Sanjo regressa em setembro

Nasceu em São João da Madeira em 1936 e nas quatro décadas seguintes tornou-se uma referência incontornável no calçado desportivo português. Após a queda do Estado Novo, quando a abertura das fronteiras a fez sucumbir à concorrência das marcas desportivas internacionais, a Sanjo viveu períodos conturbados e passou pela mão de diferentes proprietários, chegando mesmo a ser produzida na China. Este ano, uma empresa de Braga tomou as rédeas do projeto e promete relançar a marca em setembro, recuperando modelos, criando novas propostas e continuando a escrever uma história que começou há mais de 80 anos.


Depois de algumas décadas conturbadas, a icónica marca de sapatilhas, fundada em 1936, regressa em setembro ao mercado sob a alçada da empresa bracarense M2BEWEAR - Fotografia: Sanjo/Elisabete Magalhães

Lançada pela Companhia Industrial de Chapelaria em 1936, numa altura em que os chapéus começavam a cair em desuso, a Sanjo foi a primeira marca de sapatilhas nacional, tornando-se nas décadas seguintes um fenómeno entre portugueses de todas as idades. A época de ouro da Sanjo chegou, no entanto, ao fim com a queda do Estado Novo e consequente abertura do mercado, quando a competição começou a afetar a marca, que não conseguiu fazer frente às recém-chegadas marcas desportivas internacionais. Um declínio que culminou em 1996 com o encerramento da Companhia Industrial de Chapelaria e da Sanjo, levando à perda do molde das emblemáticas sapatilhas. Comprada no ano seguinte por uma nova administração, que recorreu a arquivos para reproduzir o molde perdidos, a marca regressou ao mercado entre 2010 e 2018 com os clássicos modelos K100 e K200, mas desta vez produzida na China, uma mudança necessária para manter as sapatilhas o mais semelhantes possível ao que eram, com a sola vulcanizada e a parte de cima em lona.
 
Agora, a Sanjo prepara-se para começar uma nova etapa. Este ano, a marca foi adquirida pela M2BEWEAR, uma trading company de Braga que está focada “em trazer a Sanjo de volta a casa”, como à explica Elisabete Magalhães, atual designer de comunicação e assessora de comunicação da Sanjo, à FashionNetwork.com. Com este objetivo em mente, a empresa associou-se a uma fábrica de Felgueiras para voltar a fabricar a marca em Portugal. Um desafio considerável para empresa bracarense, que tendo comprado apenas a marca, e não uma empresa, não tinha qualquer acesso ao trabalho desenvolvido anteriormente, sublinha a porta-voz, explicando que trazer a produção da Sanjo para Portugal implicou desenvolver e investir novamente nos moldes das solas e replicar as características da Sanjo num novo método de produção (da sola vulcanizada para a sola colada).
 
Em setembro, além de trazer de volta modelos emblemáticos, a Sanjo chega ao mercado com novas propostas - Fotografia: Sanjo/Elisabete Magalhães

Desafio superado, os novos proprietários da Sanjo estão decididos a “criar produtos icónicos, com foco na qualidade”, sublinha Elisabete Magalhães, dando mais detalhes do que se pode esperar em setembro, mês em que se assinala o regressa: “Perdeu-se a sola vulcanizada, introduzindo uma sola colada com maior consciência ambiental, mantendo na mesma a típica borracha e a lona tão marcantes da Sanjo, que acompanharam gerações. É a esse trabalho de geração que pretendemos dar continuidade, construindo mais do que uma simples sapatilha - construindo um legado.”
 
A porta-voz sublinha, ainda, que “mais do que replicar”, foi necessário melhorar, tendo sido tomadas medidas para acrescentar qualidade e conforto, dos forros aos ilhós, passando pelas etiquetas. “Estamos confiantes de que vamos apresentar um modelo icónico que irá entregar o legado da Sanjo através de um produto renovado, com um ADN único, com qualidade, conforto e acima de tudo uma atitude muito mais atual.”


Numa primeira fase, a nova coleção da Sanjo estará à venda na loja online da marca e em alguns parceiros multimarca - Fotografia: Sanjo/Elisabete Magalhães
 
Quando começar novamente a ser vendida, a icónica marca de calçado trará consigo várias linhas. Além de manter os clássicos modelos K100 e K200, que dão “um salto de qualidade”, mantendo o look vintage, mas com um toque contemporâneo,a Sanjo está a preparar uma nova versão das K, inspirada nas solas do modelos antigo, e ainda modelos completamente novos. Elisabete Magalhães garante: “A Sanjo não voltou apenas - voltou e regressou com vontade de crescer, evoluir e continuar a escrever uma história nos pés dos portugueses. Pretendemos voltar com uma comunicação mais jovem e contemporânea, de maneira a também introduzir o legado da Sanjo a uma faixa etária mais jovem e a uma cultura contemporânea, recuperando as origens e criando continuidade nesta história.”
 
Em setembro, a Sanjo estará à venda na sua loja própria online e ainda em alguns parceiros multimarca, que serão entretanto divulgados. E, embora para já o foco seja o regresso da Sanjo a casa, a internacionalização já está nas cartas, indica Elisabete Magalhães: “Será o nosso próximo passo. Fazer da Sanjo uma marca não só dos portugueses, mas do mundo.” 

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