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Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
24 de mai. de 2021
Tempo de leitura
3 Minutos
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Richemont: lucros aumentam apesar de queda nas vendas

Traduzido por
Estela Ataíde
Publicado em
24 de mai. de 2021

Apesar de um cenário económico ainda incerto, a gigante do luxo Richemont conseguiu que o seu lucro líquido aumentasse quase 40% no ano fiscal encerrado no final de março, superando consideravelmente as previsões.


Chloé - outono-inverno 2020 - Coleção Feminina - Paris - © PixelFormula


No entanto, no primeiro semestre do exercício, o encerramento temporário dos pontos de venda, centros de logística e locais de produção, bem como a interrupção repentina do turismo devido à pandemia, levaram a uma queda de 25% nas vendas sem efeitos de câmbio, ou 26% às taxas de câmbio atuais.
 
À medida que as medidas de confinamento começaram a ser levantadas, as vendas voltaram a crescer 17% excluindo os efeitos de câmbio, ou 12% às taxas de câmbio atuais no segundo semestre. No quarto trimestre, as vendas aumentaram 30% (36% excluindo os efeitos de câmbio). Assim, a queda total para o ano é, portanto, relativamente pequena, com -8%, ou -5% excluindo os efeitos de câmbio.

O que significa igualmente que a empresa está a iniciar uma forte recuperação. A própria Richemont indica ter tido "um início de exercício financeiro sólido, com tendências de aceleração em todos os setores".

Olhando mais de perto para os números anuais, as vendas caíram para 13,144 mil milhões de euros, enquanto o lucro operacional caiu 3%, para 1,478 mil milhões de euros. O lucro líquido, conforme mencionado anteriormente, continua em clara tendência ascendente, com um aumento de 38%, para 1,289 mil milhões de euros. O retalho ganhou 2% excluindo os efeitos de câmbio e perdeu 1% com os efeitos de câmbio, situando-se em 7,248 mil milhões de euros para o ano inteiro. O retalho online cresceu 6%, ou 9%, excluindo os efeitos de câmbio, para 2,794 mil milhões de euros. Quanto ao canal de atacado/licenciamento, este acusa uma queda de 27%, ou 25% excluindo efeitos de câmbio, para 3,102 mil milhões de euros.
 
Estes bons resultados devem-se principalmente às casas de joalharia do conglomerado proprietário da Cartier e à venda online (impulsionada pelas operações da Yoox Net-A-Porter).  No canal digital, as vendas das casas do grupo apresentam um crescimento de três dígitos, o que “evidencia o sucesso” da transformação digital da Richemont, afirma a empresa.
 
As vendas online totais representam 21% das vendas totais do grupo e a empresa pretende continuar a sua incursão no mundo digital. Ao longo do ano, a Richemont investiu 253 milhões de euros em obrigações conversíveis emitidas pela Farfetch e reforçou a sua relação com a Alibaba, o que resultou na abertura de 11 flagships no Tmall Luxury Pavilion, incluindo Net-A-Porter, Chloé e Dunhill.

Apesar do encerramento das lojas físicas durante grande parte do ano em muitos mercados, a empresa disse ter realizado "vendas físicas sólidas", o que os números anteriores parecem confirmar.
 
Já as casas de moda e acessórios registaram, por seu lado, uma queda nas vendas, principalmente devido à contração do atacado devido à pandemia e às quedas no travel retail, apesar do aumento de 17% nas vendas online.
 
A empresa sublinhou: “Após anos de declínio no desempenho, esperamos que estas maisons beneficiem de um melhor acesso ao mercado graças às novas plataformas digitais."

Por outro lado, as casas de joalharia conseguiram mesmo aumentar as suas vendas para além dos níveis registados antes da chegada da pandemia e aumentaram a sua margem operacional em 31%, graças a um crescimento sólido de dois dígitos nas vendas no segundo semestre do ano. 

A região Ásia-Pacífico foi um dos principais contribuintes para esse sucesso, e a China desempenhou um papel importante no crescimento de 19%  das vendas na região, com um crescimento homólogo de três dígitos no quarto trimestre. Já na Europa, as vendas caíram 31%, tendo também descido 15% nas Américas e 22% no Japão.

Durante o anúncio dos resultados, o presidente Johann Rupert prestou homenagem ao recém-falecido Alber Elbaz, descrevendo-o como um ser "incrivelmente sensível e atencioso", dono de uma "empatia genuína e possuidor de uma grande sabedoria, um talento e uma criatividade excecionais".

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