Retalho de olhos em 2018

Em 2017, a expressão apocalipse do retalho entrou oficialmente no léxico dos empresários, tendo inclusivamente uma explanação na Wikipédia. Apesar de muitas lojas terem fechado portas – cerca de 6.700 –, aproximadamente 3.000 foram inauguradas. A morte anunciada é, apenas, uma nova vida.


Depois de analisar os próprios relatórios, relatórios das marcas e os dados fornecidos por empresas como a Euromonitor e a McKinsey, o portal de moda Fashionista alinhou as cinco forças que ditaram esta mutação do retalho e que deverão continuar a moldar o sector ao longo de 2018.

Personalização

Uma das forças que mais deverá impactar no futuro do retalho, sobretudo no campo da moda, é a personalização.

Na verdade, no relatório State of Fashion 2018, do portal The Business of Fashion (BoF) com a McKinsey, os inquiridos identificaram a personalização como a tendência número um de 2018. O relatório cita também uma pesquisa da Linkdex, que descobriu que mais de 70% dos consumidores norte-americanos esperam algum tipo de personalização nos negócios online no próximo ano.

No geral, um dos atuais objetivos dos retalhistas é a recolha de informações sobre os hábitos de compra dos seus clientes, usando-as depois para promover experiências personalizadas online – sugerindo itens de que possam gostar, por exemplo.
Alguns retalhistas estão já a levar isso para o próximo nível, apresentando serviços de personal styling, tanto on como offline.

A Nordstrom, por exemplo, abriu uma loja este ano que não tem inventário, mas está preparada para oferecer diferentes tipos de experiências – de degustações de vinhos a manicura. Retalhistas como a J.Crew e a Topshop começaram também a enfatizar os seus serviços de personal styling em loja, com os clientes a agendarem marcações com stylists e não com os tradicionais vendedores.

Inteligência artificial

As marcas despertaram e começaram a experimentar as tecnologias de inteligência artificial este ano. Os chatbots, muitas vezes do Facebook Messenger, foram a tecnologia de IA mais popular junto dos retalhistas.

Alguns usam-nos apenas para fins de atendimento ao cliente, para enviar atualizações de encomendas ou como uma página mais interativa de perguntas frequentes.

Outros usam-nos para criar serviços de personal styling. A Levi’s, por exemplo, lançou este ano um bot para ajudar os clientes a encontrar o par perfeito de jeans online.

Os retalhistas estão também a explorar a IA em lojas digitalizadas. Na loja da Reformation em São Francisco, por exemplo, os clientes podem recorrer aos serviços de um assistente virtual, disponível em cada provador, usando um monitor para solicitar tamanhos ou cores.

Móvel/omnicanal

Cada vez mais consumidores usam os seus smartphones para compras, por isso, as marcas e retalhistas precisam de infraestruturas móveis para facilitar o processo. De acordo com o relatório BoF/MicKinsey, nos EUA, as transações móveis deverão atingir os 930 mil milhões de dólares (aproximadamente 790 mil milhões de euros) até ao final de 2018. Comprar no Instagram também deverá ser cada vez mais comum.

Este ano subiu também o número de retalhistas que introduziu alternativas como comprar online/recolher em loja, entregas no mesmo dia e pagamentos móveis em lojas – estratégias omnicanal que se tornarão a norma no próximo ano.

Efemeridade (drops e pop-ups)

O ano 2017 foi marcado pelos lançamentos exclusivos e limitados (drops) de coleções e pela proliferação de lojas pop-up. Essas experiências físicas de retalho efémeras foram populares e deverão assumir novos formatos em 2018.

Pensar fora da caixa

Uma estratégia popular entre os retalhistas de vestuário tradicional é a diversificação. Este ano, a Madewell começou a oferecer uma seleção de artigos de beleza, seguindo os passos de cadeias de retalho como a Urban Outfitters e a Anthropologie, para as quais a cosmética tem sido um grande impulsionador de crescimento.

Um relatório recente da Euromonitor sobre o mercado de luxo revela que as categorias de estilo de vida e experiência estão a crescer mais rapidamente do que os produtos. A procura global de experiências de luxo tem incentivado as principais casas de moda a alagar o seu raio de ação a hotéis, cafés, restaurantes e bares.

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