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Queixas sobre segurança nas fábricas do Bangladesh atingiram recorde em 2018

Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
today 20 de mar de 2019
Tempo de leitura
access_time 3 Minutos
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No ano passado, os funcionários das fábricas têxteis do Bangladesh apresentaram um número recorde de reclamações sobre segurança, 662, o que mostra que o mecanismo estabelecido pelas marcas europeias de moda para melhorar as condições de trabalho se mostrou eficaz, de acordo com os sindicatos.


O Acordo do Bangladesh recebeu 1152 reclamações desde a sua criação em 2014. - Flickr


O Acordo do Bangladesh foi assinado por cerca de 200 marcas e sindicatos globais em 2013, após o desastre de Rana Plaza, que matou cerca de 1.100 pessoas após o colapso do complexo de uma fábrica de roupa, provocando indignação com as más condições de trabalho.

O acordo legal, que abrange cerca de 1.700 fábricas, conta com a adesão de marcas de roupa e retalhistas de cerca de 20 países, como o grupo britânico de supermercados Tesco, a cadeia sueca de moda H&M e a gigante alemã de artigos desportivos Adidas.

O acordo recebeu 1.152 queixas desde a sua criação em 2014, muitas delas relacionadas com incêndios e riscos estruturais, como indicado num relatório publicado na segunda-feira (17), que acrescentou que deixou mais de cem fábricas inelegíveis para assinatura do acordo.

"Em comparação com outros mecanismos de reclamação, os proprietários levam as queixas registadas no acordo um pouco mais a sério", disse Amirul Haque Amin, chefe da Federação Nacional de Trabalhadores de Vestuário, maior sindicato do Bangladesh, à Thomson Reuters.

"Eles sabem que os compradores também são uma parte interessada aqui e, se não resolverem o problema adequadamente, os seus negócios poderão ser afetados", disse Amin, referindo-se ao afastamento de fábricas que não estão em conformidade com o contrato e fornecem artigos aos compradores signatários.

O Bangladesh, que é a segunda maior fornecedora de roupas para os países ocidentais, atrás apenas da China, depende da indústria de vestuário para mais de 80% das suas exportações e emprega cerca de 4 milhões de pessoas.

Embora o desastre de Rana Plaza tenha sido um dos piores acidentes industriais do mundo, e levado os retalhistas a adotar medidas mais fortes para proteger os trabalhadores, os ativistas dizem que o progresso tem sido lento.

O acordo resolveu cerca de um terço das reclamações recebidas, desde abusos físicos até assédio sexual, horas extra obrigatórias e falta de pagamento de benefícios de maternidade. Foi indicado que um número semelhante ficou fora do seu mandato.

Os dados mais recentes surgem num momento em que o acordo enfrenta dificuldades para estender a sua permanência no Bangladesh até 2021, conforme acordado pelos seus signatários, quando será substituído por um órgão regulador nacional.

No ano passado, um Superior Tribunal de Justiça ordenou o encerramento do acordo após uma petição apresentada por um fornecedor local de vestuário, uma decisão que está a ser apelada no Supremo Tribunal. Uma audiência se realiza no dia 7 de abril.

"Esta é uma plataforma sólida", disse Kalpona Akter, diretor do Centro de Solidariedade dos Trabalhadores do Bangladesh, um sindicato. "Com base nos casos que vi, posso dizer que sempre que uma reclamação é resolvida através do acordo, se estabelece um precedente na fábrica.”

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