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Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
13 de jan. de 2023
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Presidente da Lacoste fala sobre a nova abordagem criativa da marca

Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
13 de jan. de 2023

No dia 6 de janeiro, a Lacoste anunciou a saída da sua diretora artística, a britânica Louise Trotter, que ocupava o cargo desde 2018. Na ocasião, aquela que foi diretora criativa da Joseph havia substituído o português Felipe Oliveira Baptista, mas desta vez, nenhum diretor criativo irá substitui-la. A criação ficará a cargo de um "Studio collaboratif", conforme anunciado pela principal marca do grupo MF Brands (Aigle, Gant, The Kooples, Tecnifibre). Para se inteirar mais sobre a nova abordagem, o site FashionNetwork.com conversou com Thierry Guibert, presidente da Lacoste, que facultou mais detalhes sobre a estratégia criativa da marca.


Louise Trotter deixa a Lacoste após quatro anos de colaboração - DR


"Quatro anos é um período bastante clássico de colaboração entre uma marca e um diretor artístico”, explicou o executivo responsável pela marca desde 2015. “Louise tem feito um trabalho marcante na criação das coleções e no desenvolvimento de alguns segmentos, como a moda feminina. Também trabalhou muito nos materiais, bem como na paleta de cores. E os resultados da marca hoje homenageiam isso", destaca o presidente.

Apesar de a Lacoste não desfilar com as suas coleções na Paris Fashion Week desde outubro de 2021, o motivo da saída da estilista inglesa não diz respeito ao seu desempenho, segundo Thierry Guibert, que diz que, em 2022, a marca ultrapassou os 2,5 bilhões de euros em faturação. Segundo as suas estimativas, é uma decisão que se alinha às expectativas dos seus consumidores.

"Trouxemos de volta a Geração Z e a os Millenials. E desenvolvemos uma série de colaborações e iniciativas, como a UNDW3, o que também nos conscientizou de que temos muitas comunidades criativas ao nosso redor, toda uma riqueza de criatividade. Então surgiu a pergunta: apoiar-se nessas comunidades seria o modelo do futuro da Lacoste? Isso permitiria que a aventura continuasse de uma maneira diferente. Acredito que as marcas que sobem de categoria para o premium ou luxo devem contar com a criatividade, mas também com a influência”, frisa.

“A influência por si só tende a ter um efeito de curto prazo e bastante devastador a longo prazo. A criatividade por si só também é problemática porque a influência atualmente permite que as marcas surjam entre os consumidores. A nossa abordagem é combinar ambos; precisamos de nos concentrar nesse par: criatividade e influência”, continua. “Os diretores criativos geralmente concentram-se na sua criação e colaboram com outros criativos e às vezes é difícil para eles. Acredito que devemos ir além desse limite e dar voz a pessoas criativas de todos os tipos para que nos acompanhem, mantendo a nossa visão da coleção geral da Lacoste", indica ainda Guibert.


Tyler the Creator, um dos artistas que colaborou com a Lacoste - DR


Estes grupos, artistas ou criadores, irão contribuir com a sua visão e a sua rede de contactos para projetos orientados pelo atelier Lacoste, que conta hoje com cerca de 50 pessoas. Nas próximas semanas, um novo diretor de estúdio chegará à sede da marca, localizada no 16º Arrondissement de Paris.

"Será o canal entre a parte criativa da marca e as nossas comunidades e grupos criativos. Acredito que este programa de coleção nos trará um nível ainda mais alto de criatividade nos próximos três a quatro anos", diz também Thierry Guibert.

"Por exemplo, para o aniversário de 90 anos da Lacoste este ano, vamos apoiar-nos nas nossas comunidades à volta do mundo para criar uma série de eventos. Estas têm a capacidade de imaginar como será a Lacoste do futuro. Além disso, temos criadores próximos da marca. Nunca serão designers da marca, mas sim parceiros com quem iremos trabalhar. Por exemplo, definitivamente trabalharemos com Tyler the Creator novamente, que se move nas esferas da música, moda e cinema", prossegue.


Colaboração con A.P.C. de 2022 - LacosteXA.P.C.


Depois de Tyler the Creator em 2019 com Golf Le Fleur, nos últimos anos a marca ofereceu a outros artistas a oportunidade de reinterpretar o seu DNA, como Friends With You, Jeremyville e Jean-Michel Tixier em 2020, o fotógrafo de moda Julien Boudet, ou projetos em colaboração com o cantor Bruno Mars e a sua marca Ricky Regal.

A Lacoste iniciou operações em diferentes áreas do mundo para fazer com que as suas propostas ressoassem melhor com a sua imagem nessas regiões. Mas também para trabalhar uma mensagem focada, como vimos em outubro do ano passado durante um evento da Lacoste realizado em Los Angeles, dedicado à sua linha feminina e repleto de influencers internacionais. A marca quer controlar a sua agenda, isso poderia incluir saltar as Semanas de Moda?

"A nossa ideia hoje é libertarmo-nos desses momentos de status que às vezes podem ser um pouco estáticos", diz o presidente. "Acreditamos que essa criatividade deve poder expressar-se fora das Semanas de Moda. No entanto, isso não significa que não iremos participar. É provável que participemos na Paris Fashion Week ou noutra cidade", conclui.

Este 2023, ano em que a marca celebra os seus 90 anos, será uma grande oportunidade para testar esta visão da criatividade da Lacoste e o potencial desta abordagem mais internacional, com muitos eventos anunciados, mas ainda secretos.
 

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