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Helena OSORIO
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18 de jun. de 2021
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Regresso às raízes da Dior na Grécia

Traduzido por
Helena OSORIO
Publicado em
18 de jun. de 2021

Mal desapareceram os confinamentos e espectáculos virtuais, a Dior encontrou a sua liberdade de movimento na noite de quinta-feira (17 de junho), no antigo estádio olímpico de Atenas, fazendo passear o elenco em épicos peplums e togasus fluentes num "regresso às raízes" da cultura e do património da Antiga Grécia, como fontes eternas.

Dior Cruise 2022 Collection


Perante algumas centenas de convidados sentados nas bancadas de mármore, incluindo a atriz francesa Catherine Deneuve e a presidente grega Katerina Sakellaropoulou, a marca francesa de artigos de luxo apresentou a sua coleção Cruise 2022 num espectáculo mágico de luz e som, destinado a ser uma delicada "mistura de herança poderosa e originalidade contemporânea".

Os modelos desfilaram pelo Estádio Panatenaico em peças de vestuário plissadas e drapeadas, musselina imaculada, franjas douradas e bordados gregos azuis, de inspiração helénica, subitamente salpicados por uma majestosa chuva de fogo-de-artifício. "Um desfile de moda é como um concerto, como o teatro, os convidados fazem parte do espectáculo connosco", disse Maria Grazia Chiuri, diretora artística das coleções femininas da Dior.


A atriz francesa Catherine Deneuve foi das primeiras convidadas a chegar ao EstádioPanatenaico, trajando um conjunto fresco estampado em evocação aos anos 50 - Instagram @Dior


Afastada dos espectadores durante a pandemia, a Dior escolheu para o regresso do público este antigo monumento, que foi renovado para os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, em 1896. O ponto de partida para a sua coleção Cruise 2022 foi a sessão fotográfica icónica na Acrópole, em 1951, que revelou os vestidos de alta costura da Christian Dior, levada a cabo pelo fundador.

"De certa forma, é um aniversário", explicou Maria Grazia Chiuri. "Estamos muito orgulhosos de estar aqui", adiantou a designer italiana, que sonhava com a Dior a "fazer novamente a viagem à Grécia" 70 anos mais tarde. O símbolo deste "regresso às nossas raízes" é o antigo peplum, o vestido tradicional usado pelas mulheres gregas da Antiguidade, que inspirou resolutamente a nova coleção.


Anya Taylor Joy, atriz e modelo americana de ascendência argentina, amiga da maison Dior, pousando no Estádio Panatenaico em Atenas - Instagram @dior


Deixar o corpo em liberdade

O peplum é "mais do que nunca um símbolo de liberdade", que "evoca estátuas antigas (as cariátides) na forma como cobre o corpo, libertando-o, abraçando curvas e movimentos", informou num comunicado a maison francesa, cujo fundador Monsieur Dior apresentou em 1951 a inspiradora e já referida coleção de alta costura na Acrópole, em frente ao Partenon, o templo da antiguidade clássica dedicado à deusa grega Atena. Este foi o mote da coleção revivalista de Chiuri.

O peplum também era então o fio comum na coleção de alta costura Dior em 2020. Mas, em Atenas, os espectadores assistiram a um ballet de formas revisitadas, fazendo malabarismos entre o tradicional e o contemporâneo, o elegante e o fluido, havendo mormente a preocupação de incluir na coleção Cruise 2022 o vestuário desportivo não estruturado "para deixar o corpo livre".

A modelo e atleta grega  Athina Koini – nascida em Londres, filha de mãe irlandesa grega e de pai berbere marroquino – foi uma das mais belas musas inspiradoras neste evento surpreendente da Dior.


