Revista Wallpaper e designer americano criam casaco em cortiça para Salão do Móvel de Milão

Redação – A revista de design e arquitetura Wallpaper apresenta até o dia 13, no Salão do Móvel de Milão, 100 objetos inovadores integrados na coleção "Handmade", incluindo um casaco em cortiça assinado pelo designer norte-americano Todd Bracher.

A iniciativa da Wallpaper vem-se realizando há quatro anos e o objetivo do evento de design é estabelecer novas parcerias que conduzam ao lançamento de objetos únicos, que desafiem os limites da produção atual.
O designer norte-americano Todd Bracher, que assina um casaco em cortiça integrante da coleção "Handmade", no Salão do Móvel de Milão. Foto: Divulgação

A escolha da cortiça enquanto material têxtil foi motivada pela exposição "Metamorphosis", que a ExperimentaDesign teve patente no Mosteiro dos Jerónimos e a propósito da qual a editora de arquitetura da revista britânica, Ellie Stathaki, reconheceu "o imenso potencial" da casca do sobreiro.

Para a concretização de um objeto inovador nesse material, a Wallpaper convidou então a corticeira portuguesa Amorim e o estúdio do ‘designer' industrial norte-americano Todd Bracher, que vem desenvolvendo projetos com criadores como Tom Dixon e Georg Jensen, e com marcas como a 3M e Capellini.

"Apaixonámo-nos imediatamente pela cortiça mal ela chegou cá, porque é algo diferente de tudo o que conhecemos antes", declara Todd Bracher no vídeo de apresentação do projeto.

"Parte do desafio foi superar a sua rigidez, que é tipo a do couro ou até da ganga, mas isso traz-lhe peso e uma espécie de resistência", explica. "O calor deste material também é fascinante", continua o designer.

Da exploração dessas características resultou o casaco "Corkwear", que, para Todd Bracher, "é como mobiliário que ganhou vida". "Embora se possa pensar que a cortiça é um material antigo e primitivo, é bastante técnica para esta utilização", defende o norte-americano. "Poderia ser facilmente esquecida, mas agora tenho um novo apreço por ela", garante.

Carlos de Jesus, diretor de Comunicação e Marketing da Corticeira Amorim, declarou hoje à Lusa que a produção de vestuário é um segmento em que a utilização de cortiça tem vindo a crescer.
Criação da norte-americana Nike com cortiça. Foto: Nike

"Ainda terça-feira a Nike apresentou o segundo modelo de ténis de cortiça, depois de ter lançado os Nike LeBron James", realça. "Assiste-se de forma abrangente à utilização de cortiça por grandes marcas de calçado – Stella McCartney, Christian Louboutin e Dolce & Gabanna são alguns exemplos – e essa tendência também já foi abraçada pela indústria do vestuário, pela mão de nomes consagrados como Diane Von Furstenberg ou criadores emergentes como Suzaan Heyns", acrescenta.

Impermeabilidade, proteção térmica, leveza e durabilidade são algumas das qualidades técnicas valorizadas pelos estilistas. Daí que, embora o custo dos têxteis à base de sobreiro seja "ligeiramente superior ao de um tecido normal", Carlos de Jesus considere que esse acréscimo "se justifica, pela performance técnica e também pela diferenciação estética conseguida pela inclusão de cortiça".

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