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9 de out de 2013
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Primavera-verão 2014: a façanha de Paris

Publicado em
9 de out de 2013

O programa parisiense do pronto-a-vestir primavera-verão 2014, que chegou a seu término na última quarta-feira na capital francesa, foi rico em surpresas. A notícia da saída de Marc Jacobs da Louis Vuitton marca um momento histórico para a grife do grupo líder mundial no mercado de luxo. "Deixei cair uma lágrima no fim do show", confessa Lizzy Bowring, fashion director do bureau de tendências Stylesight. E, visivelmente, eu não era a única", testemunha. As lágrimas secaram e, certamente, a continuação da história da Vuitton cativará a moda. Mas daqui para lá, o que deve ficar das colecções parisienses?

Céline primavera-verão 2014 (Foto: PixelFormula)


"Na verdade, os criadores ultrapassaram seus limites em Paris nesta semana", elogia Tancrède de Lalun, director de compras da Printemps, e alguns demonstraram certa audácia, ao se colocarem bem no centro do alvo dos críticos. Ele cita Cédric Charlier e Anthony Vaccarello, depois Riccardo Tisci, que se libertou da tendência sweatshirt streetwear, a qual ele mesmo engendrou na Givenchy há algumas estações, com sucesso pelo que se saiba. No lugar desta, uma demonstração técnica e estética com um convincente glamour. Outras grifes também deixaram de lado suas marcas registadas para tentar inovar. Correndo o risco de surpreender, como Galliano, que fez uma viagem simples ao futuro, em uma colecção radicalmente jovem, na qual o viés, pilar da identidade da marca, aparentemente não encontra mais seu lugar.

A colecção de Phoebe Philo para Céline também marcou uma ruptura formal com suas propostas anteriores. Para Tancrède de Lalun, o êxito foi total. "Cada estação, Céline chega na frente das coleções que impactam o resto da indústria, em particular o segmento contemporâneo", observa.

A grife do grupo LVMH, tão copiada que não apresentou sua última pré-colecção às mídias, arriscou-se com estampas coloridas um tanto arty e de maneira despojada, longe do rigor burguês observado em colecções anteriores. "Um sucesso absoluto que vai influenciar todo mundo amanhã", destaca desde já o entusiasmado especialista da Printemps.

Alexander McQueen primavera-verão 2014 (Foto: PixelFormula)


Os detalhes de costura ocuparam a dianteira da cena na maior parte das grandes grifes, de Dries Van Noten a Valentino, que compôs, segundo Lizzy Bowring, uma "ode à costura". A especialista em retalho do Stylesight cita também as colecções Céline, Giambattista Valli e Haider Ackermann dentre seu top 10 da edição. "O que compõe a especificidade de Paris, explica a antiga directora de tendências da Nordstrom, é, com certeza, a maturidade de suas colecções, mas, sobretudo, a capacidade dos designers de levar os materiais ao extremo, com um resultado comercialmente tangível e confiável". E acrescenta que, "até mesmo na grife Alexander McQueen nesta estação, toda a inspiração tribal corresponde a uma desejo concreto da cliente, reitera.

Yang Li e Dries Van Noten primavera-verão 2014 (Foto: PixelFormula)


O esporte se introduz de maneira duradoura no vestiário de luxo feminino, interpretado com doçura em materiais esvoaçantes e sutis. Testemunho disso é a persistência da jaqueta de couro (usada com paixão contra um colo nu em Yang Li, acima) e da jaqueta bomber com zíper, conjugada com as principais texturas da temporada: tule de seda, organza, rendas ou crochê. O que dizer das transparências. Aliás, que tipo de sucesso comercial deve-se prever para a saia transparente, vista em quase todas as grifes? "Trata-se de uma peça difícil, que vai funcionar na rua desde que seja utilizada superposta a um short ou a uma saia", prevê a especialista em retalho do Stylesight. Suas colecções preferidas? "Dries Van Noten por seus materiais e seu tratamento sutil da cor ouro, Cloé e seu safári de luxo, repleto de peças comercialmente utradesejáveis, e Louis Vuitton, que trabalhou o denim e a renda com um refinamento extremo".

Acne Studios atualiza novamente os códigos marinhos (Foto: PixelFormula)


Assim como o verão exige, o mar continua a inspirar, na moda "ingênua" da Olympia Le Tan e sua colecção batizada "A Girl in Every Port". A praia inspirou Jean Touitou que a interpreta em versão denim para acompanhar uma mulher chic sem saltos, que mais seduz por seu charme que por suas roupas. A Sueca e francófila Acne Studios foi buscar sua inspiração diretamente no uniforme marinho frenchy , da blusa até o impermeável amarelo, cor recorrente na próxima estação. Convincente. Na Kenzo também, muitos peixes e oceanos. Mas de uma forma mais forte, já que o duo californiano Carol Lim e Humberto Leon lançou, com uma coleção bastante azul, experimentando a fusão tailoring e beachwear, uma mensagem ecológica sobre a urgência da preservação da vida marinha.

Algumas marcas rivalizaram em engenhosidade na produção de seus shows que marcarão época, apresentando suas colecções sob um décor insólito e certamente impactante. Por muito tempo vamos nos lembrar do desfile inteiramente coreografado de Rick Owens, do cenário de carros incandescentes, que serviu de pano de fundo para a Givenchy, e da cortina aquática da Kenzo na Cité du Cinéma de Saint-Denis. Os destinos sofisticados também existem na Paris intramuros, como bem lembrou Olympia Le Tan no Aquarium de Paris. A palma de local mais lúdico vai para Jacquemus, que utilizou a maior sala de jogos arcade da Europa, bastante conhecida dos geeks parisienses. Uma decoração cheia de energia, à imagem de uma colecção cujo frescor fez com que todos aprovassem.

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