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Por
AFP
Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
7 de abr. de 2022
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3 Minutos
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Relojoeiros investem em inovações para atrair nova geração de clientes

Por
AFP
Traduzido por
Novello Dariella
Publicado em
7 de abr. de 2022

Diamantes de laboratório, Vantablack, resíduos plásticos, impressão 3D... No Salão da Alta Joalharia de Genebra,  relojoeiros multiplicam as inovações em termos de materiais para atrair uma nova geração de aficionados por produtos de luxo.


Relógio "Ballon Bleu" da Cartier (grupo Richemont) apresentado no Salão da Alta Joalharia de Genebra, em 30 de março de 2022 - AFP


A marca H. Moser, que se destacou graças aos seus modelos iconoclastas, chegou à feira deste ano com um relógio revestido a Vantablack, um material tão preto que absorve quase toda a luz. Colocado sobre um fundo negro, este relógio, ainda em fase conceitual, cria a ilusão de um buraco negro, no qual apenas são visíveis os ponteiros coloridos. Este material de nanotubos de carbono, que foi usado pela fabricante alemã BMW para criar um exemplar único, é considerado o pigmento mais escuro do mundo.

"Queria trazer algo diferente do que veremos nas montras em três meses", explicou o CEO Edouard Meylan em entrevista à AFP. "Eu queria mostrar o futuro dos materiais, para explicar como será a relojoaria em cinco anos".

Embora esta prestigiada marca já tenha utilizado o material em esferas, este modelo de exposição, totalmente revestido a Vantablack, não pode ser tocado no momento, pois pode perder as suas propriedades, e o objetivo é continuar a trabalhar para que um dia possa ser utilizado.

Tecnologia trabalhada pelo artesão



O preto é uma tonalidade em alta, de acordo com Vincent Grégoire, diretor de moda masculina e acessórios do gabinete de estilo parisiense Nelly Rodi, entre uma nova categoria de amantes de artigos de luxo, aos quais chama de "os virtuosos”.

"Trata-se de uma clientela que busca beleza, super luxo, materiais futuros a transbordarem de tecnologia mas trabalhados por mãos artesanais", descreve, com um gosto marcante por essa tonalidade que evoca "o universo de Anish Kapoor". Um artista britânico que causou polémica no mundo da arte ao comprar os direitos de Vantablack para as suas esculturas.

Uma nova geração de amantes de produtos de luxo está a surgir, diz Grégoire, que também identifica outros perfis, incluindo um a que chama de "agitadores", fãs de "cultura de rua" e "recuperação" e que querem fazer das suas compras "um ato militante".

Num stand dedicado à inovação, a marca Oris mostra como recicla resíduos de plástico, que são triturados para fabricar um material tipo mármore com cores aleatórias, dependendo dos plásticos recuperados, para criar mostradores de relógios.

Diamantes de laboratório



A Tag Heuer, de propriedade do grupo de luxo francês LVMH, quebrou um tabu ao usar diamantes cultivados em laboratório pela primeira vez num dos seus modelos emblemáticos. Esses diamantes obtidos por depósito químico não são usados ​​para substituir os diamantes tradicionais, mas para criar uma nova textura no mostrador com novas formas de diamante na sua superfície que criam efeitos de luz no centro do relógio.

Com esta tecnologia, a marca quis explorar as novas possibilidades oferecidas pelos diamantes de laboratório sem abandonar o mundo do alto luxo. O relógio custa 350.000 francos suíços (344.000 euros).

"Há um lugar para diamantes cultivados em laboratório no mercado", diz Tobias Kormind, diretor da 77 Diamonds, uma empresa especializada em vendas online de diamantes, que ficou encantado ao ver o relógio no site da Tag Heuer. "Há pessoas que compram diamantes de laboratório por questões de orçamento, mas também por razões ambientais", disse à AFP, embora os diamantes naturais ainda sejam "os que vão valorizar mais com o tempo".

No stand da Cartier, os diamantes brilham com intensidade. Mas a marca de joias, de propriedade do grupo Richemont, também deu uma guinada em direção à tecnologia. Graças à impressão 3D, a empresa sediada na Place Vendôme, em Paris, desenvolveu uma nova coleção denominada Coussin, cuja caixa se dobra levemente com a pressão de um dedo antes de recuperar a sua forma de almofada.
 

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