A bela modelo e atleta grega Athina Koini, nascida em Londres, filha de mãe irlandesa grega e de pai berbere marroquino, no Estádio Panatenaico - Instagram @dior


Todos precisamos disto neste momento", sublinhou Maria Grazia Chiuri. "Daí a ideia de desfilar num estádio olímpico". A designer romana publicou ainda na sua conta de Instagram: "Para a coleção Dior Cruise 2022, que foi exibida na passerelle do Estádio Panatenaico em Atenas, tentei estabelecer uma comparação aberta com o artesanato local e com as entidades culturais para descobrir essas tradições que, ao longo do tempo, vão permanecendo ancoradas a lugares e a famílias, num diálogo ágil para dar enfase aos processos de criação coletiva".

O Estádio Panatenaico também denominado Calimármaro – para a ocasião encimado por fileira de painéis com cariátides impressas e marca Dior, insinuando um antigo festival grego ou torneio romano – foi construído inteiramente em mármore branco do Monte Pentélico, sendo um dos mais antigos do mundo. 

Nos próximos dias, na Grécia, a Dior utilizará vários outros sítios arqueológicos importantes para a realização de sessões fotográficas, desde o Odeão de Herodes Ático no sopé da Acrópole, à antiga Ágora, ao Templo de Poseidon no Cabo Sounion perto de Atenas, e ao Templo de Zeus em Nemea.


O cenário espectacular do Estádio Panatenaico que albergou o show de apresentação da coleção Dior Cruise 2022 - Instagram @dior


"Os sapatos também transmitem esta ideia de liberdade", acrescentou Chiuri. Aqui, sem saltos altos, apenas botas de borracha e ténis aparecem por baixo dos vestidos de noite num toque irreverente e atual. Para esta coleção Cruise, representativa de uma apresentação tradicional das grandes marcas nos quatro cantos do mundo fora das semanas de moda, os italianos colaboraram com vários ateliers gregos, combinando alfaiataria e bordados ou jacquards e adornos.

"Foi importante descobrir os ofícios específicos deste território, que permitem outro tipo de criatividade", salientou Maria Grazia Chiuri durante uma antevisão em Paris. Estava entusiasmada com a profissão que "não existe em França ou Itália", o que significa que um só artesão é responsável pela modelação, costura do casaco e bordados, quando noutros lugares "estas três funções são separadas".

Um boné de marinheiro – que aparece subitamente no meio dos muslins assimétricos – nasceu também da colaboração entre a Dior e o artesanato grego apoiado pelo Museu Benaki de arte, história, etnologia e arqueologia da Grécia. 


A musa italiana Beatrice Borromeo ostentou um look sublime franjado em ouro, sendo a primeira a chegar ao estádio, de mão dada ao marido Pierre Casiraghi - Instagram @dior


Aproveitamos ainda para salientar que, de entre as musas convidadas pela Dior, se distinguiu de longe a jornalista italiana Beatrice Borromeo, embaixadora da marca, que elegeu um vestido dourado com camadas sobrepostas de longas franjas, inspirando nobres da Grécia Antiga. Borromeo foi também das primeiras a chegar ao estádio, de mão dada ao marido Pierre Casiraghi, filho da princesa Carolina do Mónaco e Hanover e do seu segundo marido, o desportista italiano Stefano Casiraghi. Um casal sensação.

Irresistível em Atenas – como uma Helena de Troia, considerada a mulher mais bela da Antiguidade –, distinguindo a beleza singular da genética dos condes de Arona e de Marzotto (entre outros), Beatrice parece também ter ido buscar traços e estilo a uma vénus renascentista de Sandro Botticelli.

Não desconsiderando a genética do marido descendente dos Grimaldi, da casa principesca soberana do Principado do Mónaco, em especial da sua avó atriz americana, que estrelou em Hollywood na década de 1950, antes de se tornar princesa por casamento com o príncipe Rainier III – a eterna Grace Kelly, que nos veio à memória na contemplação de muitos looks desta espectacular coleção Dior.

Por John HADOULIS, com Olga NEDBAEVA em Paris (AFP).
 

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