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Portugal Textil
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19 de jul. de 2017
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Sedacor dá asas à cortiça

Por
Portugal Textil
Publicado em
19 de jul. de 2017

A empresa do grupo JPS Cork está a colocar a cortiça na linha da frente da moda e decoração. Aos tecidos obtidos a partir da matéria-prima, que têm sido usados por diversos sectores, a Sedacor está agora a acrescentar um fio para vestuário e têxteis-lar, num projeto realizado em parceria com entidades portuguesas.


Este novo projeto, batizado Cork.a.Tex-Yarn, está a ser concretizado com a Têxteis Penedo, o Citeve e o LSRE-LCM e consiste na industrialização de um fio de algodão revestido com aditivos de cortiça.

«É um produto hipoalergénico, é leve, é um isolante natural, térmico e acústico, é um produto que tem um toque único – as pessoas gostam muito de um design que lhes permita ter sensações diferentes. Para além da questão sustentável que, é hoje fundamental para nos ajudar a entrar em mercados que até há pouco tempo eram muito complicados», explicou Albertino Oliveira, diretor comercial e de marketing da Sedacor, na edição de maio do Jornal Têxtil.

O desenvolvimento inicial decorreu entre 2014 e 2016, sendo que a nova fase tem como meta a industrialização do processo de produção. «Necessitamos de avançar mais porque o que conseguimos foi algo muito experimental. Conseguimos fazer um fio, conseguimos fazer uma manta em cortiça, mas sempre com instrumentos muito rudimentares, com a tecnologia que tínhamos ao dispor no momento», afirmou Albertino Oliveira. Agora, esta «é a primeira fase da concretização industrial e da divulgação do projeto, para que possa ir para a frente de uma forma sustentável e seja
economicamente viável», resumiu, adiantando que o projeto irá permitir aumentar em 25 vezes a capacidade de produção.

O fio tem suscitado o interesse do mercado, nomeadamente de multinacionais na área do retalho de moda, revelou o diretor comercial e de marketing da Sedacor, mas pode ser igualmente usado no desenvolvimento de artigos de têxteis-lar e decoração. «Se tudo se confirmar de acordo com o que estamos a pensar, juntamente com o nosso parceiro maior, neste caso a Têxteis Penedo, acreditamos que podemos ter um novo segmento de negócio muito importante a médio/longo prazo», apontou Albertino Oliveira.

Um trajeto de diversificação

Integrada no grupo JPS Cork, a Sedacor surgiu como mais uma resposta à necessidade de diversificar o leque de produtos e mercados do grupo. Depois de uma primeira fase, apoiada em produtos de isolamento, a moda foi o passo lógico seguinte. «Colocou-se a fasquia mais alta, para chegar a áreas como o design, a moda, a decoração, o calçado, os têxteis…

Criar outras áreas de diversificação onde a cortiça possa ter valor», adiantou o diretor comercial e de marketing. «Começou por uma brincadeira de um dos nossos administradores, que resolveu colocar todo o know-how que tínhamos a nível de produto, produção e desenvolvimento noutras áreas que não aquelas que eram tradicionais. E os tecidos foram uma delas», acrescentou.

Entre os produtos desenvolvidos está um tecido com base em cortiça reciclada, usado na indústria do calçado, que mereceu em 2010 a distinção do Centro Tecnológico do Calçado de Portugal. «Foi aí que ganhámos o primeiro prémio fora da área das rolhas», lembrou Albertino Oliveira.

Desde então, já saíram da Sedacor bolas de futebol de cortiça, tecidos para a indústria de mobiliário e para a moda. Em 2016, a empresa foi distinguida no âmbito dos Prémios Inova Têxtil, com o Pear Black QK, um casaco em tecido de cortiça natural combinado com algodão desenvolvido em parceria com a Twintex, cujo prémio foi oficialmente entregue pelo Ministro da Economia, Caldeira Cabral, em fevereiro passado.

Os colchões com cortiça, resultantes de uma parceria com a Lusocolchão, têm tido igualmente uma boa aceitação no mercado, estando à venda já em 10 países.

«Queremos alavancar outras indústrias portuguesas: têxtil, mobiliário, embalagens, calçado», sublinhou Albertino Oliveira, dando conta do desenvolvimento de produtos usados por empresas como a Profession Bottier e a Kayak Storm (calçado) e a marca de acessórios Marita Moreno.

Mais recentemente, a empresa adaptou o tecido de cortiça para utilização em cadeiras para a clínica dentária Vital Place, completamente impermeável e com as características necessárias à utilização num espaço dedicado ao sector da saúde. «Podemos não só colocar produtos resistentes à humidade, mas colocar produtos totalmente impermeáveis. Este é um exemplo de uma nova aplicação», apontou Albertino Oliveira.

Os tecidos de cortiça da Sedacor representam, de resto cerca de 10% do volume de vendas da empresa, que em 2016 faturou, sozinha, cerca de 18 milhões de euros. «Os resultados estão só a começar», destacou o diretor comercial e de marketing da empresa, que emprega 85 das 140 pessoas que trabalham no grupo JPS Cork.
«Fizemos muitos investimentos. Só no ano passado investimos mais de 1,5 milhões de euros nestas novas áreas de têxtil e revestimentos», referiu, realçando que a inovação é, atualmente, um dos motores de crescimento na estratégia da empresa. «Vamos fazer um projeto para procurar obter energia através de células fotoelétricas – é mais um investimento de cerca de um milhão de euros para os próximos anos», anunciou.

Os objetivos para os próximos cinco anos passam, por isso, por duplicar ou triplicar o peso da área têxtil. «Penso que passámos as fases mais difíceis e que agora, com o tempo e um esforço contínuo, e se conseguirmos entrar em novas áreas e suplantar alguns muros, ainda se vão criar mais caminhos», afirmou Albertino Oliveira ao Jornal Têxtil. «A nossa missão é ser uma referência no sector. Não queremos ser a maior empresa do mercado, queremos ser a melhor ou uma das melhores em capacidade de diferenciação e de criação de valor para Portugal e para os nossos acionistas», concluiu.

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