebeu nada em direitos autorais nem nestes nem nos anos seguintes, também geniais, sendo contratada como cantora esporádica das gravadoras às quais vendia a voz por míseros dólares, recebendo estas em troca milhares e milhões com ela.

O resultado da obra de investigação e recriação da Prada são nove figurinos de palco, incluindo vestidos de noite em cetim de seda adornados com penas e franjas, respeitando tendências dos anos 1950, e um vestido em cetim duplo de seda de tonalidade marfim, com decote em coração e bordado com cristais preciosos. Billie Holiday, a lenda imortal do jazz, é um ícone da música atemporal que marcou a evolução musical e artística americana com a intensidade da sua voz e imagem.

O elenco do filme inclui Trevante Rhodes, indicado ao Naap Image Award, Natasha Lyonne, indicada ao Emmy, juntamente com Garrett Hedlund, Miss Lawrence, Rob Morgan, Da'Vine Joy Randolph, Evan Ross, Tyler James Williams, Tone Bell e Erik LaRay Harvey. O filme de drama biográfico The United States vs. Billie Holiday vai estrear nos EUA, no Hulu, dia 26 de fevereiro.


Billie Holiday no Club Alabam em Los Angeles, o centro do jazz nos anos 1930a 1940. - Instagram @billieholidayofficial


Billie Holiday (1915-1959) ficou marcada por uma infância e adolescência de miséria e racismo. Nasceu filha de pais adolescentes (13 e 15 anos), em Filadélfia, e foi criada na casa da bisavó em Baltimore, onde era espancada pela tia; aos 10 foi violentada e quase estuprada por um vizinho, sendo acusada de o provocar e obrigada a ingressar num reformatório católico; aos 12 foi estuprada no chão da casa da avó por um homem de 40 e já não o denunciou vacinada pela experiência anterior; aos 14 partiu para Harlem onde se prostituiu para sobreviver, foi presa por prostituição e presa por drogas, até descobrir que ganhava mais dinheiro e fama com a voz.

No reencontro com a mãe em Nova Iorque experimentou de tudo, até roubar, e descobriu a voz única por acaso quando tentava encenar passos de dança para uma vaga de dançarina de cabaré. Conviveu com os melhores músicos de jazz de sempre e tornou-se a maior diva da era do jazz, entre monstros como Ella Fitzgerald (1917-1996), Sarah Vaughan (1924-1990), Nina Simone (1933-2003).

Mas, foi na adolescência, como empregada de limpeza, no bordel da esquina, que conheceu o blues de Bessie Smith (1894-1937) – a mais popular cantora de blues das décadas de 1920 e 1930, referida como A Imperatriz dos Blues – e a unicidade do cantor e trompetista Louis Armstrong (1901-1971), considerado “a personificação do jazz”.


A fama seguiu-a no bem e no mal, perseguida pela polícia, pelo fisco e pela justiça, por ser afro-irlandesa e mulher, e morrendo aos 44 anos numa cama de hospital, envenenada por drogas, sem fígado, sem pulmões, sem voz; só e abandonada como havia nascido aquela que da sarjeta ascendeu a uma das maiores cantoras de sempre, a maior voz do jazz pelos anos 40, 50 e 60  a Primeira Dama do Blues.
 

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